Chuva de sangue

Recentemente, o diário austríaco Kurier informou a formação de uma depressão atmosférica na Europa Central, como determinante do fenômeno meteorológico conhecido como ‘Chuva de sangue’. Tal depressão transporta areia do deserto do Saara que acaba por colorir as gotas de chuva em amarelo e vermelho. Tal fato, decorre de condições muito peculiares permitindo a viagem arenosa da África à Europa. O fenômeno é conhecido desde a Idade Média e considerado como presságio de guerra. Se fôssemos atualizar tal presságio para nosso tempo atual, por uma visão mais junguiana talvez, diríamos que a imagem mental formada pela tempestade de areia, em condições peculiares, evidenciaria o fenômeno que chamaríamos de arquétipo de ‘chuva de sangue’, no qual as pessoas se tornariam menos tolerantes ao diálogo e mais propensas ao conflito, em detrimento ao presságio de guerra.
A OMM (Organização meteorológica Mundial) nos avisa que o El Nino após seu término, continuará influindo no clima em escala mundial. Por conta de invernos mais amenos na Europa e África e secas ou inundações na América e Ásia. O La Nina ou resfriamento das águas do Pacífico que se segue ao fenômeno, provoca chuvas intensas nas zonas intertropical e equatorial. Na Índia e África ocidental nota-se queda pluviométrica prejudicando culturas de amendoim e arroz. Os invernos secos na Europa e Reino Unido provocam neve pesada. No Brasil, já é bastante evidente a queda da produção do café, na Austrália crise na plantação de banana e cana de açúcar, afetando inclusive, a produção leiteira. Como efeito prático por conta de secas e inundações no Pacífico tropical, temos o aumento do preço em 5 a 10% nos alimentos básicos como arroz, açúcar e cacau. O El Nino é um fenômeno natural e modelos climáticos sugerem que em 2050, dobraria a sua frequência.
A revista Nature nos informa estudo revelando que mudanças climáticas tem sido responsáveis por violência generalizada e até colapso de civilizações. Dados de 1950 a 2004, mostram probabilidade de conflitos ao longo dos trópicos dobrando durante o El Nino na percentagem de 21%, demostrando que a estabilidade social se relaciona ao clima global. Na prática, temos o Chile atormentado por bolivianos com o Silala e mortandade de peixes, enquanto a Nicarágua com seu canal interoceânico, atola na seca que assola a região. Uma releitura semelhante a do fenômeno acima comentado, atualizada ao momento vivido, observaríamos o impacto forte sobre o indivíduo por conta das carências enfrentadas. Secas, fracasso nas colheitas, insegurança alimentar e todas as consequências que disto possam advir, certamente tornariam as pessoas menos propensas ao diálogo e mais susceptíveis a resolverem seus conflitos pela violência.

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