E a terra se move

setembro 19, 2016

Como sabemos da geografia, a terra se move sobre seu eixo de rotação atravessando polo a polo. Um estudo publicado na revista Science Advances, refere-se a este movimento que por volta do ano 2000, por estudos de satélites, descobriu-se que o polo norte parece mudar de direção. Ao invés de dirigir à baia de Hudson no Canadá, se direciona às ilhas britânicas com quase o dobro da velocidade padrão (em torno de 17cm/ano). A novidade ancora explicação no degelo da Groenlândia e camadas de gelo da Antártida ocidental e por conta de mazelas da seca e umidade. A Groenlândia, segundo os cientistas, perdia em 2012 cinco vezes mais gelo que em 1992. Soma-se a isto, a queda do volume aquoso na Eurásia ou subcontinente indiano e região do mar Cáspio. Estas reservas se movem no sentido leste oeste alterando o movimento polar. A queda do volume do manancial eurásico, decorre ao esgotamento dos aquíferos e seca regional. Já o movimento de rotação da terra depende do movimento aquático no planeta, repercutindo sobre o movimento do manto terrestre. Quanto a seca e umidade, cientistas observam por registros históricos, mudanças no armazenamento da água continental e camadas de gelo.
O acima descrito são observações recentes relacionadas à alterações climáticas, sem uma avaliação definitiva sobre o impacto na vida terrestre. Uma coisa parece definitiva, o degelo secas e a umidade estão mudando a frequência na rotação da terra. Como isto, impactará em nosso cotidiano dependendo certamente de outras variantes nos mais diferentes lugares, em que, uns sofrerão mais, outros menos, outros quem sabe, até poderão se beneficiar dos acontecimentos observados.
Fato que talvez chame a atenção é o carácter progressivo do evento, isto é, as modificações são cada vez mais fortes, evidenciadas pelo degelo e aquecimento progressivos. A maior preocupação que fica de tudo isto, talvez seja a nossa tendência à inércia, ao esquecimento, por conta de questões mais imediatas do dia a dia. Quem se lembra ou ainda ouve falar no buraco da camada de ozônio da Antártida. Talvez com o movimento polar em ascensão, seja mais ameno aos nossos pensamentos, deixar-se surpreender pelo que o conjunto da obra possa apresentar.

Chuva de sangue

setembro 12, 2016

Recentemente, o diário austríaco Kurier informou a formação de uma depressão atmosférica na Europa Central, como determinante do fenômeno meteorológico conhecido como ‘Chuva de sangue’. Tal depressão transporta areia do deserto do Saara que acaba por colorir as gotas de chuva em amarelo e vermelho. Tal fato, decorre de condições muito peculiares permitindo a viagem arenosa da África à Europa. O fenômeno é conhecido desde a Idade Média e considerado como presságio de guerra. Se fôssemos atualizar tal presságio para nosso tempo atual, por uma visão mais junguiana talvez, diríamos que a imagem mental formada pela tempestade de areia, em condições peculiares, evidenciaria o fenômeno que chamaríamos de arquétipo de ‘chuva de sangue’, no qual as pessoas se tornariam menos tolerantes ao diálogo e mais propensas ao conflito, em detrimento ao presságio de guerra.
A OMM (Organização meteorológica Mundial) nos avisa que o El Nino após seu término, continuará influindo no clima em escala mundial. Por conta de invernos mais amenos na Europa e África e secas ou inundações na América e Ásia. O La Nina ou resfriamento das águas do Pacífico que se segue ao fenômeno, provoca chuvas intensas nas zonas intertropical e equatorial. Na Índia e África ocidental nota-se queda pluviométrica prejudicando culturas de amendoim e arroz. Os invernos secos na Europa e Reino Unido provocam neve pesada. No Brasil, já é bastante evidente a queda da produção do café, na Austrália crise na plantação de banana e cana de açúcar, afetando inclusive, a produção leiteira. Como efeito prático por conta de secas e inundações no Pacífico tropical, temos o aumento do preço em 5 a 10% nos alimentos básicos como arroz, açúcar e cacau. O El Nino é um fenômeno natural e modelos climáticos sugerem que em 2050, dobraria a sua frequência.
A revista Nature nos informa estudo revelando que mudanças climáticas tem sido responsáveis por violência generalizada e até colapso de civilizações. Dados de 1950 a 2004, mostram probabilidade de conflitos ao longo dos trópicos dobrando durante o El Nino na percentagem de 21%, demostrando que a estabilidade social se relaciona ao clima global. Na prática, temos o Chile atormentado por bolivianos com o Silala e mortandade de peixes, enquanto a Nicarágua com seu canal interoceânico, atola na seca que assola a região. Uma releitura semelhante a do fenômeno acima comentado, atualizada ao momento vivido, observaríamos o impacto forte sobre o indivíduo por conta das carências enfrentadas. Secas, fracasso nas colheitas, insegurança alimentar e todas as consequências que disto possam advir, certamente tornariam as pessoas menos propensas ao diálogo e mais susceptíveis a resolverem seus conflitos pela violência.

Desperdício

setembro 5, 2016

A revista científica Environmental Pollution, avisa que medicamentos como advil, benadril, prozac e anticoncepcionais são encontrados em níveis elevados no salmão. Em outra pesquisa, a NOAA (Adminstração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EEUU), estudou salmões no estreito de Puget, arredores de Seatle, em Washington. O Centro Científico de Pesca do Nororeste, parte do NOAA, avaliou espécies de salmões entrantes nos rios para desovarem, passando por estações de tratamento de águas residuais; coisa que não conhecemos muito bem. Surge em consequência, a novidade de encontrarem nos tecidos examinados, altas concentrações de fármacos empregados em várias enfermidades, do diabetes à depressão, com o desperdício, como seu maior responsável.
Questão que pouco conhecemos é o Departamento de Ecologia de Washington, exigir monitoramento para funcionamento de estações de águas residuais, examinando níveis químicos de pesticidas, por exemplo. Existem na região, cento e seis estações de tratamento de águas residuais, descarregando 97 mil libras de produtos químicos no entorno a Puget Sound. Segundo Amélia Apfel da Puget Sound Guard, as maiores vítimas são os salmões. Ao fazerem migração dos mares às cabeceiras dos rios para reprodução são impactados pelas águas residuais. Por um acidente anatômico em passar grandes quantidades de água nas guelras, facilita concentração de produtos químicos nas vísceras. Evidências indicam metformina, medicamento para diabetes, prejudicando o metabolismo e o crescimento dos peixes. Antibióticos, conhecidos pela resistência microbiana, retornam via cadeia alimentar humana. O Prozac, afeta de forma negativa o comportamento dos peixes, contraceptivos e hamburgueres os tornam hemafroditas. Produtos de higiene em níveis incontroláveis ao lado de pesticidas, avisam que a coisa anda fora do controle.
Isto nos EEUU, com estações de águas residuais em relativo exame, descobrem que o desperdício, pelo descarte em excesso, volta à vida humana pela cadeia alimentar. Fato é que nem estações estabelecidas de tratamento de águas residuais temos, nos mostrando que definitivamente estamos longe no abismo entre ricos e pobres. Ou, será exagero(?).

Colateralidades

agosto 29, 2016

Análise sobre transferência de renda na Colômbia, diz que existe redução inicial na violência doméstica de quase 6% no curto prazo, desaparecendo no médio e longo prazo. Além do fato de concentrar em municípios com maiores níveis de riqueza, sendo menor quando pagamento inesperado acontece, quando não ocorre, notam aumento da incidência de violência. Em outro estudo efetuado por Gustavo Bobonis, Roberto Castro e Juan Morales “Transferências condicionais de renda para mulheres e violência” patrocinado pelo BID, avalia que há no México relação entre transferências condicionais e prevalência de violência doméstica rural. Observam que a violência física e psicológica contra a mulher, reduz-se ao longo dos anos, entre as que participam dos programas de transferência em relação as que não participaram, com posterior equilíbrio entre ambos.
Em pesquisa uruguaia chamada de “Taxa de Câmbio Real, disparidades salariais entre sexos e violência doméstica,” Ignácio Munyo e Martin Rossi exploram discrepâncias salariais e violência doméstica. Concluíram que mudanças nas taxas de câmbio afetam de forma diferente homens e mulheres, já que os primeiros se associam a setores de bens comercializáveis e as mulheres ao de serviços. Daí, flutuações cambiais afetam o preço relativo entre mercadorias mais ou menos rentáveis impactando diretamente nos salários. Concluem que aumentos na taxa de câmbio reduzem o salário das mulheres e seu poder de negociação, resultando aumento na frequência da violência doméstica, física, sexual, econômica e emocional. Avaliam relação no aumento da taxa de câmbio e violência doméstica.
Nesta premissa, estudos concluem que mulheres que participam de programas de transferência por conta da emancipação econômica, melhoram sua capacidade de negociação. Apresentam colateralidade no aumento da violência psicológica e física justamente pela ameaça da perda de hegemonia masculina no controle dos recursos. Em resumo, programas de transferência de renda latino americanos podem no curto prazo aumentar ou diminuir a violência, necessitando aí, condicionantes ambientais. Outra colateralidade é o aumento de ameaças e violência caso pagamentos prometidos falham. Em suma, mudanças na política cambial de emergentes afetam a segurança feminina doméstica. Como forma em contrapor tais questões, países incrementam programas de microcrédito como a África do Sul. Daí, programas de transferência de renda, incluindo os daqui, possuem capacidade finita no combate à violência e desigualdade. Há que se passar à fase seguinte, mais elaborada, com políticas eficientes visando preservação e aumento dos ganhos, lacuna que certamente acarretará perdas.

Pobreza em questão

agosto 22, 2016

Na 20ª edição do relatório de desenvolvimento humano (RDH), o PNUD junto ao The Oxford Poverty and Human Development Initiative (OPHI), lançou o IPM ou Índice de Pobreza Multidimensional substituindo o IPH de 1997. O foco é a canalização de recursos visando um desenvolvimento mais eficaz, retratando de forma mais ampla pessoas em dificuldade. Priorizando conjunturas de pobreza e privação tais como acesso à saúde nutrição e habitação, carências do hemisfério sul, maiores entraves, à nível estatal, ao desenvolvimento. Nosso IPM é 0,039, o mesmo da Turquia, acima da Colômbia (0,041), Suriname (0,044), República Dominicana (0,048) e abaixo da Estônia (0,026), Egito (0,026) e Belize (0,024); lembramos que quanto maior o IPM maior a pobreza multidimensional.
A Dra Sabine Alkire de Oxford, uma das desenvolvedoras do IPM nos diz que as várias carências observadas não aparecem nas medições monetárias tradicionais. Como exemplo, o caso do Butão na cidade de Gasa em que não existe pobreza por falta de entrada monetária, seus habitantes possuem dinheiro mas não tem luz, estradas, hospitais ou escolas secundárias; aqui, a questão. Para substituir o PIB, desenvolveram na década de setenta o conceito de felicidade Interna bruta (FIB). Trata-se de princípio que busca avaliar o desenvolvimento espiritual e material reforçando um ao outro pela complementaridade. Visa o desenvolvimento sócio econômico, preservação de valores culturais, estimulo ao meio ambiente e a boa governança.
Fato maior que atormenta o desenvolvimento Humano, talvez seja a cilada a que estão submetidas economias ricas e pobres no eterno acumular e crescimento econômico, como indispensáveis à sobrevivência de um estado. Confundir o desenvolvimento humano com desenvolvimento econômico baseado no PIB, decerto é o maior fator de instabilidade e incerteza a que estamos todos inseridos. Necessário sempre se faz, salientar que, apesar de mais objetivos e melhores avaliadores da pobreza como um todo, há que se considerar que tais índices não devem mascarar a falta de efetividade oficial no combate à desigualdade.

A parte do consumidor

agosto 15, 2016

Análise publicada no Journal of Industrial Ecology, avisa que os consumidores são responsabilizados por 60% das emissões de gases estufa e 80% do uso na água mundial. Inserido em projeto financiado pela UE visando promover vida mais saudável e consumo responsável de energia, a pesquisa foi liderada por Diana Ivanova da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU). Utilizando extensa base de dados da NTNU denominada EXIOBASE teve a colaboração de holandeses, austríacos, alemães, tchecos e dinamarqueses. Basicamente analisou-se o impacto ambiental na perspectiva consumidora de 43 países com 89% do PIB mundial e 90% do comércio. Os grandes vilões são os países ricos, impactando 5,5 vezes mais que a média mundial. Por fim, 13% dos gastos dos lares europeus são de produtos manufaturados. Se imediatamente tais gastos fossem direcionados aos serviços, reduziriam 12% a pegada de carbono (gasto diário).
Do ponto de vista consumidor, concluiu-se que países ricos são responsáveis por 20% de todos os impactos de carbono via setores industrial ou agrícola. Por sua vez, deste percentual 4/5 são considerados impactos indiretos como produção de bens e produtos oferecidos ao consumidor. Do ponto de vista da água, ela aparece à nível global em tudo o que compramos. Como ilustração diremos que a carne de vaca necessita até 15.400 litros para a produção de um quilo de carne e o leite 1050 litros água/litro, enquanto o leite de soja necessita 297 litros/litro. O chocolate pede 17 litros de água/quilo do mesmo. Já alimentos processados como pizza, solicitam por exemplo, além de água energia e outras matérias primas.
A moral da história de nossos pesquisadores é identificar efeitos nas decisões dos consumidores e reduzir os impactos produzidos. Nos lares do norte controlando o consumo de gasolina e água, e se possível, mudarem hábitos alimentares à base de carne bovina, adequando o consumo, é o início do caminho da sustentabilidade; no sul a coisa complica. Como vemos, na questão climática, a responsabilidade do consumidor é crucial em relação a produção, pois na ótica do mercado, enquanto houver comprador haverá produtor. Pela lógica do consumidor, imaginamos que na história humana a questão do costume, bastante discutida atualmente, seus preconceitos e mudanças, por conta do aquecimento, até aqui, só tem impactado na sociedade pelas gerações seguintes, como o caso tabaco no mundo. Enquanto isso a terra geme.

Existência e realidade

agosto 8, 2016

Constata-se que inicialmente notáveis avanços científicos obtidos pelo ser humano, constituiram-se na maioria dos casos, em atividade paralela, e não, como forma profissional de ganhar a vida. Aleksander Borodin, professor de química, era músico autor da ópera ‘Príncipe Igor’, Fermat, advogado por profissão era matemático amador, Newton, foi político e diretor da Casa da Moeda e o músico John Cage, especialista em fungos; alguns exemplos. No relacionamento pessoal com o universo, visavam desenvolver meios em grafar com símbolos suas interações, via física, matemática, notas musicais e etc.
Uma destas formas, o algorítimo, consistindo de uma série de operações ordenadas visando realizar determinado cálculo, ou, conjunto ordenado de instruções buscando determinada solução. Foi o matemático medieval Al-Khwarizmi do Usbequistão, que vivendo em Bagdá, criou sua Casa de Sabedoria. Considerado o pai da álgebra, foi o introdutor do nosso sistema de numeração. Nos dias de hoje, algorítimos se asociam à computação, dando passos à frente na criação de modelos experimentais em vários estudos, principalmente climáticos, desde de diagramas de fluxo até a linguagem de programação.
Talvez uma das maiores observações da natureza esteja na física moderna de Newton, expressa em suas conhecidas equações. O carácter descritivo da física clássica visa levantar o véu das aparências, em suma, descobrir e explicar a realidade oculta. Como evolução natural do pensamento universal, surge a física quântica, se diferenciando da clássica em seu aspecto descritivo. Tal condição quântica chamada preditiva, é a habilidade em gerar previsões testáveis pelas observações em questão. A descrição da física clássica, na física quântica é tomada por axiomas que buscam a ação e os resultados que daí surgirão. Esta proposta se exprime pelas equações quânticas, muitas vezes invisíveis na aparência. Decorrente tal inovação, a própria física quântica evolui em direção à existência ou ao chamado ‘realismo ontológico’, que estuda a natureza do ser nos espaços da realidade. Em conclusão, dirige-se à realidade efetiva ou mundana exterior, desaparecendo a noção de vários ‘eus’ nos espaços separados em si. É isso.

O fundo das coisas

agosto 1, 2016

Investigação da Universidade de Cincinnati nos EEUU, indica que a organização da estrutura em nosso entorno influi nas tomadas de decisões. Segundo eles, entornos mais aleatórios ou anárquicos poderiam nos levar a tomada de decisões sem análise acurada ou menos reflexiva. Tais ambientes, evidentes em áreas mais carentes, tendem a nos conduzir à ideia que resultados piores ou melhores são produzidos de forma desorganizada ou ao azar. Levam a uma menor reflexão no momento de tomada de decisões, prova disso está na dificuldade de quebra deste ciclo de perpetuação nas áreas de elevada pobreza. O estudo demonstra ainda que, nestas condições, tendemos a superficialidade assumindo atitudes automáticas com inesperados resultados pela ação reflexiva. Em havendo harmonia entre nosso entorno e o ambiente, geralmente buscamos aproveitar estas relações nas tomadas de decisões via pensamentos mais elaborados.
Ainda sobre a atividade reflexiva, uma gama de filósofos incluindo aí Kant, opina que nada podemos dizer sobre a realidade em si ou ‘sua essência’. Em outro fato relatado por cientistas, aflora a ideia que somente a ciência não é bastante para resolver a questão do ‘fundamento das coisas’. Não descartam contudo o fato que é este fundamento que prende todos os fenômenos descritos. O físico e filósofo Bernard d’Espagnat defende que a realidade mostra-se coberta por um véu de obscuridade. Busca dar abordagem metodológica e científica à antigas questões filosóficas. Para ele, nosso raciocínio científico não diz o que seja a realidade em si mas nos apresenta a imagem de sua estrutura, e por isto, busca nova referência para o ‘fundo das coisas’.
O ‘fundo das coisas’ tem sido a questão mais intrigante na aventura do viver. Há que se convir, o que temos realmente de tudo isso é o ciclo a que estamos submetidos de vida e morte, mostrando que nossa mente tem limites como a própria vida humana. Compreendida esta questão fundamental, deveríamos aceitar que a convivência com o outro se faz necessária, pois o contrário, acelera o ciclo de morte. Talvez a grande lição aprendida, seja que a consciência da morte é fundamental à vida.

Isolamento e convivência

julho 25, 2016

O sociólogo e professor da Universidade de Nova York Eric Klinenberg, acredita que vivemos o “apogeu da vida solitária” que despontou nos anos 1950. Ao investigar efeitos de uma onda de calor em Chicago no ano 1995, notou que mais de 700 das vítimas fatais moravam sós. Informa que nos últimos 10 anos se fortaleceu a ideia de morar só por conta da mudança de status da mulher, longevidade, revoluções urbana e de comunicações. Apresenta como atrativo, a privacidade, anonimato, autonomia e conexões descompromissadas com o outro. Eric avisa que são mais de 30 milhões de americanos vivendo atualmente nesta condição. Já o Euromonitor Internacional, identifica aumento de 33% entre 1996 e 2006 de viventes solitários projetando em mais 20% seu crescimento.
Ainda relacionado a convivência, outra questão importante é que a maioria dos terapeutas pensa ser uma relação ideal aquela que envolve sexo e muito amor, sendo tal conceito, quase consenso. Em suma, um vínculo afetivo seria sustentado por muito tempo pelo amor e sexo. A rede social Gransnet auxiliada pela empresa inglesa de assessoramento feminino Relate, numa amostragem de 634 pessoas entre 51 e 85 anos, identificou que uma em quatro mulheres, nunca tem relações sexuais, e segundo elas e apesar disso, se mantem felizes. Aquelas inclusas nesta estatística afirmam que as uniões são mantidas, não por sexo, mas por compaixão, generosidade ou amizade. Apesar das evidentes alterações físicas da idade e aceitas pelas entrevistadas, conclui-se que 57% não lamentam a extinção da chama da paixão. Despertou atenção, não a ausência de sexo, mas o fato de nesta condição, as pesquisadas não lamentarem a evidência.
Talvez os eventos acima nos remetam ao Dr Freud por conta da separação individual defendida pelo psicanalista, se inserindo no ‘tabu do isolamento pessoal.’ Pequenas diferenças pessoais tornam-se base dos sentimentos de estranheza e hostilidade. A hostilidade nas relações via ‘narcismo das pequenas diferenças’ no decorrer do desenvolvimento humano temporal, sobrepuja o mandamento de amar o próximo, ideia esta, sedimentada pelo psicanalista. Em conclusão, Freud defendeu que é da proximidade e não distância que floresce o ódio ao outro. São as relações de identificação a que nos propomos como sujeitos nas várias nuances da vida, pelos traços familiares, grupos ou crenças, que parece nos levar pelas diferenças, ao isolamento individual. Fato é que aumenta dia a dia.

Evento macabro

julho 18, 2016

Pesquisadores afirmam que o incremento da temperatura nos Andes tem mandado sua conta aos chamados glaciares bolivianos. Mark Bush do Instituto de tecnologia da Florida confirma que o aquecimento global e secas são ameaças ao planalto andino. Segundo a revista Global Change Biology há uma previsão, ainda neste século, de grave seca envolvendo a cidade de La Paz provocando aridez do clima, graves prejuízos à agricultura e consequente insegurança alimentar. Dentre outras avaliações, observa-se aumento nos intervalos das chamadas variações cíclicas que duravam em torno de 10 anos. Outra questão observada por lá, vem por conta da Universidade Técnica de Oruro constatando elevados níveis de arsênico, cádmio, bromo e zinco, além de sete vezes mais que o normal, dos níveis de cloro nas águas andinas.
O chamado evento macabro, conhecido pelos moradores da Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro é a mortandade de peixes, pela queda do nível de oxigênio nas águas revoltas por fortes ventos, movimentando sedimento, liberando metais pesados, tóxicos à vida animal, que nos andes, decorre da ação mineradora. Devido o eldorado nos preços minerais pelo fator China, a famosa cordilheira firmou-se como excelente ambiente extrativista. Pela ausência de diques de contenção, controle do governo via compra de consciências, a contaminação tornou-se parte do ambiente natural no mundo inteiro, priorizando os mais pobres. As mineradoras retiram 22 milhões de litros de água dos lagos andinos por dia; ninguém se atreve esbravejar, pois estas economias dependem da exportação de matérias primas.
Em conclusão diremos que pensar clima envolve liberdade política e democracia, judiciário independente, participação dos diversos segmentos sociais em detrimento a uma elite dominante. Por fim, relações transparentes e justas entre governo e iniciativa privada, em que ambos entendam que iniciativa privada necessita lucro e governo proteger a sociedade da barbárie. Quem sabe um dia seja assim.


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