Ato agressivo

O Suicídio é um evento que se expande em silêncio, em que pelo menos duas pessoas atacam a própria vida por dia. Na América Latina o Uruguai apresenta a maior taxa com 18,54 por 100 mil habitantes. Entre 1990 e 2016 houve por lá duplicação de casos com o recorde da década no ano passado. 2005 marca a progressão de valores anuais e o pico mais alto foi 2002. O Ministério do Interior uruguaio avisa que duas mulheres são mortas por mês pelo parceiro, ex parceiro ou familiares. No mesmo período que 38 pessoas morrem no trânsito ocorrem 53 suicídios, com o detalhe de serem pessoas com mais de 61 anos e os jovens entre 21 e 40 crescem progressivamente. Estes dados vistos no Uruguai, juntos com Cuba e Porto Rico, são as mais confiáveis estatisticas por mortes violentas. Apesar disto o aumento deve-se a falta de políticas preventivas, ficando à iniciativa privada afrontar a questão.
A ideia de atentar contra a vida abre espaço a Freud por conta de sua maior contribuição à psicanálise e cultura, ou, a constatação de um desconforto ou mal estar inerente a própria civilização, ou, a plena satisfação de cada um dos seres humanos. Já a Dra Melanie Klein identifica na criança a agressividade, que pela dificuldade de linguagem, expressa angústia por meio da brincadeira. Mais além, nota mal estar nos primórdios da relação mãe e filho, materializado inconscientemente pelo ciúme e inveja. Esta descoberta, abriu espaço ao que considera a agressividade como pertencente ao mundo interno infantil e pelos aspectos violentos e destrutivos, faz parte de sua vida mental. Aplicou como via de acesso a tais conteúdos inconscientes, usar a brincadeira como dispositivo de expressão ou o equivalente a linguagem verbal do adulto. Ao atender pacientes infantis utilizando meios lúdicos, Dra Melanie desvendou fantasias remotas, entendeu processos de pensamento e acessou seus níveis inconscientes.
O suicídio como agressão à própria vida representa sempre acúmulo de questões, muitas delas inconscientes, que não são devidamente afrontadas ao longo da vida. Não é só por falhas estatisticas mas também pelo mito do medo ao contágio, em que expor o tema pode disseminar a ideia, tornando a questão menos discutida entre a maioria da população. Não são eventos simples, pois muitas vezes envolvem familia e frustações por conta da violência doméstica. No caso masculino, a perda do emprego e no feminino os chamados problemas emocionais, se negligenciam pelo esquecimento.

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E a vida ?

Análise da Merrill Lynch com base em pesquisa da Nielsen informa que as pessoas se sentem menos felizes entre os 50 e 53 anos. Por conta da obsessão da modernidade pela felicidade e economia e suas espectativas na tomada de decisões no viver. Cita troca de emprego, proximidade da aposentadoria e seu financiamento, despesas com os filhos na universidade, custos nos cuidados com pais idosos, como exemplo. Já a Business Insider, diz que as pessoas se tornam mais felizes à medida que envelhecem, muito pela aceitação do envelhecimento, que segundo a ideia, gera paz e satisfação. Nesta batida, após os 55 anos ocorrem relatos de níveis de bem estar chegando ao seu ponto alto aos 80 anos. Tais níveis de felicidade podem mudar com o tempo, como exemplo, nos próximos 30 anos os atuais 50 anos podem se tornar menos felizes aos 80 anos ou jovens de 20 anos serem mais felizes na fronteira dos 50 anos. Ao se colocar no centro do envelhecer a questão econômica na OCDE, leva as pessoas com 65 anos ou mais a associarem boa saúde com felicidade e assim usar o tempo livre como desejariam.
Ainda nesta premissa de felicidade, surge a Finlândia nos apresentando o quase nenhum insucesso escolar. Lá, ser brilhante é regra, não exceção. Os alunos do ensino secundário findam com boas notas, poliglotas e com forte interesse na leitura. Isto é dito, porque lá a profissão de professor possui prestígio, trata-se de curso universitário dos mais exigidos. Por conta da prioridade ao ensino individualizado e à liberdade criativa, efetivamente os alunos decidem na escola por conta de reuniões e debates. Já o psicólogo Abraham Maslow defende a tendência humana pela excelência por natureza e nesta premissa, busca analisar o papel que desempenham a cultura e a educação. O escritor italiano Pino Aprile no livro Elogio do Imbecil, questiona a possibilidade de nos condicionarmos à seleção cultural e por conta, nos condenar a imbecilidade. Afirma a possibilidade real da seleção cultural e que inteligência é como areia nas engrenagens obstruindo mecanismos. Conduzir a genialidade pelo estímulo ao questionamento, afirma que levaria à subversão do sistema, não por discutir a norma em vez de aplicá-la, mas bloquear por atuação o percurso da engrenagem.
A felicidade sob o ponto de vista econômico na terceira idade, visa os financeiramente mais felizes aumentando a desigualdade. Empresas farmacêuticas, de entretenimento, jogos de azar, seguros, cuidadores da saúde, empresas funerárias, tudo isto avaliado em mercado com poder de compra de 1 bilhão de dólares. Em 2010, 9% da população mundial possuía mais de 65 anos e a projeção para 2050 é de 19%. Atrelar a felicidade à economia, decerto pode conduzir o ser humano ao grave risco de vazio existencial, por conta de metas não atingidas, muitas das quais, sem peso de responsabilidade. Pressão social, via concorrência, busca a excelência empresarial e pode nos levar a cilada da seleção cultural. Seleção esta, que impõe o que é bom ou ruim aos interesses da conhecida sociedade de consumo ou pós modernidade. Acabamos, caso nesta cilada, sem outras opções existenciais para iniciar e concluir o último ciclo do viver.

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Inclusão

O IDI ou índice de desenvolvimento inclusivo do forum econômico mundial, visa classificar economias em relação a pobreza, desigualdade, dívida pública e meio ambiente. Utilizando parâmetros educacionais, éticos, de investimento, empreendedorismo e de proteção social, identifica os países com economia de mercado que, no mínimo, beneficiam a maior parte da população e não, poucos. A lista é encabeçada pela Noruega, seguida de Luxemburgo, Suíça, Islândia, Dinamarca, Suécia e Holanda; todos do norte da Europa. Têm em comum, alto grau de mobilidade social, baixo desemprego, força de trabalho feminina exuberante, proteção social, adequados padrões de vida e promoção de cultura empresarial. Entre os emergentes, lideram a Lituânia, Azerbaijão e Hungria.
Outro relatório, o da FAO, nos apresenta o coeficiente Gini medindo o nível de desigualdade e apontando queda na América Latina e Caribe  entre 1993 e 2008, mesmo acima da média global ou 0,48. Há no mundo 250 milhões de migrantes com 9 milhões na América Latina. Fala-se em forte transformação estrutural agrícola nos três maiores países. O Brasil, focado no agronegócio aumentou mais de quatro vezes o comércio. A participação agrícola no PIB nos últimos 20 anos passou a ser de 6% enquanto no emprego total caiu de 24% para 9%. No México entre 1990 e 2013, segundo Graziano, a participação no PIB foi de 7% para 3,5% e no emprego caiu de 12% para 6%. Na Argentina a produtividade do trabalho no campo, quadruplicou enquanto no Brasil e México, quase duplicou. Tudo por conta das inovações tecnológicas que aumentaram a produtividade, diminuindo a taxa anual de rendimentos e devidamente agravada pela degradação ambiental.
Parece real que as chamadas economias inclusivas e mais iguais, possuem semelhanças entre si. A todos chama atenção a baixa densidade populacional e talvez sua característica maior, a classe média majoritária inclusiva, comparada pela alta densidade populacional e pobreza majoritária nas mais desiguais. A industrialização agrícola ou agronegócio exibe alta produtividade e por tratar-se de modelo de países ricos, tem caráter exportador. Este fato provoca concentração de renda e desiguladade. Principalmente na América Latina, pela pobreza e degradação ambiental, há que se dar mais espaço à agricutura familiar visando conter o ciclo perverso, ou, mais para que tem e menos ainda, para quem menos possui.

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O exisitir

A biodiversidade trata da variedade natural sem interferência humana, ou diversidade entre organismos ou a totalidade de gens, espécies e ecossistemas regionais. Já a Sociobilologia se atém ao comportamento social animal (etologia) que insere conceitos de evolução, sociologia e genética populacional. Tais terminologias foram popularizados pelo entomologista Edward Osborne Wilson, controvertido por defender que comportamentos e sentimentos animais, incluindo o homem, são derivados da genética não sendo totalmente culturais ou socialmente adquridos. Estudou o comportamento animal dando abordagem evolutiva através do debate pela sociobiologia. Já a evolução social estuda comportamentos com consequências na aptidão do ator e indivíduos. Se inserem comportamentos chamados mutuamente benéficos que aumentam a aptidão de ambos, despeito, que diminui a aptidão de ambos, egoísta, que aumenta a do ator e diminui a do receptor e por fim o autruísta, que diminui a do ator e aumenta a aptidão do receptor.
Wilson advoga que tal qual os animais irracionais, temos a característica hereditária de nos inserir e pertencer a grupos e que o isolamento induziria a loucura. Defende em relação aos sentidos, que nossa espécie se instrumentaliza mais pela visão e audição em detrimento ao olfato, gosto ou tato. Informa que 99% dos animais, micróbios, plantas e fungos comunicam via produtos químicos ou feromônios. Considera a Eusociabilidade como o mais alto nível de organização social, visto em algumas espécies conhecidas. Sua característica é por cuidados cooperativos de criação, sobreposição de gerações em colônias adultas e divisão do trabalho em grupos reprodutivos ou não, chamados castas ou comportamentais especializados. Tal conceito distingue de outros sistemas sociais, pois o indivíduo de determinada casta perde a capacidade em realizar certos comportamentos visto em outra casta, coisa comum entre mamíferos, insetos e crustáceos. O caso humano é controverso, apesar de toda sofisticação instrumental, pela ausência da divisão de trabalho reprodutivo.
A Eusociabilidade caracteriza-se por simplicidade e sucesso ecológico visto em cupins e formigas em relação aos semelhantes. O caso humano além da instrumentalização pela imagem e audição, se complementa pela linguagem oral gerando comunicação mais eficaz, possibilitando teoricamente, melhor organização de determinado grupo. Nesta premissa, surgem questões como a tendência humana na superioridade de um grupo, por conta da construção de identidades pessoais de seus membros. Estabelece rivalidade expressa nos conflitos, cada vez mais instrumentalizados e com resultados mais eficazes, visto desde a pré história. Por conta, se impõe o combate entre o comportamento egoísta e altruísta de determinados grupos, gerado pela competição e cooperação, impondo-se conceitos como honra e moral. Não há dúvidas que apesar dos perigos, estamos avançando como seres humanos pela via da evolução; para onde (?), o futuro nos dirá.

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Clima e economia

A Agência Ambiental Europeia publicou seu relatório quadrienal, mostrando impactos, alterações, vulnerabilidades, tendências e projeções ambientais para a Europa. Avalia que ecossistemas, saúde e economia sofrem cada vez mais pelo efeito estufa. Cita como regiões críticas o sul e sudeste europeu, por conta do maior número de impactos adversos, como calor extremo, baixa produtividade agrícola perda da biodiversidade, secas severas, incêndios florestais e pouca precipítação pluviométrica. Nas áreas costeiras e planícies aluviais da região ocidental, prevalece o risco de inundações e elevação do nível do mar com danos ao ecosistema marinho, acidificação e expansão de zonas mortas pela falta de oxigênio. Na região do Ártico, a fusão do gelo terrestre e marinho a coloca como particularmente vulnerável.
Sob o ponto de vista econômico, nos avisa que as perdas desde 1980 estão na casa dos 433 bilhões de euros, com médias anuais de 7,5 bilhões entre 1980/1989, 13,5 bilhões entre 1990/1999 e 14,3 bilhões entre 2000/2009 e 13,3 bilhões entre 2010/2015. 70% dos sinistros são causados por 3% dos eventos registrados. Vai além, diz que em média são 12 bilhões de euros/ano, 75 800 euros/km² ou 780 euros per capta. Em 2015 somaram quase 3% do PIB da UE com 35% estando segurados e quase 90 mil vítimas. Lideram as perdas, Alemanha, Itália e Inglaterra, as per capta são Suíça, Dinamarca e Áustria. Em relação ao PIB lideram as perdas, Croácia, República Checa e Hungria (todos do leste). Em termos relativos, os menos afetados são Turquia, Estônia e Letônia. Os 34 maiores eventos causaram metade dos danos e os mais caros foram a inundação de 2002 na Europa Central com 20 bilhões de euros, a seca de 2003 com 15 bilhões e as tempestades de 1999 com 15 bilhões.
Entre a Conferência de Estocolmo e Paris, se passaram 45 anos desde que aqueles poucos inseridos na guerra fria, ousaram chamar a atenção à uma constatação. Não foi um delírio messiânico ou tentativa em barrar o progresso do Ocidente ou quem sabe, complô do comunismo internacional; a culpa não era da teoria da conspiração. Em paralelo e no contexto acima, surgia no Canadá o Greenpeace que se tornou alvo pela denúncia radioativa; se lembra do barco a pique? Todos vítimas da mesma realidade: a terra se aquece pela ação humana. Hoje com o comunismo no limbo, o petróleo cada vez mais em quantidade maior que a água potável e o modelo sob forte questão, nota-se que o relatório da AEA está só no começo já que é o quarto publicado. Por conta dos fatos, observamos que estamos entre encontrar a saída do imbróglio ou nos tornar apenas vítimas de uma constatação.

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Justiça e paz

O sociólogo holandês Abram de Swan em seu livro ‘Dividir para matar: uma exploração da mentalidade genocida’, buscou raízes da violência com questionamentos da eliminação de pessoas por estados. Defende que as sociedades são naturalmente violentas e sugere que os genocídios são resultado da forma de construção da identidade coletiva pela sociedade em questão. Raciocina que de pequenas tribos a empresas, apresentam características naturalmente violentas, incluindo a história recente com a violência doméstica ou familiar. Apresenta como rota de construção a diminuição da cultura da suspeita, exemplificando a procura de jovens mais educados por atividades desportivas ou artísticas como forma de sublimar a violência latente. Sobre o genocídios, analisa sob a ótica da execução e dos que pressionam à tal, considerados como situações extraordinárias. Utiliza as Ciências Sociais buscando entender que todos os assassinos são pessoas comuns em situações extremas ou incomuns. Cita a Iugoslávia na década de 90, cujos cidadãos reagiram como os seus antepassados pelas mesmas divisões e suspeitas. Conclui dizendo que criminosos são cientes e leais aos companheiros, superiores ou familiares.
Já o neurologista francês Borys Cyrulnik, sobrevivente do holocausto, autor de ensaios como ‘Resiliência’, ‘Morrer de vergonha’, ‘O murmúrio dos fantasmas’, ‘Almas feridas’ e etc, relata como superou os traumas que viveu aos 5 anos de idade. Peregrinou por mãos de enfermeiras, famílias e governantas, iniciando a vida laborativa em uma fazenda, até que com o fim da guerra, viveu em Paris aos cuidados de uma tia. Relata que através do vizinho conheceu o outro lado da vida, tratado verdadeiramente como pessoa e encorajado por ele a estudar psiquiatria. Este evento chamado de acolhida do amor, o marcou por toda a vida futura e pelas experiências vividas, buscou atender crianças sobreviventes de traumas. Por conta da teoria nazista de que os prematuros deveriam ser descartados, seu primeiro foco profissional foram exatamente estes recém natos, acreditando no seu desenvolvimento por conta de cuidados adequados. Considera a resiliência humana como “a capacidade em se recuperar de trauma sem as marcas e ser feliz.” Avalia que pode ser superado enfrentando insegurança, pesadelos ou dificuldades em se relacionar, que possam advir por conta das vulnerabilidades. Conclui pela importância paterna na estabilidade emocional e prevenção do isolamento pelo trauma, considerado este, o maior problema.
Neste contexto de violência e superação se insere a chamada onda populista Ocidental. Talvez prematuro considerá-la como verdadeiro retorno nazista, mas bastante convincente identificar práticas ou modus operandi fascistas em forte exuberância. Vejamos: a queima de casas palestinas por ordem governamental em resposta a ataque à soldados judeus, remete à noite dos cristais e Gaza ao Gueto de Varsóvia. O expurgo turco por alegadas ameaças ao regime, remete à traços Xenófobos, ou não? Separar joio do trigo, como no Brexit remete à Soweto. Ameaças ao Judiciário, compra de vontades, banalização de alucinógenos, milícias à margem da lei com comando autônomo, remete às SS; vide América Latina, África, Israel e Síria. Por fim, ruptura unilateral de tratados acordados, domínio cristão branco, discurso incendiário e inconsequente promovendo insegurança calúnias e mentiras. Perguntamos se damos resposta adequada à presença de tais elementos em nossa sociedade? Estamos desconstruindo tais ambientes elaborando um cenário mais adequado à justiça e a paz?

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Relações perversas

Por conta da queda de oxigênio marinho, chamada de hipóxia marinha, cientistas observam relação entre tal evento, a poluição e o aquecimento do oceano. Pelo nitrogênio e o fósforo despejados ou produzidos por reações químicas, ocorre o desenvolvimento bacteriano que aumenta o consumo de oxigênio disperso na água. A temperatura oceânica elevada cria um ciclo de aumento de consumo de O2, vital à sobrevivência bacteriana, acelerando a hipóxia. Condicionantes como modificações ambientais ou baixa concentração de oxigênio marinho, acabam por determinar retardo do crescimento animal, criando uma relação perversa entre preço do pescado e o nível de O2 do mar.
Nesta ideia, cientistas da Universidade de Duke analisaram o impacto da hipóxia oceânica na economia visto através do preço do camarão. Todos sabem, e agora nós, que o Golfo do México apresenta a maior área de hipóxia sazonal do planeta, com pico no verão, local onde se pesca os chamados camarões marrons. Estudos de flutuações de preços deste pescado, entre 1990-2010 no ápice da hipóxia sazonal, determinou o que se desconfiava, ou, a forte relação entre os dois eventos. Moral da história: quando a hipóxia atinge o pico, o preço do camarão grande aumenta e o menor desmorona. Analisando suas origens, os procedentes das áreas de hipóxia são indivíduos menores que os decorrentes a outras zonas. Ainda na ideia de relacionamento perverso, recentemente foi noticiado que na cidade de Melbourne, por conta de um fenômeno chamado ‘trovoadas de asma’, 8.500 pessoas foram tratadas por crise aguda de dispneia e três morreram, relacionadas a fortes chuvas e ventos. Em suma, partículas dispersas na atmosfera servem como antígenos nas tempestades provocando  falta de ar.
Consideraremos que ‘Relação’ tem a ver com algo estabelecido por comparação ou conexão entre duas grandezas ou fenômenos, enfim, associa causa e efeito. A ligação entre duas grandezas não é ação mas método de exame, enquanto o perverso é resultado adverso a nosso bem estar. As relações envolvem o ambiente que vivemos, os animais e as pessoas nas mais variadas formas. Hipóxia marinha e preço do camarão, nos remete a questão de como enxergamos o problema. Ao pescar camarões pequenos, vem à cabeça do pescador a ideia de resultado ruim e baixo preço e a solução mais à mão é buscar novas águas. Não pensa que é resultado de longo processo de degradação, descaso, e que todos reagiram de forma inconsciente e do mesmo modo, ou, afastando-se em busca de melhores condições. Esta reação como solução, bem humana por sinal, vista em todos os setores da vida, nas grandes cidades, ambientes desmatados, degradados e abandonados, mostra o porque há tanto desperdício, ou, vida à margem, espalhada por aí.

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