Clima e economia

A Agência Ambiental Europeia publicou seu relatório quadrienal, mostrando impactos, alterações, vulnerabilidades, tendências e projeções ambientais para a Europa. Avalia que ecossistemas, saúde e economia sofrem cada vez mais pelo efeito estufa. Cita como regiões críticas o sul e sudeste europeu, por conta do maior número de impactos adversos, como calor extremo, baixa produtividade agrícola perda da biodiversidade, secas severas, incêndios florestais e pouca precipítação pluviométrica. Nas áreas costeiras e planícies aluviais da região ocidental, prevalece o risco de inundações e elevação do nível do mar com danos ao ecosistema marinho, acidificação e expansão de zonas mortas pela falta de oxigênio. Na região do Ártico, a fusão do gelo terrestre e marinho a coloca como particularmente vulnerável.
Sob o ponto de vista econômico, nos avisa que as perdas desde 1980 estão na casa dos 433 bilhões de euros, com médias anuais de 7,5 bilhões entre 1980/1989, 13,5 bilhões entre 1990/1999 e 14,3 bilhões entre 2000/2009 e 13,3 bilhões entre 2010/2015. 70% dos sinistros são causados por 3% dos eventos registrados. Vai além, diz que em média são 12 bilhões de euros/ano, 75 800 euros/km² ou 780 euros per capta. Em 2015 somaram quase 3% do PIB da UE com 35% estando segurados e quase 90 mil vítimas. Lideram as perdas, Alemanha, Itália e Inglaterra, as per capta são Suíça, Dinamarca e Áustria. Em relação ao PIB lideram as perdas, Croácia, República Checa e Hungria (todos do leste). Em termos relativos, os menos afetados são Turquia, Estônia e Letônia. Os 34 maiores eventos causaram metade dos danos e os mais caros foram a inundação de 2002 na Europa Central com 20 bilhões de euros, a seca de 2003 com 15 bilhões e as tempestades de 1999 com 15 bilhões.
Entre a Conferência de Estocolmo e Paris, se passaram 45 anos desde que aqueles poucos inseridos na guerra fria, ousaram chamar a atenção à uma constatação. Não foi um delírio messiânico ou tentativa em barrar o progresso do Ocidente ou quem sabe, complô do comunismo internacional; a culpa não era da teoria da conspiração. Em paralelo e no contexto acima, surgia no Canadá o Greenpeace que se tornou alvo pela denúncia radioativa; se lembra do barco a pique? Todos vítimas da mesma realidade: a terra se aquece pela ação humana. Hoje com o comunismo no limbo, o petróleo cada vez mais em quantidade maior que a água potável e o modelo sob forte questão, nota-se que o relatório da AEA está só no começo já que é o quarto publicado. Por conta dos fatos, observamos que estamos entre encontrar a saída do imbróglio ou nos tornar apenas vítimas de uma constatação.

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Justiça e paz

O sociólogo holandês Abram de Swan em seu livro ‘Dividir para matar: uma exploração da mentalidade genocida’, buscou raízes da violência com questionamentos da eliminação de pessoas por estados. Defende que as sociedades são naturalmente violentas e sugere que os genocídios são resultado da forma de construção da identidade coletiva pela sociedade em questão. Raciocina que de pequenas tribos a empresas, apresentam características naturalmente violentas, incluindo a história recente com a violência doméstica ou familiar. Apresenta como rota de construção a diminuição da cultura da suspeita, exemplificando a procura de jovens mais educados por atividades desportivas ou artísticas como forma de sublimar a violência latente. Sobre o genocídios, analisa sob a ótica da execução e dos que pressionam à tal, considerados como situações extraordinárias. Utiliza as Ciências Sociais buscando entender que todos os assassinos são pessoas comuns em situações extremas ou incomuns. Cita a Iugoslávia na década de 90, cujos cidadãos reagiram como os seus antepassados pelas mesmas divisões e suspeitas. Conclui dizendo que criminosos são cientes e leais aos companheiros, superiores ou familiares.
Já o neurologista francês Borys Cyrulnik, sobrevivente do holocausto, autor de ensaios como ‘Resiliência’, ‘Morrer de vergonha’, ‘O murmúrio dos fantasmas’, ‘Almas feridas’ e etc, relata como superou os traumas que viveu aos 5 anos de idade. Peregrinou por mãos de enfermeiras, famílias e governantas, iniciando a vida laborativa em uma fazenda, até que com o fim da guerra, viveu em Paris aos cuidados de uma tia. Relata que através do vizinho conheceu o outro lado da vida, tratado verdadeiramente como pessoa e encorajado por ele a estudar psiquiatria. Este evento chamado de acolhida do amor, o marcou por toda a vida futura e pelas experiências vividas, buscou atender crianças sobreviventes de traumas. Por conta da teoria nazista de que os prematuros deveriam ser descartados, seu primeiro foco profissional foram exatamente estes recém natos, acreditando no seu desenvolvimento por conta de cuidados adequados. Considera a resiliência humana como “a capacidade em se recuperar de trauma sem as marcas e ser feliz.” Avalia que pode ser superado enfrentando insegurança, pesadelos ou dificuldades em se relacionar, que possam advir por conta das vulnerabilidades. Conclui pela importância paterna na estabilidade emocional e prevenção do isolamento pelo trauma, considerado este, o maior problema.
Neste contexto de violência e superação se insere a chamada onda populista Ocidental. Talvez prematuro considerá-la como verdadeiro retorno nazista, mas bastante convincente identificar práticas ou modus operandi fascistas em forte exuberância. Vejamos: a queima de casas palestinas por ordem governamental em resposta a ataque à soldados judeus, remete à noite dos cristais e Gaza ao Gueto de Varsóvia. O expurgo turco por alegadas ameaças ao regime, remete à traços Xenófobos, ou não? Separar joio do trigo, como no Brexit remete à Soweto. Ameaças ao Judiciário, compra de vontades, banalização de alucinógenos, milícias à margem da lei com comando autônomo, remete às SS; vide América Latina, África, Israel e Síria. Por fim, ruptura unilateral de tratados acordados, domínio cristão branco, discurso incendiário e inconsequente promovendo insegurança calúnias e mentiras. Perguntamos se damos resposta adequada à presença de tais elementos em nossa sociedade? Estamos desconstruindo tais ambientes elaborando um cenário mais adequado à justiça e a paz?

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Relações perversas

Por conta da queda de oxigênio marinho, chamada de hipóxia marinha, cientistas observam relação entre tal evento, a poluição e o aquecimento do oceano. Pelo nitrogênio e o fósforo despejados ou produzidos por reações químicas, ocorre o desenvolvimento bacteriano que aumenta o consumo de oxigênio disperso na água. A temperatura oceânica elevada cria um ciclo de aumento de consumo de O2, vital à sobrevivência bacteriana, acelerando a hipóxia. Condicionantes como modificações ambientais ou baixa concentração de oxigênio marinho, acabam por determinar retardo do crescimento animal, criando uma relação perversa entre preço do pescado e o nível de O2 do mar.
Nesta ideia, cientistas da Universidade de Duke analisaram o impacto da hipóxia oceânica na economia visto através do preço do camarão. Todos sabem, e agora nós, que o Golfo do México apresenta a maior área de hipóxia sazonal do planeta, com pico no verão, local onde se pesca os chamados camarões marrons. Estudos de flutuações de preços deste pescado, entre 1990-2010 no ápice da hipóxia sazonal, determinou o que se desconfiava, ou, a forte relação entre os dois eventos. Moral da história: quando a hipóxia atinge o pico, o preço do camarão grande aumenta e o menor desmorona. Analisando suas origens, os procedentes das áreas de hipóxia são indivíduos menores que os decorrentes a outras zonas. Ainda na ideia de relacionamento perverso, recentemente foi noticiado que na cidade de Melbourne, por conta de um fenômeno chamado ‘trovoadas de asma’, 8.500 pessoas foram tratadas por crise aguda de dispneia e três morreram, relacionadas a fortes chuvas e ventos. Em suma, partículas dispersas na atmosfera servem como antígenos nas tempestades provocando  falta de ar.
Consideraremos que ‘Relação’ tem a ver com algo estabelecido por comparação ou conexão entre duas grandezas ou fenômenos, enfim, associa causa e efeito. A ligação entre duas grandezas não é ação mas método de exame, enquanto o perverso é resultado adverso a nosso bem estar. As relações envolvem o ambiente que vivemos, os animais e as pessoas nas mais variadas formas. Hipóxia marinha e preço do camarão, nos remete a questão de como enxergamos o problema. Ao pescar camarões pequenos, vem à cabeça do pescador a ideia de resultado ruim e baixo preço e a solução mais à mão é buscar novas águas. Não pensa que é resultado de longo processo de degradação, descaso, e que todos reagiram de forma inconsciente e do mesmo modo, ou, afastando-se em busca de melhores condições. Esta reação como solução, bem humana por sinal, vista em todos os setores da vida, nas grandes cidades, ambientes desmatados, degradados e abandonados, mostra o porque há tanto desperdício, ou, vida à margem, espalhada por aí.

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A leste

É praxe no início do ano na China, o governo publicar o chamado ‘documento central nº 1’ em que apresenta as diretrizes ao ano corrente. Pelo 14º consecutivo, o assunto tem sido a agricultura. Fala-se em melhorias estruturais no setor, produção verde, ampliação da cadeia agroindustrial e sua consequente valorização. Consolidar o desenvolvimento compartilhado e por fim, aprofundar as reformas no campo. A questão na agricultura chinesa é estrutural com baixa oferta, dito, pelo partido comunista e Conselho de Estado; desenvolver o setor é o foco. Ao lado do recado  governamental, vem à tona, estudo dos mais completos que nos avisa à cerca de padrões climáticos extremos no país, que mudaram drasticamente desde de 1960. Tal estudo internacional utilizando o banco de dados mais robusto sobre o assunto, do Centro Nacional de Informação Meteorológica, composto por 983 centros meteorológicos, abrangendo 3,7 milhões de milhas quadradas do território. Recolhendo dados desde 1951, formou uma base de informação sobre ocorrências climáticas extremas. Neste contexto, as chuvas de granizo, ventos fortes e tempestades, mostram uma queda na frequência em quase 50%.
Outra questão relatada pelo Reports M Scientific, mostra a perda de força das monções que se correlaciona com o mau tempo no mesmo período. Recordando, monção é um fenômeno climático recurrente e anual trazendo à longo prazo ao país, vindo do sul, ar quente e úmido no verão e ar mais frio do norte, no inverno. A força mede através do cálculo da velocidade média do vento Meridional na área em questão. Em suma, aceita-se que a intensidade das monções muda, afetando o mau tempo na região. Por fim, cientistas envolvidos no estudo, acreditam que a monção seria um dos principais motores do clima extremo relacionado à instabilidade, com modificações na velocidade e direção do vento. A moral da história é: a monção mais fraca, trás vento do sul à China com velocidade e direção alteradas por conta de relação à determinado padrão, trazendo menos ar quente e úmido e provocando forte instabilidade atmosférica.
Causas deste efeito climático seriam a diferença entre a temperatura da superfície da terra e a do oceano ou mar adjacente, ocasionando aumento da temperatura e o enfraquecimento da monção. Mudanças no ambiente pela industrialização, poluição, entram na conta. Tudo isto, à primeira vista, poderia parecer benéfico, quer dizer, diminuir eventos extremos em determinada região. Na prática, essa mistura de causas naturais e humanas, segundo o professor Qinghong Zhang da Universidade de Pequim, deságua em aumento da seca. Por sua vez, a queda na frequência dos eventos extremos, leva segundo o cientista, ao aumento de sua intensidade. Daí, tiramos duas conclusões básicas: a primeira diz respeito as metas do governo chinês na agricultura, na berlinda há quatorze anos, mostrando o quão parece sonolenta a burocracia local em conseguir resultados efetivos. A outra é que, além da ação humana na questão do clima, devemos agregar a ação da própria natureza, instabilizando, piorando, ou quem sabe, melhorando alguns e alegrando aos mais céticos. Felicidade de uns, infortúnio da maioria e talvez, indiferença de quase todos.

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Obsessão

Grigori Yefimovich Rasputin, monge ortodoxo russo, conhecido como o Monge Louco ainda hoje desperta a curiosidade pela fama de poderes místicos e imortalidade. Nascido na aldeia de Pokrocskoe na Sibéria, com enorme influência na dinastia Romanov, em particular sobre a czarina Alexandra, esperando cura para hemofilia de Alexei, herdeiro do trono. Sua forte influência na família real despertou a luta pelo poder, até que o Príncipe Félix Yusupov o convida à uma festa no Palácio visando seu envenenamento. Conta-se que Rasputin teria sobrevivido à três taças de vinho com cianeto de potássio, acompanhado por pastéis doces e por fim, encontrado morto à tiros no rio Neva. Sua sobrevivência gera questões sobre o que teria acontecido. Cientistas falam na possível perda da letalidade do cianeto ou alguma proteção ao veneno. Pesquisas indicam que o cianeto poderia interagir com a glicose o que facilitaria sua excreção, anulando a letalidade.
A existência de Rasputin, remete à intriga, luta pelo poder, eliminação via assassinatos, tudo associado à sobrevivência. Neste contexto surge Mitridátis de Pontus no norte da Anatólia, atual Turquia, no século primeiro antes de Cristo. Lembrado pelas guerras mitridáticas no fim da república romana, de origem persa e grega com descendência em Ciro da família de Dario. Mitridátis V foi envenenado em banquete, deixando sua mãe como regente. Seu filho Mitridátis VI, vendo-se obrigado a escapar da morte, acabou por removê-la da regência. Por questões de conveniência de poder casou-se com sua irmã. Por conta da ameaça em ser envenenado, surgem as chamadas drogas mitridáticas, visando anular possíveis efeitos letais, pela imunidade adquirida através da ingestão regular de doses sub-letais. Buscou-se o antídoto universal a que Aulus Cornelius chama de Antisdotum Mithridaticum, segundo historiadores antigos composto por 54 ingredientes maturados em frasco por dois meses. Posteriormente à esta fórmula, se insere o componente religioso já que o objetivo era vencer a morte.
A cristianização do Império romano e a conversão dos Césares, coloca no centro a Cruz de Constantino com o célebre ‘Com este sinal Vencerás’. A Cruz redentora significando a vitória sobre a morte, afirma o conceito da divindade cristã ou aquele que a supera. Insere-se aí, a luta pelo poder em Roma cuja vitória sobre a morte colocaria os Césares no patamar dos semi-deuses, ou, os que venceram a morte. No poder romano em disputa, a vitória sobre a morte desenvolve-se por tentativas em adquirir imunidade ao envenenamento, já que por lá, o arsênico era o preferido para se livrar dos inconvenientes. Dentro do conceito Aristotélico de ‘Semelhante Cura Semelhante’ os pretensos candidatos a vencer a morte, praticavam o uso de pequenas doses visando, quando no dia fatídico, ter sucesso ante a Senhora das Trevas e da Incerteza. A vida como foi, ou talvez, como ela é.

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Misterioso mar

A Academia Nacional de Ciências dos EEUU nos informa que o fluorocarbono, o metano e o cloro, ou hidrocarbonetos, permanecem na atmosfera por décadas sendo determinantes na elevação dos níveis marítimos. Por sua vez, avisam que na parada de suas emissões, seus efeitos no planeta permanecem por centenas de anos. Como exemplo, o C02 por conta de sua vida média de 100 anos, em suspensão imediata na atmosfera nos atuais padrões, só por conta dele, os níveis marítimos continuariam se elevar por mais mil anos. O metano com vida média de dez anos, mesmo com molécula mais nociva à vida que o C02, perdura por menor tempo. Modelos climáticos simulando circulação oceânica e atmosférica, corroboram as ideias acima descritas. Simulações envolvendo metano, C02, cloro e fluorocarbonos, nos mostram que a parada brusca destas emissões a partir de 2050, permaneceriam efeitos de 50% de C02 por até 750 anos na atmosfera, enquanto 75% permaneceria por cem anos. Já 40% do metano danificaria por até 500 anos.
Princeton avisa que haverá redução das temperaturas amenas, atualmente 74 dias, em dez dias até o final do século. Especificamente regiões montanhosas do norte dos EEUU, ilhas britânicas e regiões do norte da Europa a redução será de dez dias, o nordeste da Ásia e sul da América do Sul e Oceania teriam dez ou quinze dias de temperatura amena e com piora gradativa na África, Sudeste da Ásia e América Latina em geral. A revista Climatic Change, informa que temperatura amena significa entre 18º C e 30º C e precipitações pluviométricas que nunca excedem 1 mm. Moral da história, nos próximos 20 anos a média atual de 74 dias com clima ameno cairá em quatro dias e até o final do século mais seis dias.
A medida que a questão do clima vai amadurecendo nas mentes, progressivamente deixa de ser uma abstração messiânica para adquirir contornos sólidos e forte teor realista. Quer dizer, o quesito elevação de temperaturas amenas é encabeçado pelas regiões tropicais, ou, calor forte durante o dia e baixa umidade. Em suma, Califórnia, África, Ásia, América Latina, Oriente Médio, Península Ibérica e adjacências. Quer dizer, derretimento glacial, furacões, secas, inundações ou eventos extremos definitivamente se incorporarão ao dia a dia. Por conta do calor intenso e impactos hídricos, viriam consequências à industria do turismo, construção, transporte e agricultura. Como exemplo, a Califórnia em que a seca vem com altas temperaturas, baixa precipitação pluviométrica e pouca neve acumulada. A moral da história é que o problema afeta áreas mais populosas, menos privilegiadas economicamente em relação aos top de linha. Para concluir, ozônio nos manda uma mensagem de otimismo. Produtos destruidores de sua camada e banidos na década de 90, além de estancar o agravamento do processo destrutivo, trouxe sua recuperação. Se nada tivesse sido feito, o nível do mar em 2100 subiria 3,7 cm e 14 cm em 2050. Quer dizer, nem tudo são flores, nem tudo são dores.

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Mais que nada

O conceito de mercado imaginado como um espaço à trocas de mercadorias, evoluiu aos serviços incluindo pela modernidade o espaço virtual, tudo, intermediado por moeda como facilitador. Sua característica é a relação de compra e venda, entre quem não tem e quem tem, regulando o valor da troca. A finalidade é facilitação, já que ninguém é auto suficiente. A imaginação criou o mercado financeiro, onde se busca dinheiro para financiar negócios ou intermediar os alheios. Seguiu-se a ideia de mercado firme onde compradores e vendedores mantém posições de compra e venda. Evoluiu ao mercado livre na lei de oferta e procura ou especulativo. Criou-se o mercado negro negociando tudo que é ilegal, burlando as restrições impostas por governos. Sem falar no mercado futuro que negocia possibilidades ainda não concretizadas. No mercado à termo, as operações tem data de pagamento pré determinada. Tudo para facilitar trocas ocupando pessoas e obter os meios à subsistência. Surge daí, o mais importante, o mercado de trabalho, ocupando conforme necessidades, remunerando via moeda e valorizando conforme a procura.
A lei da oferta e procura, regula o mercado pelo comportamento em relação à quantidades compradas e aos preços praticados. Quer dizer, o excesso provoca sua queda e a carência elevação. O que estabilizaria esta relação imaginado pelos economistas é o que se chama concorrência. Neste ambiente se insere os juros, remunerando o capital retido por alguém. Um importante economista brasileiro, sempre que podia fazia a mesma pergunta, ou, como repartir um bolo e ao mesmo tempo fazê-lo crescer? Imediatamente respondia: colocando-o à juros. Como o período era de exceção, ninguém atreveu a dizer que aquilo era aberração insustentável e levaria, como levou várias vezes, a economia à quebra; óbvio que algo que se divide, diminui. Dinheiro é invenção para trocas entre mercadorias, sendo difícil sustentar dinheiro produzindo dinheiro.
Neste contexto, surge o mercado ambiental com um passivo de 500 anos, no caso do Brasil, a ser trabalhado por gigantesca mão de obra ociosa, faltando o fator de transação ou moeda intermediária específica às trocas, dando valor justo ao trabalho, escassa, atrelada ao ouro, virtual e com função peculiar em relação ao mercado oficial ou especulativo. A moeda virtual viria dar justo valor ao trabalho de reciclagem desvalorizado no mercado especulativo.Quem iria especular com lixo doméstico, hospitalar ou tóxico, reflorestamento, ações regenerativas de mananciais, eletrodomésticos ou automóveis ultrapassados? Daí a moeda virtual que por preços convidativos, atrelada ao ouro, estimularia pela lei da oferta e procura o incipiente mercado. Moeda que seria usada para remunerar ações ambientais, trocada no câmbio pela moeda oficial, injetando liquidez na economia especulativa. O produto da reciclagem, seria enviado à indústria completando a cadeia, que remanufaturado, abateria no preço final o produto reciclado. Assim, poderemos tornar atrativo à mão de obra, aquilo que o mercado oficial especulativo rejeita e desvaloriza, pois o contrário, afundaremos cada vez mais no por fazer. Afinal, qual o problema de um país possuir duas moedas oficiais, sendo uma delas com uso restrito e não especulativo?

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