O logos

Suponhamos o pensamento como propriedade instrínseca humana expressa pela interrelação entre sentidos e o meio em que se vive. Podemos também considerar como atividade mental estabelecida em relação a conceitos e ideias de forma independente, relacionada a relevância de ambos. Ao projetar imagens, a mente humana as relaciona de forma a constituir um todo com determinado sentido. Bom observar que a medida da evolução do pensamento é progressiva, capacitando a mente a resolver questões cada vez mais complexas, aprofundando com o tempo habilidades cognitivas, adquirindo conotações e novas possibilidades. Por ser atiividade própria do ser elabora-se pela capacidade em tratar conceitos, sem a necessidade da verdade e mantendo relação distante desta possibilidade. Por conta disso trás a existência pela atividade intelectual e como produto da mente, atividades racionais ou abstrações da imaginação. Implica em série de operações como análise, comparação, generalização que se refletem através da linguagem via conceitos, juízos e raciocínios.
As ideias acima são determinadas por manifestação mental, intuitiva, sem evidente comprovação bioquímica como tenta a neurociência moderna. Surge daí, cientistas britânicos afirmando que concentrações do Ácido Gama Amino Butírico em certas áreas do cérebro, ajudam a controlar os chamados pensamentos indesejáveis. Pausa para considerar aqui como pensamento indesejável, todo aquele que nos gera algum desconforto levando a instabilidade emocional ou a insegurança. Os chamados pensamentos negativos se relacionam a estados depressivos que desencadeiam sintomas psiquiátricos. Voltando aos britânicos, observaram que o ácido acima mencionado é fundamental a memória e a baixa concentração no hipocampo leva a exitabilidade ou ativação e por conseguinte aos chamados pesamentos indesejados. No frigir dos ovos cientistas pensam que incapacidade em bloquear pensamentos negativos, reflete descontrole cortical e o aumento da atividade deste neurotransmissor, em tese, ajudaria pessoas com doenças mentais a se livrar das obscessões.
Tais abstrações tentam jogar luz sobre uma questão empírica, não comprovada como certeza científica, mas que nos serviria para entender atitudes individuais que livram de sofrimentos de ordem mental. O atalho que todos esperam no sentido de um medicamento mágico trazendo conforto e felicidade, decerto tem grandes chances de ser espera vã. Certamente os que por meio de ações mentais internas enfrentam suas dificuldades e mazelas, em algum momento tem a chance de afastar os pensamentos negativos, incômodos ou inconvenientes e provavelmente aumentar as concentrações de GABA no cérebro, atingindo a liberdade interior e força no seguir a caminhada da vida.

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Quarta revolução

Fala-se com certa dureza em Quarta Revolução Industrial em que aquele que não se digitalizar desaparecerá, radicalismo puro é verdade, mas é o que dizem por aí. A transformação digital, segundo quem sabe, encontra obstáculo nos resultados dos últimos 15 anos, muito positivos por sinal, dificultando o muito conhecido, time que está ganhando deve mexer sim. No centro da questão está quem deveria estar, ou, as pessoas, alvo da transformação digital, influenciando a natureza das relações entre indivíduos e organizações. Nesta realidade surge a mobilidade ofertando possibilidades aos funcionários, aumentando oportunidades de acesso aos mais adequados no enfrentar o desafio em questão, com a ressalva, independente da geografia, ou, a vulgarmente conhecida evasão de cérebros, o famoso caça talentos. Desta forma conseguiriam comunicação, eficiência e aceleração na tomada de decisões. Por fim, há nítida consciência atual que segundo o Foro de Davos de 2016, em 2020, um terço dos poderes atuais deixarão de ser importantes, dando espaço a suaves habilidades como persuasão, colaboração e inteligência emocional.
Nessa de digitalização, abre espaço a Kai-Fu Lee o ex-chefe do Google na China, defendendo que o impacto da tecnologia apresentará quatro ondas de mudança, com uma evidente consequência na destruição de postos de trabalho, especialmente no ambiente do escritório, tido como iminente e irreversível. Diz com quase certeza, que a Inteligência Artificial está a ponto de suplantar milhões de trabalhadores de escritório particularmente na China. Caracterizando como já ocorrendo e gerando verdadeira aniquilação, especificando que o trabalho do chamado colarinho branco é o mais ameaçado. Cita como exemplos de implantação da inteligência artificial de modificação na rotina dos escritórios, o caso da empresa Group Finance Smart que emprega aprendizagem de máquina, visando eleger o solicitante de empréstimo, ou, a Sinovation Ventures que automatiza atendimento ao cliente, treinamento e demais serviços de escritório. Explica que a Inteligência Artificial favorece a criação de vídeos falsos e muito convincentes, com fortes possibilidades de ocupação no espaço consumidor. Por fim, conclui que a tecnologia visando manipular conteúdos parece voltar-se ao início do século XX, assunto atual e bastante discutido no momento.
A realidade indica que ambos os aventos mostrados estão em pleno acontecimento, com forte aceitação pelo fato de serem avanço tecnológico. Quanto a irreversibilidade dos mesmos parece não gerar dúvidas, sendo que a questão está na penetração ou na força da destruição dos empregos envolvidos. Fala-se em UE a duas velocidades, pela dissonância entre a economia de ponta e a economia a que chamaremos de popular, menos informatizada, que não foi substituída e parece viva. Acrescente-se a isso o fato de emprego minguar, como mingua jovem adequadamente preparado para evitar a estagnação da nova economia, ou, evitar uma provável marcha lenta nos avanços propostos. Outro fator é a modificação irreversível da idade média das empresas, por mais que se tente, decerto será muito difícil dar uma face jovem a elas, que em passado recente puxou a onda da implantação da internet. Vale com força, a queixa chinesa de ausência de novidades na ciência para promover um novo alavancar da economia. Parece, não se tem certeza, que estamos diante uma pausa técnica, ou, um mais lento caminhar em busca de um novo ponto de equilíbrio, no intuito de evitar um descontrole em um provável processo autodestrutivo, humano, social e econômico.

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Escolhas

Noam Chomsky eslarece que o programa de reativação econômica de Roosevelt denominado sistema de Breton Woods, baseava-se na regulação do capital cujas moedas eram atreladas ao dólar e este vinculado ao ouro. Quer dizer, bancos e as economias vigentes estavam regulamentados, evitando crises inesperadas, ao passo que a economia americana se baseava na produção ou o centro manufatureiro mundial. Já as entidades financeiras tinham menor impacto na economia que atualmente, com clara função de distribuição de ativos usados como depósitos bancários, gerando assim, atividade de capital. Outro detalhe segundo o autor, era a separação entre bancos comerciais e de investimento com limites de investimentos de risco, preservando os particulares de eventuais danos. Este sistema predominante nos anos cinquenta e sessenta foi desmantelado nos anos setenta, com o incremento do papel das entidades financeiras e pelo deslocamento da produção. Tal fato ocorreu por conta do afrouxamento dos controles sobre as moedas levando a forte especulação, até que em 2008, bancos e grupos financeiros possuíam até 40% dos benefícios empresariais.
Ainda o autor esclarece que por escolhas conscientes vem a reboque da desregulamentação a deslocalização da produção americana e européia conhecida como Offshoring. Tal escolha teve como consequência prevista ou não, o esvaziamento da capacidade produtiva americana por conta da busca de mão de obra barata. De fato a economia tomou novo formato, sem preocupações com normas sanitárias ou de segurança, em condições ambientais precárias, atingiu forte o norte do México, China, Vietnam etc. Tal movimento deu outra face a economia e mostrando-se benéfico as multinacionais, seus executivos, gestores e acionistas. O maior exemplo de deslocalização da economia é a China, uma imensa linha de montagem abastecida pelo Japão, Singapura, Coréia do Sul, EEUU etc. Este processo como um todo apresentou benefícios e distorsões, que ao longo dos anos, as perversidades acabaram provocando enfado nos EEUU e similares.
Por conta das ideias acima colocadas por Chomsky, podemos claramente pensar que as escolhas americanas no pós guerra e posteriormente nos anos 1970, dentro de seus peculiares motivos e ambientes, certamente não visavam fracasso do país e mais, foram tomadas em processo de vantagem econômica. A expansão imaginada, por vários motivos, visava consolidar supremacia econômica e militar dos EUA, grande beneficiário do conflito vivido na Europa. O mundo é mundo escolhas são feitas, não pensaram que o Vietnan ensinaria como exercer o ofício de guerrear na selva, ou mesmo a Somália, Afeganistão, Iraque e Líbia, ensinariam como deve o fator humano ser considerado diante o primor tecnológico, ou, que tecnologia não é tudo; dura lição. Por fim, 2008, realmente uma pedra de tropeço nos planos do nosso amigo gigante do norte. E o mundo continuando a dar suas voltas, faz os americanos concluírem que os resultados não são tão positivos como imaginados e que iam precisar uma correção de rota, uma volta ao Sonho Americano e quem sabe, agora sim, conseguir a almejada supremacia econômico militar. Escolhas foram feitas, decisões tomadas, riscos assumidos, inclusive o de deixar espaços vazios em consequência e meticulosidamente ocupados, calma e lentamente, por russos, chineses e europeus. Enquanto isso, parece escolha latino americana, avança firme o tradicional esquerda/direita e se for possível, com meia volta.

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Deserto e migração

A Convenção das Nações Unidas de Combate a Desertificação (UNCCD), criada na Cúpula da Terra em 1992 e estabelecida em 1994, informa que desertificação, modificações climáticas e perda da biodiversidade são os maiores obstáculos ao desenvolvimento sustentável. Impulsionar esforços, restaurar a produtividade do solo, mitigar os efeitos da seca são os pilares da UNCCD envolvendo ecossistemas onde vivem 2 bilhões de pessoas. O seu foco está na degradação ambiental gerando instabilidade política, insegurança alimentar e pobreza, que culmina com o êxodo em massa. O sucesso nos objetivos se insere no termo resiliência na qual se enfrentam desafios via práticas sustentáveis. O êxodo em massa é prioridade por conta do sentimento de abandono nas comunidades rurais, falta de perspectiva, pobreza e insegurança de todos os aspectos, o pessoal por conta da disseminação da violência, ou, alimentar, notado pelo vácuo de ocupação do espaço pelo poder público. Em 2010 foram 220 milhões de migrantes saltando para 245 milhões em 2015.
A Desertificação consiste na degradação da terra nas áreas úmidas e áridas, consequente a atividade humana ou variações do clima. A questão se atém a agricultura onde 2,6 bilhões de pessoas dependem desta atividade, em que mais da metade das terras aráveis do mundo encontram-se em processo de degradação. Para se ter ideia, a desertificação das terras secas atinge 3,6 bilhões de hectares ou 23 hectares/minuto ou 12 milhões de hectares/ano. Caso o problema contido e esta terra produzindo, haveria um acréscimo de 20 toneladas/ano de grãos, liberando do infortúnio 1,5 bilhão de pessoas em mais de 100 países. Aceitemos que a desertificação ocasiona forte crise econômica, afeta o desenvolvimento ao custo de 490 bilhões de dólares/ano, ao passo que a gestão sustentável da terra geraria 1,4 trilhão de dólares em benefícios, dito pela UNCCD. Por fim, a FAO do Graziano, avisa que só na África dois terços das terras aráveis se perderão caso não seja contido o processo de desertificação a que está submetida.
Pelo aumento da demanda de alimentos em 50% até 2030, aumentou a demanda por terras com consequente desmatamento e degradação. Por conta disso, urge restauração e produtividade não simplista por aumento do volume de fertilizantes e agrotóxicos, mas na ordenação da terra, incentivo a agricultura familiar fortalecendo a classe média agrícola, criando empregos, dando esperança de vida aos locais; isto é que é segurança nacional e sustentabilidade. Deve ser lembrado aqui o exemplo de Burkina Faso, com projetos de recuperação de terras desde os anos 1980, usando técnicas tradicionais e adaptando modernas, visando regeneração natural e gerida pelos agricultores locais. Pelo exemplo acima, a UNCCD incentiva e assessora países como Chile, China, Itália e México na recuperação e promoção do uso sustentável da terra, das florestas, combatendo a desertificação e revertendo a degradação ao lado da perda da biodiversidade. A nós resta entender que só o agronegócio com mentalidade empresarial exportadora não é mais que a agricultura familiar, motor brasileiro, que não é menos empreendedora e apresenta melhores chances de promover ações mitigadoras e de resilíência, também entre nós, urgente. Como definem, a terra é finita, não podemos criar novas, podemos recuperar as degradadas. Ainda bem.

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Nature

Edgardo Latrubesse, pesquisador da Universidade do Texas, especialista em geomorfologia, ramo da geografia que estuda as formas da superfície, em suma, relevo, paisagens e seus aspectos. Estudou o Amazonas, suas inundações sazonais e o deslocamento dos sedimentos que terminam desaguando no Atlântico, publicando os resultados na revista Nature. Sobre os sedimentos, avisa que seu transporte através dos rios geram vida, quer dizer, a lama que conhecemos produz vida e ecossistema sendo parte integrante do rio, formado por pedaços de várzea ou ilhas por ação da erosão. Isto ajuda na região dos trópicos a manter gama imensa de ambientes que se regeneram ciclicamente, contribuindo a criação e manutenção da biodiversidade. Pelos sedimentos, avisa que grandes barragens fazem sua retenção alterando o processo regenerativo, ao lado da queda da velocidade e fluxo fluvial observado nas hoje existentes. O Yangtzê com Três Gargantas, retém mais de 75% dos sedimentos em processo cumulativo, já que apresenta afluentes. O rio Paraná a retenção vista é de 100%, quer dizer, a variação de retenção dos sedimentos está entre 70/90% e nas hidrelétricas amazônicas, informa, não deverá ser diferente.
Talvez o caso mais antigo de grandes barragens é o da represa de Assuã no Egito, que por condições climáticas peculiares, quente e seco, serve de exemplo pelos impactos sociais, ambientais e econômicos produzidos. Lá a erosão a modificação do fluxo fluvial e o vento, removendo solo e rochas, impactam principalmente na foz. Na região do delta do Nilo, vilas desaparecem e a linha da costa recua até 50 metros/ano. Antes da barragem que trouxe o controle das cheias e irrigação, o Nilo liberava no Mediterrâneo 20 milhões/toneladas de sedimentos que em consequência, formaram dois grandes deltas se estendendo 50 kms no mar. Por conta da retenção do sedimento na represa, foram construídas estruturas na linha da costa visando limitar sua retração, o que não impediu que continuasse profundamente, aumentando o impacto das ondas por intensidade crescente. Além desta questão da foz, 11% da água do lago da barragem se perde por evaporação, o empobrecimento da água em nutrientes barragem abaixo, obrigou o uso de fertilizantes em quantidades crescentes. A escassez de areia rio abaixo, determinou que a atividade de olaria buscasse nos campos agrícolas sua matéria prima ao exercício da atividade pujante na região. O fluxo fluvial mais lento, ocasionou crescimento de fitoplâncton obrigando o tratamento da água para consumo humano por danos à saúde. Por fim, voltando a foz, com menos água, o sal Mediterrâneo avança rio a dentro, tornando o solo e as águas subterrâneas salobras, ocasionando potabilidade inadequada ou impropriedade ao consumo e irrigação.
Evidente que não se deve comparar de forma simplista o Nilo ao Amazonas, pois as diferenças começam pelo clima, no vale do Nilo quente e seco e seu entorno semi deserto. Mas podemos observar que as represas no Egito e Etiópia permitiram irrigar áreas imensas. Podemos perfeitamente tirar lições e compará-las a região do Tigre e Eufrates de clima semelhante, ou, no vale do rio Jordão. Nestas regiões, a medida que o tempo avança, a potabilidade da água piora por conta da salinidade e da proliferação de algas pelo agravamento das condições ambientais. Quanto ao Amazonas, deveria ser comparado com florestas da Colômbia e Vietnam, onde grandes quantidades do agente laranja foram usadas. Talvez melhor rigor no exame de impacto em Belo Monte daria visão abrangente a sua existência e benefícios, não só eletricidade, mas reais modificações na vida do homem amazônico que certamente sobreviverá ao efeito estufa.

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Amazônia

A bacia amazônica cobre uma área de 6,1 milhões de km² com nascente do rio principal nos Andes e percorre mais de 2 mil kms até o Atlântico, um estuário com mais de 300 kms de largura. Em 2014 abrangente estudo de engenheiros, economistas e geólogos de universidades americanas, briânicas e brasileiras, avaliaram o ambiente relacionado a projetos de novas hidrelétricas planejadas pelo governo brasileiro. Há operando por lá cerca de 140 barragens prontas, ou, em construção, com planos de construir mais 428. Os estudiosos avaliam que o impacto na região seria desastroso se todas as usinas planejadas fossem construídas. Tal conclusão se quer foi considerada por planejadores, sendo a mais interessante, falar que 60% dos sedimentos que correm pelos rios e compõe o ecossistema marinho, ficariam retidos modificando toda cadeia de vida, além de alterar o fluxo de correnteza, sufocando parte da vida nativa em seu destino ao mar.
Este grupo universitário e polivalente, avaliou que 95% do desmatamento na região ocorre dentro de 5,5 kms de estradas. Quer dizer, o caminho legal criado, facilitou o surgimento de mais de 190 mil kms irregulares ou ilegais. São as estradas o fator mais forte no desmatamento e consequente perda de floresta, se espalhando inicialmente pela via principal, posteriormente pelas secundárias e terciárias ilegais. As estradas por suas vez, buscam o extrativismo mineral regular ou irregular, constituindo base do clientelismo político. Além do que, concluiu-se que 10% do desmatamento se relaciona a mineração e as estradas, como teia, se comunicam por aberturas ilegais e improvisadas com máquinas emprestadas, muitas vezes governamentais. Em conclusão, há três kilômetros ilegais por km de estrada legal aberta na floresta.
Talvez a maior verdade sobre a Amazônia, seja que pouco ou nada sabemos sobre ela. Até aqui foi trabalhada no imediato, desmatar para vender madeira, queimar para formar pasto, criar gado ou plantar soja. Depois, construir represas para eletrificação, sem a preocupaçao com impactos ou custo benefício, ignorando se o resultado final seja prejuízo pelo desconhecimento a que submeteram. Muita coisa se falou e fez a respeito da região, desmatar para atrair capital estrangeiro tornando-a o celeiro alimentar do mundo, vide japoneses. Os chineses com seu mega projeto consumidor de energia, reservam a ela a parte extrativista; daí a forte pressão em liberar áreas mineradoras. A intervenção sem critérios, desmata, queima, visando gado ou monoculturas que nem sempre se concretizam e abandonadas em prol de outras. Lembrar que projetos extrativistas ilegais muitas vezes não retornam o esperado, são deixados de lado ficando a floresta degradada por má informação ou amadorismo. Políticas de intervenção adequada, preservando, combatendo a degradação desenfreada e o uso irresponsável do ambiente, desenvolvendo benefícios ao homem amazônico deveria ser o esperado. O contrário, nos levará ao desastre que o futuro receberá a conta.

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Infraestrutura

Em artigo publicado na revista Ciência, a economista costa riquenha Irene Bourgeois reflexiona sobre o ciclo de grandes empreendimentos nos países emergentes, especialmente estradas, em um mundo projetado para em 2030 circular 2 bilhões de veículos movidos a energia fóssil. Relata que em três anos a China e Índia dobrarão sua malha rodoviária, em 30 anos serão criadas 25 milhões de kms de novas estradas, circundando a terra 600 vezes. O detalhe disto é que a maior parte desta kilometragem se desenvolve em regiões tropicais, na prática, indica enorme volume de asfalto espalhado nos vários ecossistemas. Já o prof. James Cook da Universidade Willian Laurence da Austrália, nos diz que tais números ignoram estradas não pavimentadas, aquelas que não constam nos mapas ou as ilegais. Avisa que o ciclo não considera adequadamente consequências ambientais, econômicas e sociais. O caso da África é interessante pois países que melhoram a infraestrutura, otimizam em paralelo a atividade de caçadores, exemplo disso, o Zibabwe de Mugabe. Na África equatorial, estão projetados 33 corredores de desenvolvimento num total de 53 mil kms.
A questão está na importância dada aos impactos que tais modificações provocam. O Banco Mundial fala que 30% do financiamento, podendo chegar a 60%, em estradas nos países emergentes se perde nos Cartéis e Corrupção. O detalhe é que um dos principais fatores determinantes das rotas e implantação dos projetos de infraestrutura é o clientelismo político, corrupção ou reinvindicações nacionais de fontreiras ocupando áreas em disputa. Quanto ao custo benefício, subestimam inflação, despesa da dívida, questões ambientais e sociais ou custos de viabilidade do projeto. Riscos sociais, especulação da terra, corrupção, gastos excessivos são negligenciadas e sua prevenção vista como inimigo a ser batido. Em 2017 a China lançou projetos de grandes redes de transporte rodoviário, ferroviário, portos e energia, ligando o país a Europa, Ásia-Pacífico e África, gastando cerca de dois terços dos recursos energéticos do mundo. O detalhe da China é que para a América Latina reservam investimentos em infraestrutura e indústria extrativista, ficando a tecnologia de ponta com o primeiro mundo.
Evidente que não se está contra o desenvolvimento pelo fato de inserções infraestruturais sempre causarem impactos ambientais. A questão está em melhor compreender tais impactos no planeta, nas sociedades e nas economias em geral. Óbvio que passa por um planejamento mais eficaz, garantindo os benefícios na superação de custos. Os agentes governamentais olham as obras, particularmente estradas, como um meio de acelerar o crescimento e integração. A questão fundamental é se realmente trazem o benefício esperado, se realmente ligam populações rurais aos mercados urbanos visando ganho de preços nas colheitas, melhorando tecnologias agrícolas e consequente qualidade do produto no mercado. Visões diversas entre os que defendem projetos de infraestrutura como solução econômica e os que defendem uma melhor análise dos impactos, não parece questão simplista. Reconheçamos que custos financeiros, sociais e ambientais precisam de melhor análise e entendimento nos projetos, talvez dando nova visão ao conceito de desenvolvimento.

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