Apodi

Em 2011 o governo federal aprovou o grande projeto de irrigação de Santa Cruz do Apodi visando estabelecer centro exportador fruticultor irrigado pelo reservatório de Santa Cruz, interrompido em 2014. Construído em 2002 diminuiu a jusante do rio, ou, águas rio abaixo, e com a grande seca atual de cinco anos, mantém viva a agricultura do município de Apodi no semi árido nordestino. Uma estação para bombeamento do reservatório às propriedades rurais, visava irrigar 9000 hectares de área no estado do Rio Grande do Norte. Especialistas alertaram que caso usasse o reservatório de Santa Cruz, o segundo maior do estado, por gravidade, poderia atender milhares de agricultores familiares do vale. Hoje, agricultores lá remanescentes, cavam um poço de 30 metros e uma bomba d’água, irrigam a lavoura familiar de mamão, batata doce, bananas e as vende na feira agrícola do município, afrontando cinco anos de estiagem; repetindo, remanescentes.
Já sabemos que agricultura representa um quinto das emissões de gases do efeito estufa, quer dizer, produção de alimentos. A FAO nos avisa o que já sabemos, que os eventos extremos são evidentes no Nordeste brasileiro. Graziano fala que alterações climáticas já impactam com força a segurança alimentar e a questão à afrontar é a forma de se adaptar à evidentes mudanças. Aqui, pequenos agricultores ou de subsistência ou os mais vulneráveis ao fenômeno. Concluindo, José Graziano alerta que está em risco o fornecimento de alimentos pela redução da produtividade e por consequência seu acesso pelas populações urbanas e rurais.
Pode até ser questionável construir no semi árido nordestino uma barragem visando formar um lago e irrigar terras ribeirinhas para afrontar a forte seca regional. O prejuízo da população rio abaixo é visível pela queda da vazão. Para o entorno com vistas a agricultura familiar irrigada, poderá com segurança produzir para a população urbana próxima, alimentada no período de estiagem prolongada. Em Apodi, remanescentes agricultores familiares com suas bombas hidráulicas irrigam suas propriedades, viabilizando a colocação dos produtos no mercado local. Um projeto de represamento hídrico no sertão semi árido, buscando implantar monocultura frutífera irrigada para exportação, nos leva a entender porque existe e sempre existirá, por conta desta mentalidade, o retirante da seca ou imigrante.

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Comportamento

A ideia de cognitivo se relaciona ao processo de aquisição do conhecimento, ou, o poder do conhecimento. Nela estão envolvidos diversos fatores do pensamento como a linguagem, memória ou raciocínio, compondo o desenvolvimento individual, que se responsabilizam pelo planejamento e execução de tarefas. Piaget entendia atividade intelectual se ligando ao funcionamento do organismo e desenvolvimento de cada um. Por sua vez, não está fora de contexto afirmar que as capacidades cognitivas se inserem na lei da oferta e procura, já que a resolução das questões acontecem a todo minuto. Quer dizer, por recursos cognitivos, o indivíduo analisa, lança suas estratégias prevendo consequências de decisões tomadas.
Pesquisa desenvolvida em Ontário no Canadá e publicada na revista Lancet, nos mostra os efeitos devastadores do tráfego pesado das megacidades sobre a saúde do indivíduo. O CO2 liberado nos escapamentos automotivos seria o maior responsável à propensão humana ao desenvolvimento da demência. Ficando os que vivem mais próximos das grandes avenidas com mais riscos, por conta da maior exposição, melhor vista nos engarrafamentos. Do latim diminuição da mente, a demência significa ampla redução das capacidades cognitivas provocando perda da autonomia individual. Com queda na memória, desatenção na capacidade de resolução de problemas e baixa resposta aos estímulos, acaba por interagir com surtos psicóticos depressivos ou delirantes. O número de demências tem aumento exponencial com a idade, variando de 1,1% aos 70 anos para 65% aos 100 anos. Como exemplo, São Paulo possuía em 1998 população de 7,1% acima de 65 anos, hoje está em torno de 21,9%. Em 2025 seremos o 6º país do mundo com mais idosos sendo a maioria da população nas cidades.
O pai do comportamentalismo John Watson, avisava que a psicologia era um ramo experimental das ciências naturais visando prever e controlar o comportamento. Defensor da importância do meio ambiente na determinação comportamental humana, acreditava que a aprendizagem resultava dos hábitos, ignorando fatores genéticos. Voltaire pensava que a ordem psicológica mostra anomalias, apresentando à todo momento seus paradoxos. Isto é dito para alertar o quanto o comportamento está sujeito à ações degenerativas desenvolvidas ao longo da vida e por diversas influências. Para concluir e pensar, a estimativa de doentes com Alzheimer em 2010 era de 35,6 milhões de pessoas no mundo, devendo subir para 65,7 milhões em 2030 e 115,4 milhões em 2050.

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Um dia

A história ensina que o alvorecer da liberdade política no Brasil inicia com a saída de um féretro, não do passado de restrição política, mas do futuro acabrunhado por liberdade claudicante. Nas mãos de um vice desconfiado, o sinal que começávamos a vivenciar novos tempos. Vale olhar a presença do grande ponto final, ou melhor, o sabor de um fim de história. Seguramente, a política do nordeste, nos presenteou Teotônio e Portela mas também Collor, Renan e PC Farias. A abertura, generosa com quem se dispôs à luta pela nascente democracia, não pediu atestado de honestidade ou boas intenções. Nesta toada, surgiram muitos dos atores do que hoje vivenciamos. Pouco à vontade, Sarney nos transforma em seus fiscais visando dominar a inflação descontrolada, utlizou o tão bem conhecido por aqui, ou, retirar o sofá da sala, mudando o dinheiro e fechando supermercados; o resultado foi calote geral. Com ele, chega a Constituinte onde políticos conheciam perfeitamente seu eleitorado e o eleitorado seus políticos. Concluiu com limitação de juro à 12%, Ministério Público investigativo, mandato único sem reeleição para combater um dos nossos maiores defeitos além da arbitrariedade, ou, a corrupção.
Com a eleição, a elite nordestina torna-se poder, via empresário de sucesso, domador de marajás, atleta, o necessário à nossa redenção. Infelizmente veio com a velha política, sem a qual nenhum regime de exceção sobrevive, que não tardou arrumar um alter ego assaltando tudo e a todos, ao lado de um racha com o vice antes mesmo de eleito. Por fim, colocou todos os ovos na mesma cesta combatendo à inflação, confiscou a poupança da classe média deixando os mais ricos escapar; caiu, em nome da ética liderada pela esperança da classe operária, o PT. Seu vice e o plano real, domam a inflação, errando no entorno ao esperar devolução de um poder adquirido. A reeleição do sucessor, institucionaliza a compra do voto parlamentar e enterra uma necessária reforma do estado para completar o trabalho iniciado. Pouco se fala nisso, estamos na situação em que estamos, por conta do estabelecimento da reeleição, expondo o que estava escondido. Se a queda de Collor foi um golpe, por que não um golpe em Itamar? Afinal, chumbo trocado não dói. Oportunidade perdida com o cpmf, a taxa Tobin dos europeus. Financiar saúde, cuja luta entre a medicina privada e universal foi vencida pela primeira. O seu encarecimento pela sofisticação tecnológica, decerto demandaria ao longo do tempo, já descontando a roubalheira, ajustes por insuficiência de fundos. Medicina básica é barata e com limites de alcance, pois chega um momento que encarece. A deturpação do princípio do cpmf, que era didático, ajudando identificar a fuga de capitais e lavagem de dinheiro, também é fator de sua queda.
Lula com a classe operária no paraíso viu alvorecer sua hora, mudou de lado e passou o bastão ao empreiteiro chefe, contentando em fazer a festa dos incautos na politica do arroz e feijão, que dispensa leitura de documentos ou mesmo projetos, tudo se resolvendo com uma assinatura e rápida conversa. A chegada da reeleição mostra o líder atolado no mensalão e a permanência eterna vira coisa do passado. Dilma e o seu vice ensinam que rejeição deve ser digerida com busca de novos portos. Dilma não era PT, era PDT, teve vida difícil na Petrobras e dizem que foi enganada pelo Cerveró. Os empresários talvez preferissem o PSDB mas é o que tinham e foi nessa que embarcaram. Seu erro foi não ter dado fim à relação com Brasília antes da reeleição, não te queriam mesmo. No seu governo, com todos os pecados, veio a afirmação do judiciário, até então, mero coadjuvante entre poderes. Pode ser que sua queda tenha sido pela questão financeira, mas caiu mesmo pela forte rejeição pessoal. O que vale é buscar a consolidação democrática e da política como um todo.

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Desperdício

O instituto Potsdam para estudo do impacto climático nos informa através de artigo publicado na revista Scientific American, que 20% dos alimentos produzidos no mundo vão para o lixo. A pesquisa, compilou dados de169 países onde vivem 98% da população mundial. Por conta, concluíram que a quantidade média de comida desperdiçada por pessoa passou de 310 calorias em 1965 para 510 em 2010, com projeção de 850 em 2050. Alerta o Departamento do Reino Unido para Desenvolvimento Internacional, que lá, a crise alimentar ameaça 56 milhões de pessoas. Em suma, a pesquisa refletiu a diferença entre a quantidade de alimentos produzidos por determinado país para seu consumo mais exportação e a quantidade de energia que necessita. Prajal Pradhan co autor da pesquisa, nos avisa que os resultados obtidos são subjetivos, pois alguns comem além do que precisam e as sobras também podem ser dadas como alimento ao gado. Apesar do estudo incorporar dados como peso corporal flutuante, que deve ser compensado, é possível superestimativa nos resultados. Fato é que o desperdício é muito grave. Daí concluir que, se contido, a população alimentada em 2050, sem aumento da produtividade agrícola, é de 9 bilhões de pessoas. Hoje só a Europa, caso contivesse o desperdício, tiraria da fome 200 milhões de pessoas.
No caso da América Latina e Caribe o desperdício vai à casa dos 127 milhões de toneladas, numa região considerada pelos níveis de pobreza. Caso esta quantidade fosse utilizada, 300 milhões de pessoas estariam livres da fome ou mais de um terço dos que padecem deste flagelo. A FAO do José Graciano, avisa que na América Latina o reaproveitamento ou cuidado no desperdício, livraria dois terços da população que padece do flagelo. Ainda a FAO informa que 25% dos cereais, ao lado de 40% dos tubérculos, mais 55% das frutas e legumes, além de 20% do leite, mais 33% dos peixes e frutos do mar são perdidos; compreende sr ministro da agricultura? A solução tem vindo dos bancos de alimentos na economia colaborativa, parceiros de empresas no reaproveitamento. Necessário se faz muito mais escala para realmente impactar no problema fundamental, ou, a redução da fome. Aqui no Brasil são descartados 41000 toneladas por dia, na Argentina 1,3 bilhão de toneladas/ano ou um terço da necessidade da população total. Algumas iniciativas legislativas adotadas em alguns países, como o Peru que limita em 10% o máximo de dedução no imposto de renda à doação de alimentos. No Uruguai discute-se projeto de redução de resíduos em supermercados similar à leis da França ou Itália. Por fim, na França os supermercados são proibidos de exportar caso descartem alimentos.
Imaginemos um exame de fotografias individuais ou coletivas da década de sessenta, setenta e atual. Além da qualidade diferente, principalmente na tonalidade cinza, observamos como principal característica pessoas bem mais magras. Vimos que de lá para cá, pela evolução tecnológica, o dinheiro circulou mais, as pessoas passaram a se locomover mais, tudo devidamente regado à farta comida e bebida. O consumo foi estimulado por conta da evolução da propaganda e mudou definitivamente costumes alimentares, tanto pela oferta ou aumento das opções por conta da industrialização. Alimentar, deixou de ser necessidade básica isolada para se acoplar ao prazer e consumo resultando em obesidade epidêmica. Daí, necessitamos olhar com novos olhos a questão da alimentação, nutrição e suas relações com o consumo.

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Incerteza e risco

A 2 kms da costa de Ibiza encontramos Es Vedra, em frente a Cala d’Hort com uma altura de 382m e 60 hectares. O que chama a atenção é o mistério que envolve a ilha ao lado de suas lendas. Uma dessas, nos remete à milhares de anos quando foi separada de Ibiza, reza, que o fez de bom grado assumindo o papel de guardiã cobrindo-se de misteriosa energia, protegendo a todos que lá iam seus males curar. Fala-se no gigante Es Vedra, que enfrentou dois irmãos que foram buscar a cura. Desta peleja e com a ajuda de ouriços do mar, o gigante fugiu à seu covil numa das cavernas da ilha. Outra lenda remete ao seculo XIX em que a senhora Es Vedra, transformou a aparência do padre Francisco Lleida em uma menina vestida de branco. Exilado em IBiza, assumiu vida eremita até sua transformação. Em consequência, espalharam que pessoas que lá iam acabavam por sentir seus poderes místicos. Com o disseminar dos relatos, surgem histórias de pescadores e investigadores de eventos inexplicáveis que supunham ocorrer perto da ilha. Chegaram a dizer que próximo a ela, haveria uma base de UFOs e que suas energias místicas seriam explicadas pelos ETs recarregando suas naves.
Nesta toada de Es Vedra vem à tona a ideia de incerteza e risco. Se enxergarmos incerteza como situação que não prevemos o resultado, ou, efeito inserido num grau de imprecisão das medidas físicas, ou, o desconhecido. Talvez um dos melhores conceitos, seja a visão matemática, dada por Frank Knight buscando diferenciar risco e incerteza em sua obra Risco, Incerteza e Lucro de 1921. Avisa que risco é a incerteza mensurável ou falsa e que estaria afeto à probabilidades. Ainda sob o ponto de vista matemático, avalia-se que o risco está em uma situação cujas possibilidades são conhecidas. Quanto a incerteza, refere ao desconhecimento dessas possibilidades ou situação em que o futuro não pode ser e nem é algo conhecido. Quer dizer, inseridos na matemática, eventos considerados incertos ou inesperados ou sob risco, talvez nos aloque no cotidiano de forma mais abrangente.
Ao lado da incerteza e risco, surge o comportamento humano em que indivíduos reagem da mesma forma mesmo sem direção orientada, com o nome de comportamento em manada. Lacan chama etológico ao conjunto de comportamentos individuais relacionados ao meio natural. Darwin ensina que cada espécie apresenta seu próprio comportamento particular seguindo determinados padrões e peculiaridades anatômicas. Desta feita, a psicologia mostra que comportamentos são ambientais compensatórios e ectópicos. Nesta premissa, interpretamos que comportamentos lendas histórias incertezas ou riscos, se inserem na vida humana com a naturalidade da realidade que se vive.

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Limites do pensamento

A Bioquântica, refere-se a quantidades biológicas ou energias contidas em átomos dos seres vivos que emitem energia molecular, atômica e sub atômica. Ainda que parcialmente empírica, a ciência quântica vai aos poucos ocupando espaços até então absolutos da ciência binária. Por exemplo, a visão apresenta detectores óticos de alta sensibilidade, que supera qualquer dispositivo artificial. A retina com suas células fotoreceptoras detecta diferentes espectros luminosos, que só podem ser mensurados pelas propriedades quânticas da luz e inexistentes na visão binária. Em suma, as fotocélulas interpretam as propriedades luminosas, que presentes nos sistemas biológicos, são detectadas pela natureza quântica da luz, na prática, permitirá a criação de dispositivos óticos menos complexos. A constatação do funcionamento binário neuronal, mostra alcance limitado nas possibilidades do cérebro. Por conta, abre lacuna entre a evidência e a atividade binária que passa a ser ocupada pelo limite quântico do pensar. Em vista disso, técnicas de neuroimagem demonstram funcionamento cerebral como um todo orgânico, em detrimento ao acúmulo de processos locais. Resumindo diremos que a experiência consciente passa pela visão quântica na busca da unidade e coerência. A energia solar parece se processar nas plantas e animais, inserida no modelo quântico. Daí, aves migratórias encontrarem neste conceito sua orientação norte/sul a partir de microcristais magnéticos.
Foram divergências relacionados aos fenômenos naturais entre os resultados dos experimentos e teorias propostas, sob o ponto de vista clássico ou binário, que deram espaço ao avanço da visão quântica até então limitada a física quântica. Nas evidências estranhas conseguidas dos fenômenos quânticos se insere o ontológico ou ‘ente’ relacionado a ciência do ser, que nada mais é do que a parte da metafísica que trata da natureza ou realidade dos entes, compreendido aqui, como aquilo cuja existência depende da crença de alguém, concreta ou suposta. O alargamento da evidência quântica decorre ao fato que seu princípio microscópico, têm potencial em gerar o mundo da realidade macroscópica inserido nas propriedades clássicas ou binárias, além do sucesso na previsão de resultados experimentais. Foi o cientista Roger Penrose um dos que utilizaram as relações entre a matemática e os processos físicos não computacionais e a mente humana. Utilizou princípios quânticos de superposição dos estados, inserção de velocidade e posição como elementos não constituintes da realidade, que emergem da indefinição quântica ao lado da rapidez e facilidade da dissolução da coerência quântica na realidade macroscópica.
Buscando compreender as turbulentas águas entre o universo quântico microscópico e a realidade binária macroscópica, podemos expandir o pensamento à realidade dos fatos ou macroscópica dual. Colocaremos como divisor de águas da realidade binária o advento da revolução industrial e em consequência o marxismo. A partir da materialização da computação, a realidade binária se preserva deixando lacunas que permitem o avanço da visão quântica do pensamento na sociedade humana. Tal avanço, visto na biologia e física newtoniana, evoluíu para a compreensão quântica em seus conceitos no micro universo. Nesta premissa, o pensamento binário passa pela complexidade da sociedade, dar espaço ao pensar mais elaborado, não binário, onde se utilizam conceitos quânticos. A compreensão dos princípios do micro universo biológico e sua inserção na realidade macroscópica, permitirá livrar-nos das amarras que escravizam o pensamento humano moderno e suas ações no mundo. Na prática, política do um/dois, toma lá dá cá, dia/noite, esquerda/direita, precisam se repensar.

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