Pobreza em questão

agosto 22, 2016

Na 20ª edição do relatório de desenvolvimento humano (RDH), o PNUD junto ao The Oxford Poverty and Human Development Initiative (OPHI), lançou o IPM ou Índice de Pobreza Multidimensional substituindo o IPH de 1997. O foco é a canalização de recursos visando um desenvolvimento mais eficaz, retratando de forma mais ampla pessoas em dificuldade. Priorizando conjunturas de pobreza e privação tais como acesso à saúde nutrição e habitação, carências do hemisfério sul, maiores entraves, à nível estatal, ao desenvolvimento. Nosso IPM é 0,039, o mesmo da Turquia, acima da Colômbia (0,041), Suriname (0,044), República Dominicana (0,048) e abaixo da Estônia (0,026), Egito (0,026) e Belize (0,024); lembramos que quanto maior o IPM maior a pobreza multidimensional.
A Dra Sabine Alkire de Oxford, uma das desenvolvedoras do IPM nos diz que as várias carências observadas não aparecem nas medições monetárias tradicionais. Como exemplo, o caso do Butão na cidade de Gasa em que não existe pobreza por falta de entrada monetária, seus habitantes possuem dinheiro mas não tem luz, estradas, hospitais ou escolas secundárias; aqui, a questão. Para substituir o PIB, desenvolveram na década de setenta o conceito de felicidade Interna bruta (FIB). Trata-se de princípio que busca avaliar o desenvolvimento espiritual e material reforçando um ao outro pela complementaridade. Visa o desenvolvimento sócio econômico, preservação de valores culturais, estimulo ao meio ambiente e a boa governança.
Fato maior que atormenta o desenvolvimento Humano, talvez seja a cilada a que estão submetidas economias ricas e pobres no eterno acumular e crescimento econômico, como indispensáveis à sobrevivência de um estado. Confundir o desenvolvimento humano com desenvolvimento econômico baseado no PIB, decerto é o maior fator de instabilidade e incerteza a que estamos todos inseridos. Necessário sempre se faz, salientar que, apesar de mais objetivos e melhores avaliadores da pobreza como um todo, há que se considerar que tais índices não devem mascarar a falta de efetividade oficial no combate à desigualdade.

A parte do consumidor

agosto 15, 2016

Análise publicada no Journal of Industrial Ecology, avisa que os consumidores são responsabilizados por 60% das emissões de gases estufa e 80% do uso na água mundial. Inserido em projeto financiado pela UE visando promover vida mais saudável e consumo responsável de energia, a pesquisa foi liderada por Diana Ivanova da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU). Utilizando extensa base de dados da NTNU denominada EXIOBASE teve a colaboração de holandeses, austríacos, alemães, tchecos e dinamarqueses. Basicamente analisou-se o impacto ambiental na perspectiva consumidora de 43 países com 89% do PIB mundial e 90% do comércio. Os grandes vilões são os países ricos, impactando 5,5 vezes mais que a média mundial. Por fim, 13% dos gastos dos lares europeus são de produtos manufaturados. Se imediatamente tais gastos fossem direcionados aos serviços, reduziriam 12% a pegada de carbono (gasto diário).
Do ponto de vista consumidor, concluiu-se que países ricos são responsáveis por 20% de todos os impactos de carbono via setores industrial ou agrícola. Por sua vez, deste percentual 4/5 são considerados impactos indiretos como produção de bens e produtos oferecidos ao consumidor. Do ponto de vista da água, ela aparece à nível global em tudo o que compramos. Como ilustração diremos que a carne de vaca necessita até 15.400 litros para a produção de um quilo de carne e o leite 1050 litros água/litro, enquanto o leite de soja necessita 297 litros/litro. O chocolate pede 17 litros de água/quilo do mesmo. Já alimentos processados como pizza, solicitam por exemplo, além de água energia e outras matérias primas.
A moral da história de nossos pesquisadores é identificar efeitos nas decisões dos consumidores e reduzir os impactos produzidos. Nos lares do norte controlando o consumo de gasolina e água, e se possível, mudarem hábitos alimentares à base de carne bovina, adequando o consumo, é o início do caminho da sustentabilidade; no sul a coisa complica. Como vemos, na questão climática, a responsabilidade do consumidor é crucial em relação a produção, pois na ótica do mercado, enquanto houver comprador haverá produtor. Pela lógica do consumidor, imaginamos que na história humana a questão do costume, bastante discutida atualmente, seus preconceitos e mudanças, por conta do aquecimento, até aqui, só tem impactado na sociedade pelas gerações seguintes, como o caso tabaco no mundo. Enquanto isso a terra geme.

Existência e realidade

agosto 8, 2016

Constata-se que inicialmente notáveis avanços científicos obtidos pelo ser humano, constituiram-se na maioria dos casos, em atividade paralela, e não, como forma profissional de ganhar a vida. Aleksander Borodin, professor de química, era músico autor da ópera ‘Príncipe Igor’, Fermat, advogado por profissão era matemático amador, Newton, foi político e diretor da Casa da Moeda e o músico John Cage, especialista em fungos; alguns exemplos. No relacionamento pessoal com o universo, visavam desenvolver meios em grafar com símbolos suas interações, via física, matemática, notas musicais e etc.
Uma destas formas, o algorítimo, consistindo de uma série de operações ordenadas visando realizar determinado cálculo, ou, conjunto ordenado de instruções buscando determinada solução. Foi o matemático medieval Al-Khwarizmi do Usbequistão, que vivendo em Bagdá, criou sua Casa de Sabedoria. Considerado o pai da álgebra, foi o introdutor do nosso sistema de numeração. Nos dias de hoje, algorítimos se asociam à computação, dando passos à frente na criação de modelos experimentais em vários estudos, principalmente climáticos, desde de diagramas de fluxo até a linguagem de programação.
Talvez uma das maiores observações da natureza esteja na física moderna de Newton, expressa em suas conhecidas equações. O carácter descritivo da física clássica visa levantar o véu das aparências, em suma, descobrir e explicar a realidade oculta. Como evolução natural do pensamento universal, surge a física quântica, se diferenciando da clássica em seu aspecto descritivo. Tal condição quântica chamada preditiva, é a habilidade em gerar previsões testáveis pelas observações em questão. A descrição da física clássica, na física quântica é tomada por axiomas que buscam a ação e os resultados que daí surgirão. Esta proposta se exprime pelas equações quânticas, muitas vezes invisíveis na aparência. Decorrente tal inovação, a própria física quântica evolui em direção à existência ou ao chamado ‘realismo ontológico’, que estuda a natureza do ser nos espaços da realidade. Em conclusão, dirige-se à realidade efetiva ou mundana exterior, desaparecendo a noção de vários ‘eus’ nos espaços separados em si. É isso.

O fundo das coisas

agosto 1, 2016

Investigação da Universidade de Cincinnati nos EEUU, indica que a organização da estrutura em nosso entorno influi nas tomadas de decisões. Segundo eles, entornos mais aleatórios ou anárquicos poderiam nos levar a tomada de decisões sem análise acurada ou menos reflexiva. Tais ambientes, evidentes em áreas mais carentes, tendem a nos conduzir à ideia que resultados piores ou melhores são produzidos de forma desorganizada ou ao azar. Levam a uma menor reflexão no momento de tomada de decisões, prova disso está na dificuldade de quebra deste ciclo de perpetuação nas áreas de elevada pobreza. O estudo demonstra ainda que, nestas condições, tendemos a superficialidade assumindo atitudes automáticas com inesperados resultados pela ação reflexiva. Em havendo harmonia entre nosso entorno e o ambiente, geralmente buscamos aproveitar estas relações nas tomadas de decisões via pensamentos mais elaborados.
Ainda sobre a atividade reflexiva, uma gama de filósofos incluindo aí Kant, opina que nada podemos dizer sobre a realidade em si ou ‘sua essência’. Em outro fato relatado por cientistas, aflora a ideia que somente a ciência não é bastante para resolver a questão do ‘fundamento das coisas’. Não descartam contudo o fato que é este fundamento que prende todos os fenômenos descritos. O físico e filósofo Bernard d’Espagnat defende que a realidade mostra-se coberta por um véu de obscuridade. Busca dar abordagem metodológica e científica à antigas questões filosóficas. Para ele, nosso raciocínio científico não diz o que seja a realidade em si mas nos apresenta a imagem de sua estrutura, e por isto, busca nova referência para o ‘fundo das coisas’.
O ‘fundo das coisas’ tem sido a questão mais intrigante na aventura do viver. Há que se convir, o que temos realmente de tudo isso é o ciclo a que estamos submetidos de vida e morte, mostrando que nossa mente tem limites como a própria vida humana. Compreendida esta questão fundamental, deveríamos aceitar que a convivência com o outro se faz necessária, pois o contrário, acelera o ciclo de morte. Talvez a grande lição aprendida, seja que a consciência da morte é fundamental à vida.

Isolamento e convivência

julho 25, 2016

O sociólogo e professor da Universidade de Nova York Eric Klinenberg, acredita que vivemos o “apogeu da vida solitária” que despontou nos anos 1950. Ao investigar efeitos de uma onda de calor em Chicago no ano 1995, notou que mais de 700 das vítimas fatais moravam sós. Informa que nos últimos 10 anos se fortaleceu a ideia de morar só por conta da mudança de status da mulher, longevidade, revoluções urbana e de comunicações. Apresenta como atrativo, a privacidade, anonimato, autonomia e conexões descompromissadas com o outro. Eric avisa que são mais de 30 milhões de americanos vivendo atualmente nesta condição. Já o Euromonitor Internacional, identifica aumento de 33% entre 1996 e 2006 de viventes solitários projetando em mais 20% seu crescimento.
Ainda relacionado a convivência, outra questão importante é que a maioria dos terapeutas pensa ser uma relação ideal aquela que envolve sexo e muito amor, sendo tal conceito, quase consenso. Em suma, um vínculo afetivo seria sustentado por muito tempo pelo amor e sexo. A rede social Gransnet auxiliada pela empresa inglesa de assessoramento feminino Relate, numa amostragem de 634 pessoas entre 51 e 85 anos, identificou que uma em quatro mulheres, nunca tem relações sexuais, e segundo elas e apesar disso, se mantem felizes. Aquelas inclusas nesta estatística afirmam que as uniões são mantidas, não por sexo, mas por compaixão, generosidade ou amizade. Apesar das evidentes alterações físicas da idade e aceitas pelas entrevistadas, conclui-se que 57% não lamentam a extinção da chama da paixão. Despertou atenção, não a ausência de sexo, mas o fato de nesta condição, as pesquisadas não lamentarem a evidência.
Talvez os eventos acima nos remetam ao Dr Freud por conta da separação individual defendida pelo psicanalista, se inserindo no ‘tabu do isolamento pessoal.’ Pequenas diferenças pessoais tornam-se base dos sentimentos de estranheza e hostilidade. A hostilidade nas relações via ‘narcismo das pequenas diferenças’ no decorrer do desenvolvimento humano temporal, sobrepuja o mandamento de amar o próximo, ideia esta, sedimentada pelo psicanalista. Em conclusão, Freud defendeu que é da proximidade e não distância que floresce o ódio ao outro. São as relações de identificação a que nos propomos como sujeitos nas várias nuances da vida, pelos traços familiares, grupos ou crenças, que parece nos levar pelas diferenças, ao isolamento individual. Fato é que aumenta dia a dia.

Evento macabro

julho 18, 2016

Pesquisadores afirmam que o incremento da temperatura nos Andes tem mandado sua conta aos chamados glaciares bolivianos. Mark Bush do Instituto de tecnologia da Florida confirma que o aquecimento global e secas são ameaças ao planalto andino. Segundo a revista Global Change Biology há uma previsão, ainda neste século, de grave seca envolvendo a cidade de La Paz provocando aridez do clima, graves prejuízos à agricultura e consequente insegurança alimentar. Dentre outras avaliações, observa-se aumento nos intervalos das chamadas variações cíclicas que duravam em torno de 10 anos. Outra questão observada por lá, vem por conta da Universidade Técnica de Oruro constatando elevados níveis de arsênico, cádmio, bromo e zinco, além de sete vezes mais que o normal, dos níveis de cloro nas águas andinas.
O chamado evento macabro, conhecido pelos moradores da Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro é a mortandade de peixes, pela queda do nível de oxigênio nas águas revoltas por fortes ventos, movimentando sedimento, liberando metais pesados, tóxicos à vida animal, que nos andes, decorre da ação mineradora. Devido o eldorado nos preços minerais pelo fator China, a famosa cordilheira firmou-se como excelente ambiente extrativista. Pela ausência de diques de contenção, controle do governo via compra de consciências, a contaminação tornou-se parte do ambiente natural no mundo inteiro, priorizando os mais pobres. As mineradoras retiram 22 milhões de litros de água dos lagos andinos por dia; ninguém se atreve esbravejar, pois estas economias dependem da exportação de matérias primas.
Em conclusão diremos que pensar clima envolve liberdade política e democracia, judiciário independente, participação dos diversos segmentos sociais em detrimento a uma elite dominante. Por fim, relações transparentes e justas entre governo e iniciativa privada, em que ambos entendam que iniciativa privada necessita lucro e governo proteger a sociedade da barbárie. Quem sabe um dia seja assim.

Medicina inteligente

julho 11, 2016

Todos conhecemos a questão da saúde pois somos necessariamente usuários. Entre nós predominam a saúde pública cujo objetivo declarado é a população e a saúde de grupos ou privada com objetivo declarado o bem do usuário associado ao lucro empresarial. Ambas por vários motivos estão longe de satisfazerem seus respectivos públicos. Ideologias e dogmas à parte, apanhadas com força pelo desenvolvimento e transformação tecnológica que acabam por colocarem à nú suas deficiências.
Surge a medicina inteligente como forma de elevar a um patamar melhor o atendimento da saúde, talvez, em todo o mundo. Salas de emergência congestionadas poderiam encontrar nas plataformas tecnológicas,via internet das coisas, uma saída ao desconforto atual. Histórias clínicas poderiam ser armazenadas em sistema global com fácil acesso durante consultas. A IBM possui um programa chamado Curam baseado no segmento e monitoramento dos casos segundo os riscos dos pacientes em questão. Além de facilitar o monitoramento e evolução dos planos de intervenção, as ferramentas de prevenção armazenam atividades individuais dos pacientes, identificando riscos futuros a partir de dados em questão, que entregues ao especialista, evitariam ou combateriam as famigeradas filas de espera nas emergências. Telemedicina ou assistência médica à distância com recomendações aos usuários visando melhorias nas condições sanitárias, evitando deslocamentos prolongados e filas de espera. Vídeo-chamada por celular com aplicações conectadas à distância visando diagnóstico inicial e recomendações residenciais até o atendimento real.
A prática médica ao longo dos tempos se fundamentou em três pilares principais ou escuta, observação e experimentação. A escuta da história natural da doença, via sinais e sintomas, baseia-se em relação de confiança médico-paciente. A observação com pesquisas dos sinais e sintomas por exame físico ou complementares, que ao longo dos anos, se aperfeiçoaram. Por fim, experimentação com técnicas de tratamento ou medicamentosas. É fato que a modernidade, na maioria dos casos foi deturpada por conta da sobrecarga e massificação da atividade médica. Decerto o resgate da atividade não passa somente pela inserção tecnológica mas ao verdadeiro entrelaçamento entre homem, ciência e tecnologia. Um desafio a ser perseguido.

Unidade e entendimento

julho 4, 2016

Desenvolvendo o tema da unidade, Lacan conceitua unicidade como “função do traço unário (aquilo que é único),” com raiz freudiana baseada na ideia narcisística (amor excessivo a si e sua imagem) pelas pequenas diferenças cotidianas ou obsessão em diferenciar-se daquilo que lhe resulta mais parecido. Espinosa em sua ‘Ética’, sob o olhar da filosofia fala de conservação do ser em direção à concordância nas coisas tendendo a uma só alma, e em consequência, a unidade, e com isto, sua preservação. Buscando utilidade na condução da razão, entendia que os homens não deviam buscar a si nada além do que desejassem aos outros, daí o fato da razão no amor, em que cada um se ame e busque sua a própria utilidade; coisa que parece ter significado ainda hoje.
Ainda inserido no contexto acima dentro da dualidade energia ou espírito e matéria, Carl Jung advogou que a partir do século XIX nasce uma psicologia chamada de “sem alma,” fortemente influenciada pelo materialismo científico em que aquilo que não se vê com os olhos e nem pode ser tocado pelas mãos, fica sob suspeita. Em ‘Os complexos e o inconsciente’ desenvolve a ideia que pensar metafisicamente (além da física), compromete. Neste período, a metafísica do espírito cede lugar à da matéria, provocando no mundo da psicologia uma revolução em sua percepção. A partir deste ponto só é cientifico o que é manifestadamente material, podendo ser admitido pelos sentidos, portanto, aceito. Esta ideia acaba por criar consciência na Europa em que o espírito depende da matéria e de suas causas.
A prevalência de ideias de baixa estima na metafísica e conceitos de unidade e narcisismo das diferenças, díspares na modernidade, sugerem luminosidade sobre nossa realidade atual. Parece factível imaginar que a prevalência do materialismo em nosso cotidiano, nos leva à estrada em que unidade e convivência harmoniosa ou concordância, tendem a ficar em patamar inferior diante a discórdia e a busca por soluções mais individuais, portanto, susceptíveis ao conflito.

A questão da vida

junho 27, 2016

Sob o ponto de vista da história, nota-se que certas constantes do pensamento humano atravessam o espaço e o tempo. Por exemplo, a massa como grandeza física fundamental nos dá a medida da inércia ou resistência de um corpo. O peso remete a força gravitacional que atrai corpos ao centro, ao passo que volume, refere-se a magnitude nas três dimensões ou o espaço ocupado por um corpo. A luz, considerando como ondas eletromagnéticas desprovida de massa, reflete os objetos, quer dizer, ideias que nos mostram a vida como conhecemos. Já conservação, seleção e unificação são conceitos, que pela atualidade vivida, tendem a convergir e se integrar. Basicamente esta integração do conhecimento tem dado passos gigantescos graças a física, a biologia e neurociência. A física tenta condensar a estrutura do universo em equações fundamentais da relatividade geral e mecânica quântica, a biologia compreender a vida embasando-se principalmente na teoria da evolução de Darwin e por fim, a neurociência na compreensão da mente humana.
Estes aspectos envolvendo energia e matéria nos introduz em nuances, que até aqui, nos incita fazendo Parmênides atual ao dizer que os ‘limites do pensamento não determinam as fronteiras do ser’, quer dizer, a vida é muito mais que tudo isso que temos por aqui. Uma das características dos seres vivos, incluído aí o ser humano, é o limite da própria vida. Nietzsche ao reclamar da solidão em que vivia e inserido no contexto ‘energia e matéria’ de ‘vida e morte’, decretava: “quem tem ainda Deus por companhia nunca conhecerá a solidão que sinto.” Enquanto Tolstoi dizia que as questões científicas como algumas das citadas acima, mostram a força da mente humana mas não respondem as questões da vida. Como ela é.

Ancorada no ouro

junho 20, 2016

Friedrich Augustus Hayek considerado um dos pais do neoliberalismo econômico, assessorou Margareth Thatcher, Ronald Reagan e Augusto Pinochet, inclusive segundo alguns, tendo influência na Constituição chilena de 1980. Durante as reformas econômicas no Leste europeu pós era comunista, várias de suas idéias foram implementadas.
Basicamente estudou os ciclos econômicos sobre os quais afirmava que os desequilíbrios a curto prazo, tinham causas estritamente monetárias. Dizia que o melhor lugar aos estados estava no controle do sistema monetário, na regulação e difusão da informação. Preconizava ainda oposição à supremacia de uma moeda como o dólar, afirmando a necessidade de competição entre elas, que daria mais transparência ao sistema, aqui, a importância da informação. Dizia ainda que o sistema econômico se explica pelas ações individuais, em sua opinião, racionais. Por fim, afirmava que o Equilíbrio era um conjunto de planos individuais compatíveis entre si e os preços nos mercados difundem informação. No quesito inflação, avisava que reduz o poder aquisitivo dos consumidores, beneficiando os empresários pela defasagem temporal entre aquisição da produção e a sua entrega. Contrário a intervenção estatal nos casos de inflação descontrolada, afirmava que ciclos em baixa destruíam o capital acumulado na fase ascendente.
Agora, nasce a moeda virtual em sua honra chamada Hayek Coin, criada por Anthea Vault, operadora norte americana de metais pesados com respaldo no ouro. A variação do preço virtual da moeda seguirá o preço diário do grama do ouro, dando-lhe estabilidade não vista no bitcoin; muito volátil atualmente. Em tempos de crise com predomínio do dólar e norte americanos fazendo sua máquina de fabricar grana funcionar conforme suas necessidades, acrescido de um Euro ainda incerto e a moeda chinesa em ascensão, os países buscam soluções para comerciarem. Argentinos compram petróleo e combustíveis da Venezuela em troca de trigo e carne, o Irã vende petróleo a China em troca de manufaturados sem a intermediação monetária mas mercadoria por mercadoria. Na volta ao passado, o mundo procurando soluções.


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