Dois graus

Por que segurar em dois graus o aumento da temperatura através das atividades humanas? Se feita esta pergunta, poucos saberão como se chegou a este número. Um exemplo da questão é a região do Mediterrâneo que já sofre alterações não vistas na história humana. Modelos climáticos avaliam que o sul da Espanha, a seguir o andar da carruagem, deve se tornar deserto em 2030 (quer dizer, em torno, não é visão apocalíptica). Se nada for feito e continuando a situação atual, o deserto deve atingir metade da Península Ibérica, num quadro de temperatura de 5 a 6 ºC mais elevado e sem redução de emissões de C02. Isto seria notado pelo cidadão comum, por secas mais frequentes, afetando agricultura e florestas ao lado de invernos mais suaves, facilitando o desenvolvimento de parasitas que afetariam o ecossistema, acelerando o processo de morte. Segundo a revista Science, as temperaturas da bacia mediterrânea estão 1,3ºC acima do período 1880/1920, já, no restante do planeta é de 0,85ºC.
Ainda no Mediterrâneo, cientistas partiram da premissa em estudar núcleos de sedimentos de pólen tentando reconstruir a variabilidade do clima e ecossistemas no últimos 10 mil anos. A partir destas informações usaram modelos matemáticos, vulgo algorítimos, visando previsões futuras nos mais variados cenários de variações de temperaturas. Resumindo, cada pólen fornece a imagem da vegetação do passado. Descobriu-se que entre 1998 e 2010, reduziu em 30% o índice pluviométrico ao lado do aumento de temperaturas de 0,5º C no Mediterrâneo oriental, além de observada a mais longa seca dos últimos 500 anos. Isto só deve impactar na vida do cidadão comum através das mudanças perceptíveis entre 2030 e 2040. Lá, notaremos a redução visível da vegetação com mais arbustos em prol de árvores antigas e grande erosão do solo.
O maior equívoco da conferência de Paris foi a mídia mundial, pela gravidade da informação que deixou de ser veiculada, não formar memória coletiva como a guerra da Síria por exemplo. Todos sabem que o limite é de 2ºC no aumento de temperatura, mas não se explicou ao cidadão comum como chegaram a este número, se é ameaça, barganha, ou piada de mal gosto. A Organização Meteorológica Mundial avisa que a ação do El Nino incrementa a concentração de C02 e parece definitivo sua influência na seca do Nordeste brasileiro, Somália, Etiópia, Quênia e Namíbia. Deve-se acrescentar ao falado acima, Darfur, com o agravamento da seca, desertificação e a longa seca na Síria entre 2007 e 2010. A questão do clima não é ideológica ou messiânica, não se baseia em teorias ou suposições mas em estudos científicos submetidos aos iguais para avaliação. Sob o ponto de vista do cidadão comum, a questão passa interessar quando falta água na torneira às atividades básicas ou o mercado está mais caro inviabilizando as contas; ao mais pobre, só resta emigrar. Bom lembrar que no Brasil fala-se em seca do Nordeste desde o início do século passado, quer dizer, o El Nino já existia. Sob o ponto de vista político só interessa a geopolítica, para o Centro Oeste brasileiro a questão da seca nordestina é problema do Nordeste, portanto o desmatamento não é lá, mas no Centro Oeste ou na Amazônia, esquecendo que a questão não é geopolítica. Além do burocrata que só pensa sob o ponto de vista econômico, no custo em mitigar, no que se deixa de ganhar ou na perda de mercado ao concorrente. É urgente e necessário notar que tal qual a construção civil ou indústria, a questão do clima cria e criará cada vez mais empregos, com reciclagem, proteção de mananciais, reflorestamento, que em escala, será sucesso, além do processo de substituição para energia limpa. A mídia, sem importar a cor, necessita ter em mente a necessidade de fazer memória coletiva da questão, como o mundo fez do conflito sírio, do terrorismo, do Trump ou das mazelas do dia a dia, nos noticiários ou na busca por audiência das novelas e filmes.

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A China

A elite política americana está convencida e crê que a mudança climática é o maior desafio por conflitos causados pela seca, fome, desastres naturais ou degradação da terra com consequente refúgio e escassez de recursos. Talvez o mais emblemático deste pensamento esteja no Haiti. Nesta premissa, 400 milhões de agricultores africanos são dependentes da chuva para comer, ou, sua agricultura de subsistência está ameaçada por falta de irrigação, quer dizer, um paliativo à grave situação em que vivem. Isto é dito pois o novo presidente americano tentou mostrar a questão do clima como anti econômica e a esta altura, devidamente esclarecido, suas consequentes atitudes serão conscientes. Em suma, dois bilhões pessoas dependem de quinhentos milhões de pequenos agricultores, trocando em miúdos, agricultura familiar, cuja proteção e desenvolvimento não deve ser bandeira ideológica de esquerda ou direita mas questão de estado.
Neste embalo, a China com 1,3 bilhão de bocas para alimentar, merece alguma consideração. Quer dizer, 20% do território chinês está com problemas de desertificação ou seca. Buscam recuperar 2.424 kms² ou 240 mil hectares de terra por ano, abandonadas ou degradadas nos últimos 10 anos. Com projeto de recuperação de 10 milhões de hectares, um total de 2,5 milhões garantidamente devem se recuperar. Nesta toada estão medidas de irrigação e normas de uso de terras áridas ou semi áridas introduzindo plantas resistentes à seca. Aqui uma heresia capitalista, emprestar à juro zero aos agricultores locados nestas condições adversas, além da limitação de cabeças de animais evitando o sobre pastoreio e desgaste do solo. Desenvolvem tecnologias de redução ao consumo de água e aproveitamento das residuais. Há nesta situação, espaço ao setor privado que queira investir, além da divisão de conhecimentos por resultados.
O governo inglês paga à seus agricultores para manterem terras ociosas e não plantarem maçãs importando-as da África do Sul. Este ano a China avisa que a produção de grãos deve cair por conta do descanso do solo. Os americanos da Califórnia usam os remanescentes aquíferos subterrâneos para molhar seus campos de golfe. Esta cegueira deve ser posta em processo de conscientização, enquanto há tempo. Nosso agronegócio se orgulha de ser grande exportador de grãos, orgulhamos de ter o maior rebanho de gado do mundo, talvez sem notar que para muitos é melhor importar alimentos do terceiro mundo preservando o ecosistema local. O filósofo autor de “A sociedade do cansaço’ Byung-Chul Han, defende que nós humanos necessitamos desintoxicar da sobrecarga mundana com o descanso da alma, compensando assim, nossa hiperatividade destrutiva; que dirá a vida.

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Desertificação

Crise silenciosa e invisível desestabilizando comunidades, assim nos traduz a Convenção da ONU sobre a desertificação. As causas mais impactantes são cultivo excessivo, pastagens, desmatamento acompanhado de práticas inadequadas de manejo do solo, principalmente pelas precárias condições econômicas dos agricultores em questão. Segundo o UNEP que é o programa ambiental da ONU, a desertificação abrange entre 25% e 30% da superfície do planeta, em torno de 100 países sob risco ou 1,2 bilhão de pessoas. Neste contexto 1,5 bilhão de pessoas dependem de terras degradadas e de 7,8 bilhões de hectares utilizados na produção de alimentos, dois bilhões estão degradados, doze milhões de hectares são perdidos a cada ano e 500 milhões estão abandonados. Este quadro mostra perda de produtividade de 42 bilhões de dólares, sendo na África 66% da superfície composta por terras áridas ou desertos. Em suma, dos 24 tipos de ecossistemas catalogados no mundo, 15 estão em forte processo de deterioração.
Neste contexto, desenvolve-se na conhecida Rota da Seda envolvendo civilizações antigas desde a Mesopotâmia, Egito, China, Índia até Grécia e Roma, iniciativas visando conter e mitigar os efeitos da desertificação. Ao todo 23 países com visão de longo prazo visando proteger os recursos naturais, sua utilização e desenvolvimento, nas áreas mais degradadas. Como exemplo, o Uzbequistão onde 73% dos 28 milhões de habitantes estão impactados pela seca e queda de 40% da disponibilidade de água, perde-se até 75% das colheitas com 80% dos lagos secos ao lado da salinização do solo. Outro país em questão é o Irã que além da seca, sofre com as tempestades de areia custando 1,25 bilhão de dólares em 1991 e 7,5 bilhões em 2011.
Como bem podemos observar foi o progressivo uso do solo e da água, como algo inesgotável, que parece nos enviar a conta. O caso da rota da seda é uma trilha à perseguir em que os interessados passem a buscar a reparação aos danos à vida. Entre nós, há urgente necessidade no levantamento das áreas degradadas, abandonadas ou salinizadas, além das consideradas por vários motivos não lucrativas, visando buscar reparação. Nesta trilha estaria a ocupação de pessoas, um começo, talvez mais difícil, mas um começo.

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O pensamento

Compartilhamos que pensamento seja faculdade na concepção ou avaliação da realidade expresso através de ideias ou representação mental de algo. Consiste na manifestação mais palpável do espírito humano. Nessa ideia, Susan Cain autora de ‘Silêncio: o poder dos introvertidos num mundo que não consegue parar de falar’, defende que o extremo da riqueza criativa surge do silêncio, daí solicitar que se pratique a introversão. Relata que muitos introvertidos frequentam bares lotados e segundo ela, representa perda de criatividade e liderança. Defende que ao contrário do que se imagina, a criatividade e a produtividade não surgem de locais sociáveis mas no silêncio, essencial, no pontapé inicial. Afirma que ao rodearmos de pessoas, para não rompermos a dinâmica do grupo, limitamos seguir as crenças em vigor. Diz que o mundo ocidental privilegia pessoas ativas e as que priorizam o silêncio, segundo ela, são parceiras do pensamento próprio e original. Corrobora suas ideias, o fato que Darwin preferia longas caminhadas e recusava convites à eventos sociais. Já Steve Wozniak num canto solitário da Hewllet Packard, inventou o que seria o primeiro computador da Apple.
Contrapondo ao silêncio e criatividade, vem à tona o cansaço mental, em que os cientistas afirmam ser o causador da dispersão, falta de atenção e clareza, impossibilitando a visão do extraordinário no aparentemente normal. Além de tudo, imputa-se à fadiga mental a conhecida preguiça e a queda da capacidade resolutiva. Considera-se ainda como estado criativo, pensamentos práticos ou poéticos que manifestam beleza decorrente ao silêncio e descanso mental. Por ordem de grandeza, cada pessoa gera em torno de 50 mil pensamentos/dia, grande número repetitivos ou mecânicos. Em resumo, diz-se que o cansaço mental surge com força nas conhecidas lutas internas entre nossos desejos e realidade, falar e calar, sair ou ficar e o pior de todos, decisões tomadas e o que de fato torna-se realidade.
O professor Irwin Yalom titular de psiquiatria da Universidade de Stanford, que se assustava com os espaços vazios em seu interior, explica que seu silêncio não está relacionado com a presença ou ausência de pessoas, que multidões, o privavam do silêncio além de não fazerem companhia. Em um mundo impregnado de informações e diálogos causadores de intensos ruídos mentais, emocionais e físicos, faz-se necessário cultivar os espaços internos de silêncio e descobri-los vazios, nos colocando no trilho, focados na criação, atenção e produção.

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A consciência

Por falta de uma definição mais objetiva diremos que consciência é uma qualidade do cérebro, envolvendo subjetividade, autoconsciência, sapiência, etc, percebendo a relação entre o ser e o ambiente. Trata-se de um fenômeno constatado no qual desconhecemos como se produz, apesar dos avanços biológicos na estrutura de sua arquitetura funcional e na interação biopsicofísica dos componentes fundamentais. Com o advento da computação houve os que fizeram sua associação com o funcionamento do cérebro a que se denominou de inteligência artificial, na tentativa em explicar seu funcionamento por regras lógicas. Visando a evolução do conceito binário, surge o conceito Quântico no qual o universo atômico responde à regras imprevisíveis obtendo resultados previsíveis. Sistemas atômicos e sub atômicos tais como moléculas, átomos eletrons e etc são utilizados para descrever macro fenômenos físicos. Em suma, estuda o chamado comportamento surpreendente.
Partindo do pressuposto que o cérebro gera sua própria realidade a partir de pouca informação em relação ao meio exterior, realidade esta, expressa por imagens que em continuidade, gera o que experimentamos como fluxo consciente ou de consciência. Pelo desconhecimento na formação da imagem, a realidade conduz ao fato que a ciência clássica foca nos constituintes em detrimento ao conjunto. Por conta desta dificuldade o fundamento da ciência clássica se faz dentro de um marco de causa e efeito ou determinista, amparado por leis da física clássica como o eletromagnetismo, expresso no funcionamento físico-químico dos neurônios. Nesta lacuna, se apresenta a ciência quântica da consciência, não descartando a ciência clássica com suas teorias explicativas. Visando entender a qualidade da consciência, reconhece no seu campo de ação o valor da epistemologia ou crença e conhecimento . Com isto, busca reforçar explicações sedimentadas nas leis deterministas ou clássicas de causa e efeito, preservando a liberdade enquanto ser. A questão da liberdade do ser afetada pelo determinismo, tudo que existe decorre de ações de causa e efeito ou destino, evolui na visão quãntica pela inserção de suas propriedades. Evidências indicam que a mente animal não parece funcionar como um computador de inteligência artificial, que necessita de um programador, o diferenciando da consciência.
Apesar do estado quântico trabalhar microscópicamente e em altas temperaturas, os cientistas encontram base teórica em envolver a questão da consciência nas propriedades quânticas, visando alargar as possibilidades de compreensão do pensamento. A aproximação da ciência quântica com a moderna computação quântica em detrimento à clássica, considera que computadores quânticos processam informações mediante unidades que podem estar em vários estados simultãneamente ou superpostos, nada mais que estados quânticos. Este modo de processamento, em superposição das imagens mentais, chamado quântico e aceito à nível dos neurônios, remete a ideia prática de vários pensamentos ou ideias superpostas, comum na atividade consciente. Outras propriedades quânticas como entrelaçamento ou complementaridade, remetem à pensamentos que transitam por meios ou estatus diferentes e se complementam. Um alargamento na visão determinista de causa e efeito ou destino, dá ao ser, liberdade, livrando-o de cumprir ações pré determinadas, aí talvez, o grande passo à frente na busca pela compreensão da vida. Se nosso destino já está traçado não somos responsáveis por nossos atos, o contrário, nos faz livres.

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Inovação imperial

O diretor do Centro de Estudos de desenvolvimento da Universidade de Zacatecas Raul Delgado, investigando o que chama de ecossistema do Vale do Silício, traz à luz, suas conclusões. Disse ser ilusório o jargão que todos ganham com os migrantes altamente qualificados ou fuga de cérebros, agora chamada, circulação de cérebros. Usando uma estratégia que chamou de sistema imperial de inovação, os EEUU e as grandes Corporações, segundo o pesquisador, apropriam do conhecimento em metodologia pela qual, advogados assinam com empresários contratos complexos de aquisição de patentes. Conclui dizendo à edição recente do Valdai Clube de Discussão Internacional em Sochi, que a moral da história no Vale do Silício é “alguns inventam e outros se apropriam”.
Por sua vez, flui nas mentes inquietas dos pobres cientistas, teorias da conspiração sobre a paranóia do fim do mundo, previsível para quem vive um borbulhar de ideias limítrofes. Uma amostragem é o recente artigo no The New Yorker sobre o presidente da incubadora de empresas Y Combinator (YC) Sam Altman. Afirma o entrevistado ser este um dos temas favoritos em conversas no Vale do Silício, ou, a forma como o mundo se acabará. Entre as mais comuns, segundo ele, está a propagação de um virus mortal, ataque pela inteligência artificial ou extermínio nuclear por recursos naturais, todas do século XX. À parte conspirações, Altman lembra que a OPR(Organização de Propriedade Intelectual), face mais visível da Inovação Imperial, instalada em Genebra, comercializa regulações e controles na fronteira tecnológica. Invenções da indústria automobilistica em Nanotecnologia são traficadas para indústrias bélicas, de mísseis etc. Conclui dizendo que a inovação tecnológica estimula a volatilidade no mundo, com riscos em graus variados, que as coisas escapem ao controle.
Recente declaração do presidente chinês, fala que a ausência de fato novo como foram o celular, o computador ou a internet como inovações tecnológicas, ao lado do envelhecimento populacional levou a estagnação econômica mundial. As inovações da tecnologia continuam aparecendo, mas o fato novo que alavancaria novamente a modernidade, parece na penumbra. Há a suspeita por essa ausência, que o Vale do Silício estaria em menor velocidade de criação ou mesmo estagnando. Por conta disso, abre espaço à fugas da realidade com pensamentos menos efetivos à base de teorias da conspiração, pela frustração em não se conseguir um novo salto qualitativo. Sempre assim.

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Espaços vazios

A ilustradora mexicana Idalia Candelas começou há um ano e meio a desenhar os momentos que viveu sozinha na cidade do México por oito anos. Nas redes sociais com mais de 30 000 seguidores no Instagram, Twitter e Facebook, seus desenhos sobre o cotidiano em estar só tornaram-se virais. Não levou muito para que suas ilustrações em preto e branco fossem vistas em cadernos, celulares ou cortinas. Diz que no México é grande o preconceito com a mulher que vive só, principalmente em ralação ao fato que seu estado de espírito em estar consigo mesma não é depressivo ou frustrante. Mesmo com a ausência de solicitações sociais em relação a filhos, marido etc acaba por refletir paz e tranquilidade. A autora defende o prazer em ser solteira na contra mão aos preconceitos contra a tribo que floresce com força na modernidade.
Desta série de ilustrações surge o livro ‘A Solas’ (A sós) com grande aceitação no mercado editorial principalmente Grécia, Polônia e África do Sul. Em pouco tempo, as imagens em preto e branco de mulheres em seus momentos diários viu-se multiplicada na imprensa. A Solas apresenta na capa a ilustração da menina deitada em sua cama sem fazer nada. Fala em momentos a sós, agradáveis, corriqueiros, como tomar café na cozinha ou ler um livro. Mesmo sem a pretensão em fazer uma análise contemporânea da solidão, foi em cheio na alma de boa parte do espírito feminino moderno que desfruta da própria companhia. Fala que a conexão na rede permite a vida solitária em casa e que acabou por criar uma marca e loja virtual visando comercializar suas ilustrações. Depois da solidão, Idália pretende retratar a nostalgia com uma série dedicada a lembranças que deverá se chamar ‘Espaços Vazios’.
O fato em ilustrar despretensiosamente o cotidiano de uma vida a sós tornar-se viral nas redes sociais e posteriormente uma atividade profissional bem sucedida, mostra a captação de forma robusta de um sentimento em ascensão. Com novo olhar, o viver a sós na modernidade reaprende a conviver acompanhado de si, afastando o fantasma do abandono e isolamento. Não se trata aqui de uma tendência, modismo ou vida melhor que a dos outros, mas apenas uma forma à mais em viver e conviver consigo. Dentro de um início, que pode ser ou não voluntário, com o tempo acaba por fazer conhecer-se melhor ocupando nossos espaços vazios. É a vida em contínua mutação.

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