Diagramas, ciclos e simetrias

Por melhor entendimento, relembramos alguns conceitos matemáticos, como topologia sendo o estudo dos espaços topológicos (topos-lugar, logos-estudo) designando família de conjuntos. Já espaços topológicos, buscam formalizar ideias de convergência continuidade e conexidade. A ciência nos ensina ainda que o cérebro apresenta substância cinza, onde se processam as informações e a cognição. Já a substância branca, transmite informação pelos axônios, ou extensões neuronais, por diferentes setores, até os corpos das células localizados na parte cinza. Ao conjunto de conexões neuronais entre diferentes segmentos da parte branca, chamamos conectoma. A matemática busca ainda unir a topologia e a álgebra dando origem a topologia algébrica, meio pelo qual se permite encontrar ciclos e ligações entre as conexões cerebrais, abrindo frentes de investigação à neurociência e inteligência artificial.
Ann Sizemore, cientista da Universidade da Pensilvânia, pesquisando o conectoma a partir do conceito de difusão aquosa, vista no cérebro por ressonância magnética e chamada de tactografia, observa em imagens digitalizadas, a direção das fibras pela cor obtida no espectro de difusão. A partir de estudos tridimensionais por técnicas de topologia algébrica, obteve diagramas de rede e ampla gama de ciclos, indicando o provável caminho de comunicação neuronal. Os diagramas remetem ao conectoma como ligações neuronais, indicando papel importante no aprendizado e coordenação da atividade cerebral. O estudo dos diagramas nas simetrias, por serem persistentes nas diferentes escalas, chama-se homologia.
A evolução dos conceitos acima, decerto lançará esperança na retirada da psicologia e psiquiatria do empirismo opaco em que vivem. Pobres em instrumentos diagnósticos, manifestações do pensamento poderão, quem sabe, através do estudo dos diagramas ou dos ciclos, da difusão aquosa no cérebro por cores e simetrias, dar clareza ao setor. Diferenciar tristeza de depressão, os diversos tipos de demências, déficits de atenção infantil, psicopatias e inimputabilidade penal, incorporariam padrões diagnósticos até então dependentes da prática diária do profissional em questão. Mais à frente, talvez diagnosticaríamos, os mentirosos, trapaceiros, ou mesmo os que debocham da vida, que sob o nome de esperteza, abusam da nossa confiança e paciência.

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Aparências

O ergotismo ou fogo de Santo Antônio é uma praga medieval produzida pelo ergot, um fungo que se desenvolve no centeio com prevalência em regiões frias e úmidas, daí, a presença na França, Rússia e Alemanha. As alterações mais importantes são alucinações, convulsões, dores abdominais, necrose, gangrena de braços e pernas, dando origem ao apelido de fogo do inferno. A história nos fala ainda que os doentes perambulavam na rota de Santiago de Compostela, que pela ausência de centeio contaminado na alimentação, os casos menos graves acabavam por se curar, dando origem peregrinar o caminho como terapêutica. O Claviceps purpúrea é o agente infectante, que ao se proliferar, libera ergotamina e derivados do LSD provocando alucinações. Prova disso, em 1938 Albert Hofmann sintetizou a dietilamida do ácido lisérgico e a experimentou, apresentando alucinações visões luminosas e coloridas. O barato, interpretado como “imagens fantásticas, formas extraordinárias com padrões de cores intensas e caleidoscópicas,” na Idade Média, seria visto como experiência mística.
Ainda por conta das aparências, a história ensina que os ingleses durante a segunda guerra, possuíam um departamento especializado em espionagem, sabotagem e propaganda. Tudo com o objetivo em torpedear o regime nazista. Daí, produziram selos com a figura de Himmler, o chefão da SS, no intuito de disseminar a ideia que tal feito fora por ele produzido, visando afrontar o líder máximo nazista. Para tristeza inglesa, não gerou o efeito desejado pela naturalidade com que fora recebido no país. Mandaram distribuir na Suíça buscando emplacar o embuste e nada. Quem acabou acreditando na armação inglesa foram os americanos.
Os exemplos acima são fragmentos de memória inconsciente que se espalham na realidade, envolvidos e modificados por ela, sem conseguirmos decifrar o primordial significado; daí, suposições e aparências. Eventos que se transfiguram em métodos, aplicados no cotidiano, sob forma de sabotagem e propaganda assumem objetivos destrutivos. Através dos tempos, levamos anos criando memória que se exprime em aparências e outros tantos desfazendo distorções que formatamos no inconsciente. Ainda trilharemos caminhos alternativos vivenciando danos contabilizados.

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Ação e intenção

John Searle no livro ‘Mente, cérebro e ciência’ fala que a estrutura do comportamento passa pela intencionalidade. Que por sua vez, nos remete à crença e ao desejo, em que a primeira engloba a espera do acontecimento e a segunda a pretensão que algo aconteça; daí, a intenção envolver querer, desejar ou esperar. O detalhe disto é que obteremos resultados diversos ao que pretendemos com nossos estados intencionais. Por isso nosso comportamento pode, segundo o autor, ser intencional ou voluntário com variadas atividades tipificadas no estado intencional. O autor informa ainda que há necessidade em diferenciar comportamento individual e social, enquanto algo no individual está afeto a si, no social, ao outro.
Em ‘O que quer dizer tudo isto?, Thomas Nagel fala que na ideia de responsabilidade, ao contrário do que deveria ser, as ações são determinadas ou produzidas por certas causas em si e quando houverem mais de uma ação, uma seria posse do sujeito com causas determinadas e a outra não. Por conta disso, diz que a determinação causal não ameaça a liberdade, pois a ação livre não requer causa determinante, apenas de tipo psicológico conhecido. Daí o encurralamento dos que acham que suas ações são determinadas por circunstâncias ambientais próprias. A responsabilidade em algo, não permite fuga pelas escolhas que se faz, sem a evidente clareza em se determinar a existência motriz no eu que proceda tal evento.
Por conta da intencionalidade e da ação, o processo de cristianização ocidental tem inicio com a conversão dos Imperadores romanos, marcando o fim da perseguição aos cristãos e o alvorecer da politização religiosa. O combate ao paganismo, por tratar-se de culto basicamente agrícola com elementos naturais, marca o inicio do processo de consolidação monoteísta colocando o homem, em detrimento da natureza, no centro da vida. Daí cria-se nova consciência, que ao longo dos séculos, justificou a destruição ambiental em prol do progresso humano. Certamente uma nova visão, deve implicar em nova mentalidade e novas respostas, com novo inconsciente coletivo de consumo, baseado na preservação e uso equilibrado dos recursos.

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Duas coisas

Pesquisa digital nos informa que meio segundo é um tempo que faz diferença nas vendas on line, ou, em torno de 10%. Trocando em miúdos, caso alguém perca tempo em suas compras on line, tende migrar ao concorrente. Caso um site de compras não carregue em menos de 10 segundos, tende a perder o negócio, pois a maioria dos clientes tendem a sair, ou, dinheiro perdido. Quem compra on line, mesmo com o aumento da velocidade da internet, não quer esperar mais que os três segundos para efetuar sua compra. A média em 2015 foi de 5,4 segundos e em 2016 8,2 segundos, sendo que nos EEUU, o tempo médio é de 3,9 segundos e no mundo aumentou de 4,2 para 4,5 segundos. Exemplo é a North America Nordstrom, varejista de roupas, com uma queda de 11% nas vendas por um tempo de resposta um segundo mais lento, com vendas de 14 bilhões de dólares nos EUA e Canadá, mostra grande volume de dinheiro perdido; atualmente adapta-se a 2,5 segundos.
A segunda coisa é o Google por expectativas elevadas nas buscas, prevê que o menor erro cria frustração no consumidor. No objetivo em encontrar o que se quer, há necessidade de carregamento rápido da página e com máxima economia. Se trava uma feroz batalha calculando-se que em menos de 10 anos, 28% da ocupação mundial no setor, fechará suas vagas por conta do monopólio da informação exercido pelo Google. Com 78% dos celulares com o sistema Android embarcado, o gigante passou a ser alarme e não exemplo de sucesso. Inserido nesta ideia está seu modelo de publicidade, dono de algorítimo poderoso, alegado como democrático, recompensando quem apresenta o melhor desempenho diante o usuário. Para os americanos e europeus a situação é apenas um novo ambiente, ficando o problema em aberto à espera de novidades. Especialistas avisam que falta ao Google recompensar portais, minimizando seu desaparecimento e desvalorização; vide Yahoo.
A história do Google é antes de tudo uma história de sucesso, ou, da mais perfeita liberdade de empreendimento. Inicia com uma defesa de tese e um questionamento, um site de busca ou como fazer dinheiro com ele (?) obtendo-se como resposta, não sei. Até que um dia, alguém disse, para cada palavra em questão, uma propaganda, e estava criado o maior gigante dos últimos tempos. Ágil nos clics e respostas, utiliza o que de mais moderno existe na matemática através de seus algorítimos, passou mais que responder a curiosidade do internauta, ou, influir em suas vontades. Pela consolidação do monopólio na independência do celular, por conta do domínio das vontades, o Google passou a ser percebido como ameaça à livre concorrência, que fez dele o que é hoje. O que fazer com o Gigante? Destruí-lo porque soube utilizar regras de mercado? Colocá-lo em um cabresto como se isto fosse algo fácil? Verdade é que o problema está sobre a mesa.

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Felicidade

O psiquiatra colombiano Inácio Vergara pensando a felicidade, diz tratar-se de um termo que gera frustração. Supondo a felicidade como sensação de contentamento, momento de satisfação, veremos que por sua subjetividade, pode ser olhada por alguns pontos de vista. Sob o ponto de vista de sua especialidade, Vergara fala em duas emoções básicas, alegria e tristeza, em que a alegria se relaciona com segurança e tristeza com o medo. Por ele, a alegria é o sinal do ego interpretando a realidade favorável à vida, ao passo que a tristeza, mostra que o ego interpreta o medo como proximidade da morte. Estes fatores são cumulativos, segundo o psiquiatra, e culturalmente a prevalência de um sobre o outro levará alguém a dizer-se feliz ou não. Portanto, sob o ponto de vista da psiquiatria, a felicidade é uma resposta do ego à condições ambientais favoráveis de sobrevivência e tudo que a isto decorre, ou, êxito e sucesso nos objetivos. A felicidade se insere na ambivalência, o que possui valores desiguais, gerando desejo pelo oposto ao que se tem ou se vive.
Já o professor Álvaro Robledo, estudioso do budismo, afirma que a tradição oriental rejeita a busca desesperada por felicidade, tratando-se de sentimento momentâneo. Sua busca, pelo olhar xintoísta e budista, acarretaria sofrimento e desnecessário gasto de energia. A perseguição da felicidade como um objeto, segundo o estudioso, não passa de abstração do ponto de vista ocidental, pois, inserida na ótica oriental, a felicidade passa pelo ser. Em decorrência, defendem viver o presente, que em algum momento encontrará felicidade ou tristeza. Pela filosofia aristotélica, a felicidade era vista como boa vida em extensão do viver. Plotino, pensava tratar-se de algo que não é o fim dos tempos, mas intensivo e extensivo, quer dizer, não linear, progressivo e temporalmente prolongado.
Sempre que pensamos na felicidade, dirigimos nosso olhar sob o ponto de vista do ser ou individuo. Consideremos que felicidade isoladamente gera memória inconsciente, chamada por Jung de inconsciente coletivo quanto afeta o conjunto da sociedade. Óbvio, que ao longo de gerações, sociedades buscam do ponto de vista ocidental, construírem e perseguírem a felicidade, e do oriental, momentos felizes ou tristes de arrebatamento. Nossa cultura coloca ainda na esperança a confiança no futuro, ou, encontro de algo que favoreça vida, daí chamada felicidade coletiva. Bom lembrar que ao longo do caminho, constrói-se memória por fatos ocorridos, individualmente ou coletivamente, determinando nosso comportamento social como um todo. Trata-se de processo dinâmico e evolutivo que envolve o ser e engloba a totalidade. Vivemos um tempo que ser feliz é consumo e acumulação, ou, gasto energético progressivo pela busca ocidental da felicidade, ao que parece, rejeitada pelos orientais. Daí enfrentarmos um processo de desconstrução da memória de consumo energético progressivo, ou, consumo desenfreado de energia, para que sem tristeza, passemos ao processo de viver com equilíbrio no consumo; que não seja doloroso.

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O trabalho

MMT significa Teoria Monetária Moderna, nada mais do que a teoria econômica que tem dominado as mentes, visando adaptar a nova economia aos tempos atuais. Chamada pós Keynesiana, lançou procedimentos e consequências no uso do dinheiro por parte dos governos. Baseia-se na ideia que governos como fornecedores da moeda, formam um monopólio sobre a mesma e podem emiti-la sob forma física ou não. Buscando compreender o sistema atual, foca na criação e maximização de critérios de emprego e pela sua escassez, colocando-os sobre benefícios econômicos; aí a porca torce o rabo. Defende o salário mínimo, reforça atividades econômicas e sociais como educação, saúde etc, tentando criar situações de melhoria de vida à classe trabalhadora, por fim, pensa na igualdade de gêneros no trabalho. O problema de tudo isto é que a escassez de oferta de vagas de trabalho, acaba por levar a perda das condições sociais adquiridas ao longo do tempo.
Guy Standing da Universidade de Bath, Inglaterra, em seu livro ‘A Precariedade- nova classe perigosa’ nos apresenta o Precário ou aquele que vive em péssimas condições, que não alcança seu propósito, vivendo de modo incerto ou arriscado. Em decorrência à crise financeira e de políticas de austeridade formou-se uma nova classe social, a que chamou de Precariedade. De características peculiares como inconsistência e debilidade na garantia da subsistência, à um passo da exclusão social ou pobreza absoluta. Sua alvorada é a liberalização econômica, lutando em formações sectárias, amargurado e irritadiço, emocionalmente inseguro, circulando por postos instáveis de trabalho. Não há no precário perspectiva profissional, já que por apresentar níveis de escolaridade acima da média, pela posição social na classe média, se desloca em direção à pobreza. O precário busca espaço social em atividade não remunerada, a partir daí, abrir uma oportunidade profissional. Quando encontra trabalho, este se mostra sem benefícios sociais pela crise sistêmica de oferta. O autor identifica na precariedade, armadilha sem controle sobre seu tempo, sem segurança econômica e individual.
O trabalho vive período de degradação por conta de transformações tecnológicas e culturais, com forte queda na demanda e fechamento de postos. Constata-se que a solução até então encontrada chama-se desoneração, com consequente perda de direitos trabalhistas adquiridos ao longo dos anos. Em paralelo, deixa de ter cara jovem em prol de uma mais madura e em breve, envelhecida. Há Necessidade de urgentes alternativas que passam pelo monopólio monetário e dívidas galopantes que determinam saídas dolorosas. Tal como mercados agrícola, da construção civil, ou industrial, é urgente um mercado ambiental que ocupe pessoas com atividades inovadoras pouco exploradas neste setor, talvez conscientizando como anti mercado ou de reciclagem, ainda tímido. Vale a suspeita que tudo é transitório, sacrificando a geração presente, pois avança a mudança de perfil na oferta de ocupações, à custa do rápido envelhecimento populacional. Enquanto isso a vida segue.

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Forma e conteúdo

Consideremos conteúdo como o que está contido ao alcance de nossa percepção, o teor de algo. Dentro da ideia de conteúdo, Joseph Nye de Harvard criou o conceito de poder de convencimento ou Soft Power, a capacidade em influenciar indiretamente via atração ou persuasão, o comportamento ou interesses de outros. Lógico que vale para todos os setores da vida incluindo estados etc. No seu livro Soft Power meios para o sucesso na política mundial, busca distinguir efeitos culturais sutis, de valores e ideias, no comportamento de outrem. No caso específico de países foi criado um índice englobando características objetivas e subjetivas, com primazia à governos, cultura, compromisso, clima de negócios e educação. Acrescente-se ainda, tecnologia, popularidade da culinária e simpatia do povo. Por fim, o índice é liderado por EEUU, seguidos por Inglaterra e Alemanha. A Rússia aparece em 27º lugar depois China e o Brasil em 24º.
A Forma trata da configuração de algo, pelo método e variáveis, o que não pode ser percebido com facilidade dentro de um sistema coerente conhecido. Trata-se de realidade transcendendo impressões sensíveis, que define algo, estruturando e delimitando a essência. Por conta desta premissa, pouca importância se dá ao fato que na Palestina ocupada pelos ingleses, organizaram-se grupos extremistas visando a libertação e criação de um futuro estado judeu. Por conta da derrota nazista e o Holocausto, a ONU declarou os estados de Israel e Palestina, sendo o terrorismo o maior inimigo de Israel e uma das justificativas para não se chegar a um acordo com os Palestinos. Na segunda guerra por conta da invasão nazista da França e do governo entreguista de Vichy, coube aos militares, principalmente estacionados na Argélia, a resistência aos nazistas com atos de sabotagem e terrorismo explícito. A história nos alerta que o preferido de Eisenhower para chefiar a resistência, vinha da Argélia, em detrimento a De Gaulle que acabou por se impor. Tal fato ocorreu, pela proximidade do futuro herói francês como subalterno e de confiança de Vichy; aqui, a realidade nos ensina como a forma se compõe à vista dos acontecimentos.
Todos admitem que o terrorismo no contexto da forma, muito utilizado como tática militar na Palestina e nas guerras em geral, acaba por incorporar-se nas sociedades como conteúdo de solução à questões de difícil encaminhamento. O fascismo ainda vivo, defende justamente isso, a violência como arma politica, sem a necessidade em se apresentar com carros bomba. A deformação do conteúdo sempre aflora em nossa consciência pela memória residual como opção à soluções não empreendidas. Fato é que, acontecidos ou não, conteúdos associados à realidade emergem do inconsciente, moldando-se lenta e progressivamente até se tornarem eventos cotidianos. Ataques suicidas feitos pelos pilotos japoneses, considerados heróicos pela nação, banalizados em nossos dias pelo ódio e superficiais conteúdos religiosos, resultam de fragmentos de memória, forma, conteúdo e deformação.

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