O mais próximo

Por constituição o ser humano é um ser social, daí a convivência, que trata da ação em viver na companhia de outro. A interação pacífica e harmoniosa num mesmo espaço é nescessária ao bem estar e saúde do indivíduo. As dificuldades na convivência podem ser sociais culturais econômicas e etc, que baseados no respeito e solidaridade, deveriam ser superadas. É consenso que a convivência inicia na proximidade e queiramos ou não, os mais próximos são nossos familiares. Todos concordam que a convivência com o outro só terá lugar com a tomada de consicência do ‘Eu’.
A realidade diante transtornos mentais apontam ao cansaço, tristeza, frustração e ao medo, que abate os próximos à doença, além do estigma que se estabelece sobre o doente, como se inserido na seleção natural de Darwin. Os momentos difíceis dos parentes ou cuidadores dos que sofrem transtornos psíquicos, acabam por contaminar como algo infeccioso, com certo grau de morbidade, visto principalmente em estados depressivos. O fator mais importante na família do doente é o próprio doente, que afeta a dinâmica familiar pela intensidade dos sentimentos gerados.
A ONG britãnica MIND dedicada à saúde mental, sugere aos próximos dos casos de transtornos psíquicos, algumas atitudes que talvez possam ajudá-los a enfrentar o difícil conviver: manter-se saudável via alimentação adequada e regular, descansar o suficiente e alguma atividade física. Compartilhar a dor com iguais, de preferência por meio mais fácil. Aconselha alguma técnica de relaxamento buscando preservar a própria saúde mental. Manter a vida organizada visando algum imprevisto em relação a medicamentos ou telefones de emergência. O mais urgente da convivência que envolve pessoa com desarmonia psíquica no espaço comum e aos próximos a ele, a intensidade de emoções, em muitos casos desestrutura a todos. Além do sofrimento pessoal em si, vem à tona frustações individuais, sonhos e projetos muitas vezes desfeitos. O que dizer? O que fazer à mais, além de aguardar, quem sabe, dias melhores.

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Adicto

A história nos ensina que os ingleses, consequente a segunda fase da revolução industrial no século XIX, por necessidade de matérias primas baratas e busca de mercado consumidor à seus produtos, miraram o olhar ao Oriente, especificamente China e Índia. Consequente ao desinteresse chinês em comprar produtos ocidentais e o interesse ocidental por chá, seda e porcelana, o comércio entre os dois países tornou-se deficitário aos ingleses. Por conta da desvantagem, passaram a pressionar os chineses combatendo suas restrições ao comércio exterior. Os indianos, abertos e produtores de ópio junto aos turcos foram a salvação inglesa, que ao introduzirem a droga na China conseguem equilibrar a situação. Em 1835 o ópio ocupava no mercado chinês volume anual equivalente a um grama para cada um dos 450 milhões de chineses, ou metade das exportações inglesas ao país. O resultado foi corrupção enfraquecimento e duas guerras, com vitórias inglesa, ocupação de Hong Kong e liberação dos portos ao comércio do ópio.
Nesta ideia de estupefacientes, o escritor Norman Ohler no livro ‘A Grande Ilusão’ fala do papel exercido pelas drogas na Alemanha Nazista. O Pervitin (meta anfetamina), fabricado no país em 1937 foi distribuído às forças armadas, fala na íntima relação de Hitler com a cocaína, heroína e meta anfetamina, em suma, psico estimulantes. Diga-se de passagem que a indústria farmacêutica alemã cresceu tornando-se uma das maiores exportadoras de opiáceos, ou, derivados da morfina e cocaína. No caso específico do lider nazista, sua relação com drogas, segundo o autor, começa com o uso de vitaminas e glicose injetável e ao se unir ao médico Theodor Morel, passa ao uso supervisionado de substâncias estimulantes mais eficazes, quando a campanha na Rússia começa a fracassar. Inicia-se aí, o uso de hormônios esteroides e barbitúricos, segundo documentos do Dr Morell, Hitler tomou cerca de 800 injeções num espaço de 1349 dias. Neste período usou de modo contumaz o eukodal, analgésico opiáceo primo da heroína, agora chamado de oxicodona. Ohler escreve que aos SS foram distribuídos compostos à base de cocaína e eukodal, conhecido como speedball. O autor relata que a mistura mágica se espalhou no país entre pessoas comuns como donas de casa, atores e motoristas, visando melhorar a confiança e desempenho. No meio militar foi usada para combater o stress e a fadiga.
No caso alemão o objetivo da empresa farmacêutica era rivalizar o Pervitin com a coca cola. Ninguém discute que os narcóticos serviram para manter convicções nazistas que acabaram por afastá-los da realidade pelo delírio e irracionalidade em dominar o mundo. Até Mussolini identificou a fuga alemã da realidade ao tentar pular fora do barco e convencido do contrário pelo Fuhrer em julho de 1943. Já o caso chinês, além do domínio de um povo, havia o interesse comercial debilitando a sociedade como um todo. A grande realidade são os exemplos que estão aí ao lado da popularização das ditas substâncias proscritas. As bebidas energéticas disseminaram e não há competição esportiva sem estimulantes. O resultado passado foi brutalidade, fuga da realidade, objetivos e pensamentos delirantes, sem que tenhamos certeza que as lições, nos dois casos, sequer foram consideradas.

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Valores

Bertrand Russel explica que os valores são posicionados fora da ciência ou do conhecimento com ideias entre o bom e o ruim. Neles são expressas emoções sem indicações de verdade suscitando sentimentos. No campo científico, ensina o filósofo, se discutem causas e meios ignorando o falso e o verdadeiro tratados nas disposições éticas. Neste contexto insere a ideia da subjetividade sobre valores discordantes quanto ao gosto, mas não quanto ao gênero de verdade. Quer dizer, as divergências envolvendo valores são do mesmo gênero, mesmo que pensemos o contrário. Em complemento a Russel, Frondizi fala da necessidade de uma base aos valores ou qualidades, como beleza elegância utilidade etc. Conclui, dizendo que os valores apresentam como característica fundamental a polaridade, o que implica na ruptura com a indiferença ordenando-os de forma hierárquica.
Nesta ideia de valores se inserem grupos de pessoas apresentando conceitos em comum, visando alcançar excelência no desenvolvimento individual e coletivo. Trabalham auto-estima buscando satisfação nas tarefas diárias, seja em relação ao indivídual ou ao coletivo. Buscam, analizando as origens, consciência da intensidade de emoções e sentimentos. Procuram relacionar-se ao outro, trabalhando com todos habilidades de comunicação claras e decisivas, concordantes ou não. Além de manter a disciplina nas atividades diárias, modo pelo qual se atinge objetivos, buscam efetividade nas ações evitando adiamentos. Por fim, preservam a privacidade, protegendo desta forma, diversas dificuldades individuais da desnecessária exposição.
A questão envolvendo valores como um todo está em linha com as afinidades que reúnem os seres humanos, levando ao agrupamento em busca de proteção e desenvolvimento. Tal evento, por vezes se confunde com hostilidade ao próximo. É também real entre nós, que a luta pela vida sempre há uns mais outros menos posicionados socialmente, dando margem aos conflitos de valores. Decerto o viver necessita profunda análise individual e coletiva, para livrar o ser humano como um todo, do ciclo de confronto a que está inserido.

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Setembro passado

O jornal russo Siberian Times, relatou no início de setembro passado os efeitos adversos provocados pelo tufão Lionrock que atingiu o extremo oriente da Rússia e Japão. O Centro de meteorologia de Primorsky, avisa que se trata do mais poderoso evento deste tipo registrado na região nos últimos cinquenta anos. Com ventos de mais de 120 kms/h e uma pressão atmosférica de 965 hectopascais, causou inundações nunca vistas com declaração de estado de emergência, inviabilizando 1200 casas bloqueio de estradas e colapso de energia. Aqui uma peculiaridade: a região é dependente do uso de lenha como fonte energética, tornando soluções mais complexas.
Ainda o Siberian Times, nos avisa que em fins de setembro partiu uma expedição ao mar de Laptev liderada pelo cientista Igor Semiletov da Universidade de Tomsk, constatando pela degradação do permafrost (solo ártico eternamente gelado), aumento de emissão de metano ártico em relação a 2014. Trata-se de mega-emissões decorrentes ao degelo nas regiões mais frias, que acabam por liberar grandes quantidades de metano subaquático agravando o efeito estufa. Parece definitivo que o gelo impede a saída de metano das reservas submarinas, apesar de ainda não se determinar a quantidade armazenada e não se conhecer a intensidade do dano que provocará. Sabe-se que havia em 2014 mais de 500 campos emitindo gás na região, alguns com mais de 1km de diâmetro. Sabe-se ainda, que em 2013 era lançado na atmosfera ártica cerca de 17 teragramas de metano/ano (sendo 1 teragrama=1milhão de toneladas). Pela molécula do metano ser 30 vezes maior que a de CO2, o dano ambiental é muito mais grave e na Sibéria, a média de emissões é superior a média dos demais oceanos.
Os relatos do Siberian Times traz uma questão preocupante, além do desastre extremo de evolução súbita, destruidor e fugaz, temos  um grande limbo ambiental e uma constatação, mais que um evento grave, uma contradição, pela perda por escape de grande quantidade de energia. Ao lado do agravamento, aparentemente sem controle, parece que nada no momento pode ser feito para contornar danos locais e o pior, efeitos à distância que ninguém sabe ao certo como virão. Parece definitivo que o homem contemporâneo está em cilada inesperada de imprevisíveis consequências às futuras gerações. Surpreendido, assiste até aqui, passivamente.

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Ontem, hoje, amanhã

Ar água e luz são expressões de vida, já trabalho é movimento impulsionado por energia, enquanto fogo é purificação. Aí, alguns dos princípios que norteiam a maioria das coisas. Tais elementos transmutados desaguam no capital, que se refere ao essencial ou riqueza que produz renda e patrimônio. Em suma, não é só dinheiro o necessário à determinado investimento. Quanto ao trabalho, trata-se de movimento organizado necessitando energia à sua realização, que remete a produtividade ou tempo que se gasta na execução de determinada tarefa com menor dispêndio possível de energia. Trata-se de um conjunto de atividades realizadas, esforço de indivíduos, por determinada meta. A jornada de trabalho é o tempo que se investe na empresa e produtividade está afeta ao rentável ou relação entre recursos utilizados e produção final.
O marco histórico que divide e estabelece relações entre capital, trabalho, jornada e produtividade é a revolução industrial inglesa. Em 1810 o escocês Robert Owen estabeleceu em suas fábricas a jornada de 10 horas diárias, algo considerado privilégio, logo depois, o mesmo Owen estabeleceu as oito horas. As mulheres e crianças do Reino Unido em 1847, ganharam o direito à dez horas diárias e em 1848, os franceses conseguiram doze horas díárias de jornada de trabalho. Em 1840 a Nova Zelândia introduziu oito horas diárias e Melbourne em 1856. Nos EEUU em 1866, trabalhadores foram ao Congresso solicitar as oito horas. Enquanto isso, vivíamos sob regime de escravidão. Em 1919 em Barcelona houve uma greve pelo direito ao sindicato independente da empresa e neste mesmo ano, a Espanha estabelece por lei a jornada de trabalho de oito horas. Já a produtividade remete ao dia trabalhado e por tal, a empresa WorkMeter especializada em eficiência de negócios, avisa que na Espanha, por exemplo, para uma média de nove horas de trabalho, há produtividade de seis horas ou perda de 30%, a sexta feira é o dia mais eficaz com 87% e fevereiro o mês com melhor produtividade. Os alemães são os que passam mais horas no trabalho, seguido por dinamarqueses noruegueses e holandeses. A OCDE calcula em torno de 1770 horas/ano trabalhadas em média e nos países citados 1400 horas/ano.
Nestes fundamentos, se sedimentaram relações entre trabalho e capital ou empregados e patrões. O problema são as transformações ocasionadas pela tecnologia e inovação no modelo existente, modificando definitivamente o conceito de trabalho. Tudo devidamente associado a uma super oferta de mão de obra, especializada ou não, e um mercado limitado ou finito. Hoje, com crise de oferta, de mercado e trabalho, acoplada ao envelhecimento da população, com bem sedimentadas relações trabalhistas, se abrem discussões sobre mercado de trabalho, trabalho e envelhecimento ou aposentadoria. É a vida que peregrina.

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Diagramas, ciclos e simetrias

Por melhor entendimento, relembramos alguns conceitos matemáticos, como topologia sendo o estudo dos espaços topológicos (topos-lugar, logos-estudo) designando família de conjuntos. Já espaços topológicos, buscam formalizar ideias de convergência continuidade e conexidade. A ciência nos ensina ainda que o cérebro apresenta substância cinza, onde se processam as informações e a cognição. Já a substância branca, transmite informação pelos axônios, ou extensões neuronais, por diferentes setores, até os corpos das células localizados na parte cinza. Ao conjunto de conexões neuronais entre diferentes segmentos da parte branca, chamamos conectoma. A matemática busca ainda unir a topologia e a álgebra dando origem a topologia algébrica, meio pelo qual se permite encontrar ciclos e ligações entre as conexões cerebrais, abrindo frentes de investigação à neurociência e inteligência artificial.
Ann Sizemore, cientista da Universidade da Pensilvânia, pesquisando o conectoma a partir do conceito de difusão aquosa, vista no cérebro por ressonância magnética e chamada de tactografia, observa em imagens digitalizadas, a direção das fibras pela cor obtida no espectro de difusão. A partir de estudos tridimensionais por técnicas de topologia algébrica, obteve diagramas de rede e ampla gama de ciclos, indicando o provável caminho de comunicação neuronal. Os diagramas remetem ao conectoma como ligações neuronais, indicando papel importante no aprendizado e coordenação da atividade cerebral. O estudo dos diagramas nas simetrias, por serem persistentes nas diferentes escalas, chama-se homologia.
A evolução dos conceitos acima, decerto lançará esperança na retirada da psicologia e psiquiatria do empirismo opaco em que vivem. Pobres em instrumentos diagnósticos, manifestações do pensamento poderão, quem sabe, através do estudo dos diagramas ou dos ciclos, da difusão aquosa no cérebro por cores e simetrias, dar clareza ao setor. Diferenciar tristeza de depressão, os diversos tipos de demências, déficits de atenção infantil, psicopatias e inimputabilidade penal, incorporariam padrões diagnósticos até então dependentes da prática diária do profissional em questão. Mais à frente, talvez diagnosticaríamos, os mentirosos, trapaceiros, ou mesmo os que debocham da vida, que sob o nome de esperteza, abusam da nossa confiança e paciência.

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Aparências

O ergotismo ou fogo de Santo Antônio é uma praga medieval produzida pelo ergot, um fungo que se desenvolve no centeio com prevalência em regiões frias e úmidas, daí, a presença na França, Rússia e Alemanha. As alterações mais importantes são alucinações, convulsões, dores abdominais, necrose, gangrena de braços e pernas, dando origem ao apelido de fogo do inferno. A história nos fala ainda que os doentes perambulavam na rota de Santiago de Compostela, que pela ausência de centeio contaminado na alimentação, os casos menos graves acabavam por se curar, dando origem peregrinar o caminho como terapêutica. O Claviceps purpúrea é o agente infectante, que ao se proliferar, libera ergotamina e derivados do LSD provocando alucinações. Prova disso, em 1938 Albert Hofmann sintetizou a dietilamida do ácido lisérgico e a experimentou, apresentando alucinações visões luminosas e coloridas. O barato, interpretado como “imagens fantásticas, formas extraordinárias com padrões de cores intensas e caleidoscópicas,” na Idade Média, seria visto como experiência mística.
Ainda por conta das aparências, a história ensina que os ingleses durante a segunda guerra, possuíam um departamento especializado em espionagem, sabotagem e propaganda. Tudo com o objetivo em torpedear o regime nazista. Daí, produziram selos com a figura de Himmler, o chefão da SS, no intuito de disseminar a ideia que tal feito fora por ele produzido, visando afrontar o líder máximo nazista. Para tristeza inglesa, não gerou o efeito desejado pela naturalidade com que fora recebido no país. Mandaram distribuir na Suíça buscando emplacar o embuste e nada. Quem acabou acreditando na armação inglesa foram os americanos.
Os exemplos acima são fragmentos de memória inconsciente que se espalham na realidade, envolvidos e modificados por ela, sem conseguirmos decifrar o primordial significado; daí, suposições e aparências. Eventos que se transfiguram em métodos, aplicados no cotidiano, sob forma de sabotagem e propaganda assumem objetivos destrutivos. Através dos tempos, levamos anos criando memória que se exprime em aparências e outros tantos desfazendo distorções que formatamos no inconsciente. Ainda trilharemos caminhos alternativos vivenciando danos contabilizados.

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