Aquilo que se mostra

Filósofo e matemático, Edmund Husserl criou um método de investigação chamado Fenomenologia, que estuda a consciência e os objetos inseridos em si mesmo. Do grego phainesthai (aquilo que se mostra ou se apresenta) e logos (explicação, estudo). A Fenomenologia reagiu ao ocaso da metafísica combatida pela filosofia e ciência do século XIX. Outro conceito nela inserido, refere-se a tudo que se relaciona aos sentidos muda por experiências de consciência ou fenômenos de experimentação de algo. As experiências de consciência, segundo Husserl, são atos, coisas, pensamentos, sentimentos, fantasias, etc. O que sabemos do mundo resume-se a esses fenômenos, objetos ideais existentes em nossa mente, designados por palavras que representam sua essência ou significado.
Dizia que o método científico tem sucesso no estabelecimento da “verdade provisória” útil e com validade até um fato novo mostrar outra realidade. Nisto, se insere o princípio da contradição como impossibilidade de associação e dissociação simultâneas, referindo-se a verdade do que é pensado. Husserl, avisava ainda que o historicismo deriva no relativismo tornando-se incapaz do pretendido rigor da verdadeira ciência. Propunha que as vivências, consciência dos objetos estudados, deveriam corresponder ou não à objetos do mundo externo em nossa mente, dando aí, espaço à combatida metafísica. Já a fenomenologia, não avalia o mundo, mas o modo de conhecimento que se realiza em cada ser; concentra-se na experiência em si por tratar-se da realidade fenomenológica.
Por conta das ideias acima, com segurança, o maior evento fenomenológico do século XX, invadindo o século XXI foi o da emancipação feminina, desaguando na busca pela igualdade de gênero como um todo. Há que se considerar que o objeto do fenômeno baseou-se na questão econômica pelo avanço neste quesito. Para os mais abastados, melhores oportunidades e consequente mais respeito. Apesar dos insucessos, sendo o mais evidente a diferença salarial entre homens e mulheres, ou mesmo sua menor presença nos postos de mando, conquistas sociais foram atingidas. O desafio na igualdade de gênero ou conquista de oportunidades iguais, está na libertação do círculo de fogo econômico que prende a questão. Há que se considerar que não se pode aguardar todo o gênero feminino galgar um patamar econômico que permita respeito, daí, livrar-se das amarras financeiras. Não perder conquistas já conseguidas, apesar do desgaste econômico dos últimos tempos, é outro desafio a se afrontar.

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De Atenas à Marx

A política é o foco da sociedade na democracia e direito, desenvolvendo-se a partir de parâmetros sociais e necessidades desta sociedade. Daí surgem os movimentos sociais cada um priorizando sua demanda. Não se pode pensar em política sem os gregos, na verdade, seus precursores. Toda a atividade política grega baseia-se na liberdade apesar de não estendida a toda a população; só participavam os homens ficando os estrangeiros e as mulheres de fora. A origem do termo política se encontra na pólis cuja atividade não tem relação com a cidade estado. A pólis era o modelo de cidade grega baseada em um conjunto de cidadãos e não a configuração jurídica do estado. Daí compreender que a pólis seriam povos organizados constituindo leis que regem a sociedade. Por fim, para os gregos, política torna-se o elo que constitui a sociedade. Segundo Aristóteles, política associa diversas ciências visando o bem supremo dos homens, surgindo daí, um ideal coletivo agregado a ela e sujeito à várias necessidades do povo. Fundamentando que a transformação do homem em cidadão se faz pela ética como pedagogia.
No caso romano, a política é centralizada com domínios predominantemente de interesses particulares e monopólios sobre riquezas. O estado governaria em favor de uma classe se impondo sobre os interesses dos demais. As relações entre senhor e subalterno é examinada no direito romano, além da não interferência na propriedade privada, de interesse das classes dominantes, originando daí, relações entre militares, burocratas, corrupção e repressão. Esta forma de estabelecimento levaria ao ocaso de Roma. O renascimento nos mostra a exuberância de Maquiavel, com lições de política para conquistar e manter o poder. A principal característica do príncipe é a virtude que viabiliza a prática da conquista política, defendida como acessível a todos ou a arte do possível. Maquiavel e suas ideias acabam por influenciar a burguesia emergente. O virtuosismo do príncipe encaixa de forma eficaz na estrutura de poder do estado, com a força e astúcia do governante diante a justiça e em relação aos governados. A questão pensada por Maquiavel, estaria nas condições de governança levando ao sucesso ou fracasso do estado. Já Marx, via necessidade de submissão estatal ao comportamento e interesses de uma classe, surgindo daí a luta de classes, deslocando a atividade política a partir do estado. Dá significado político às classes sociais, passando o estado a ser moldado pelos objetivos da sociedade que governa. Dominantes e dominados, segundo ele, se relacionam como exploradores e explorados.
Se fôssemos pensar na democracia brasileira, com facilidade identificaríamos vários dos elementos acima evidenciados. Se questionássemos nossa sociedade sobre o que quer, decerto a resposta seria uma democracia ateniense com a participação de todos ou a verdadeira pólis. Relações do direito romano sem suas mazelas e por fim, valores de Maquiavel no relacionamento político e íntima compreensão marxista facilitando entendimento entre as partes. Infelizmente o que temos são respiros de democracia, interpretações tendenciosas de princípios gregos e romanos, um Maquiavel ágil na pilhagem e lento na justiça. Nos sobra um marxismo violento e justificativo, unindo pela força mais bruta a agressividade da direita e da esquerda.

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Juros e impostos

Juro, dinheiro e impostos parecem questões ainda não resolvidas através das gerações. Aristóteles dizia ser o dinheiro criado para facilitar trocas de mercadorias e dinheiro nascido de dinheiro via juros era antinatural (talvez o termo ‘insustentável’ estaria mais em linha com a modernidade) pois não deriva da troca de produtos. Referindo-se a propriedade privada, Rousseau dizia que surgiu quando alguém disse ‘esta terra é minha’ e os demais acreditaram, originando a partir daí, dinheiro e juros; verdade ou não só ele poderá nos dizer. Sob a ótica econômica juro é a remuneração que se paga quando se toma um empréstimo. Sob o ponto de vista jurídico é o preço que se paga pelo uso do capital. O juro é simples quando se paga remuneração sob o principal que não varia, quando aplicada sob o principal com valores variáveis contados por períodos de apuração é chamado de composto. No juro composto ocorre a capitalização, ou, a incorporação de juro ao principal o mesmo que juro sobre juro. O juro é revestido de carácter compensatório e remuneratório em que se paga o tempo que o credor fica sem seu capital, além do risco em não recebê-lo, definido por taxas de remuneração. Modernamente há no juro relação entre o dinheiro (instrumento de transação) e o tempo que fica retido, daí a ideia de juro composto. O Juro se relaciona com acumulação da moeda e sua  desvalorização. Por conta disso, tornou-se instrumento de políticas de desenvolvimento.
Do ponto de vista histórico a ideia de juro nos remete aos Sumérios há 3000 A.C. Vale dizer que foram criados visando a compensação pelo uso do dinheiro alheio. Condenado na Torá ou Deuteronômio (100 A.C.), Alcorão ( 622 D.C) e por Papas tendo até uma encíclica tratando da questão. Bom lembrar que no caso judaico só se cobraria juro de estrangeiros. Max Weber em ‘A Ética Protestante e o espírito do capitalismo’ diz que o desenvolvimento ocidental se relaciona à permissão da cobrança de juro pelo protestantismo, prova disso é o desenvolvimento adquirido pelo norte da Europa. Os filósofos do século XVII liderados por Montesquieu ao lado de Calvino, consideravam adequado a compensação pelo uso de capital de outro, ressaltando que fosse em bases moderadas sem configurar usura ou agiotagem.
Na modernidade, juro e imposto continuam sob exame, seja pelo excesso seja pelo mal uso. Ninguém contesta a necessidade de estados com contas equilibradas. No STF discute-se o cálculo de dívidas dos estados por juro simples, com os contrários dizendo que a conta ficaria com o contribuinte. Caso o STF entendesse que juro composto nas dívidas é excessivo caracterizando usura, decerto tal decisão em carácter vinculante valeria para governo federal, previdência e sociedade civil privada. Seria prejuízo social tal decisão? O sistema econômico mundial dá sinais de estagnação e desgaste da economia convencional. Urge construir um mercado verde ocupando pessoas que se desocupam na economia convencional, com remuneração atrativa por moeda virtual não convencional em que bancos ganham na conversão não especulativa. Coleta de lixo comum e tóxico, recolhimento de pneus, desmonte de eletrodomésticos veículos e celulares reabasteceriam o mercado de reciclagem, recolhimento de embalagens agrotóxicas, regeneração de mananciais com replantio e reflorestamento. Tudo pela economia colaborativa, que está aí querendo crescer, já que a convencional parece dar sinais de desgaste. Se nossa menina dos olhos é o mercado de capitais ancorado no dólar, por que não um mercado verde ancorado em moeda virtual atrelada ao ouro?

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Muros e clima

A IPCC avisa que Bengladesh é um dos países mais vulneráveis às alterações do clima por conta da elevação do nível do mar, aumento do índice de chuvas e ciclones tropicais. Tais eventos causam forte impacto na agricultura, no abastecimento de água, na segurança alimentar e nos abrigos populacionais. Calcula-se em 31 milhões os refugiados climáticos pela elevação do mar. Como se não bastasse, uma curiosidade macabra atinge o país por conta dos terremotos, indicando que a atividade tectônica causou importantes mudanças no curso dos rios, sem falar na contaminação da água por arsênico.
A ONG bengali Unnyan Onneshan nos avisa que na região costeira nacional, até 2100, o nível do mar aumentará um metro atingindo 25 mil kms² e deixando milhões de pessoas desabrigadas. Por conta do aumento dos ciclones o número será de 8 milhões de desabrigados. O caso da baía de Bengala vem à tona pois geograficamente fica em um delta baixo, entendendo delta como foz de rio com vários canais ou braços favorecendo acúmulos de areia. O delta e a força das marés já atingem rios localizados em áreas elevadas, por conta do acúmulo de um bilhão de toneladas de sedimento, entendido aqui, como areia e poluentes.
A solução vem através de obras de engenharia como a construção de muros de contenção ou reforma dos já existentes, insuficientes para evitarem a perda de terras cultiváveis. Calcula-se que U$ 2 bilhões serão necessários para construir ou reformar tais muros de contenção. Só os holandeses conseguiram ganhar terreno do mar à custos astronômicos e trabalhando anos à fio. O sul da Ásia, além da ingrata luta com a pobreza, terá grandes dificuldades com o agravamento da situação ambiental. Espera-se que não.

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Mito, poder e propaganda

Mito é narrativa que utilizavam povos antigos buscando explicar fenômenos naturais incompreendidos por eles. Pela simbologia, personagens sobrenaturais, deuses, focados em fatos reais se espalhavam de boca em boca através das gerações, aí, se inserindo a propaganda. A lenda trata de narrativa misteriosa ou sobrenatural, somente. O poder constitui a deliberação arbitrária, mando ou capacidade em exercer autoridade ou soberania. Constitui direito em deliberar, exercício de autoridade ou posse de um domínio com influência ou força. A força pode ser ação da propaganda ou disseminação de ideias que mantem ou levem ao poder. A história ensina que a revolução industrial inglesa transferiu o poder da aristocracia à burguesia e assistiu o poder político ser arrastado pelo poder econômico. Com a evolução do processo, a burguesia acabou por sentir-se ameaçada pelo cidadão comum. É nesta transferência de ideias, que se insere a propaganda como sopro criativo da sociedade.
Edward Bernays, no livro ‘Propaganda’ fala que o propagandista compreende o mecanismo controlador dos desejos de forma empírica, conseguindo resultados positivos em sua empreitada na sociedade moderna. Avisa que na sociedade democrática, hábitos organizados e opiniões são conscientemente manipulados. Tal processo, segundo o autor, se faz por oculto mecanismo que acaba por constituir-se em governo invisível, tornando-se um verdadeiro poder regulador. O processo social molda as mentes pelos gostos formados, ideias sugeridas que acabam por nos governar pelos que não vemos e muito menos ouvimos falar. Deste modo a democracia se organiza, arrastando as massas que pretendem viver socialmente em conjunto. Não importa qual a verdadeira importância dada a propaganda nos diferentes eventos estimulantes da sociedade nos campos político, financeiro ou industrial. Fato é, concluindo, que a sociedade necessita deste recurso como executora do chamado governo invisível.
A história humana está repleta de exemplos em que a propaganda é a chama que aquece a sociedade na busca pelo poder e sua consolidação, através de mitos e lendas que acabam por se desfazer pela ação da vida no seu devido tempo. Talvez o maior engano da modernidade tenha sido acreditar que o avanço tecnológico nas comunicações, pela facilidade dos satélites e disseminação da imagem via televisão, daria a seus detentores um poder quase definitivo. Chegaram a pensar que conseguiriam o domínio da vontade das massas, até serem atropelados pela internet que democratizou o acesso a informação. A mudança direcionada dos costumes, o controle de vontades e opiniões, deverão ficar para uma próxima etapa, restando adaptar-se à convivência ao outro. A vida é isto aí.

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Nada como antes

Não se tem conhecimento na aventura humana, história em que uma sociedade prosperou por conta de algum conflito, que por ventura, tenha se envolvido. Os relatos giram em torno da dor, sofrimento, da dilaceração familiar, abandono, morte, tudo devidamente agravado pelo declínio econômico, destruição agrícola, de pastagens e exílio em massa. A medida que se tornam crônicos, progressivamente campos de refugiados proliferam, exibindo tensões entre os diferentes grupos ali conviventes, muito por conta dos escassos recursos. Passa pelo normal mortalidade infantil em descontrole, sequestros de mulheres e crianças ou morte prematura pela desnutrição ou enfermidades controláveis. Insegurança alimentar, duas palavras que tomam corpo mundo afora, ao lado de fome miséria e morte.
Ao lançarmos um olhar sobre as guerras em geral, melhor dizendo, conflitos envolvendo sociedades e povos, os danos à infraestrutura de início atingindo escolas, impactam diretamente no desenvolvimento das gerações futuras. Na infância, desnutrição de forma aguda ou o recrutamento por grupos armados, determinam prejuízo mental nas gerações aí envolvidas. As crianças abandonadas são fator decisivo na falta de educação, por morte ou abandono dos responsáveis. A Maternidade em idade mais precoce pela ignorância ou desproteção, acarreta descaso e prematuridade no parto; um alvorecer humano em perigo psicossocial.
A paz talvez seja a convivência tolerante entre diferentes, com aceitações variadas e consequente tensão entre eles. Nesta premissa, nações em conflito, não se pacificam com tratados como num passe de mágica. Existe um processo de construção social, como na Bósnia por exemplo, em que inimigos étnicos e religiosos com ressentimentos milenares, tiveram que aos poucos, convergirem socialmente. Sob o ponto de vista social, além de crise econômica, experiência com especuladores, carestia e toda uma infraestrutura destruída, como escolas e hospitais, se perdem gerações. Recomeçar a vida com objeções humanas, materiais ou não, ódios, desrespeito ao outro é a questão à se colocar. Convivência pacifica com antigos inimigos, esquecendo crimes cometidos, mostra que o pós guerra é tão doloroso quanto o próprio conflito. Mais complicado é saber que em sociedades consideradas pacíficas, muitas vezes, os níveis de convivência e tolerância são bem menores que aquelas em fase pós conflito e de forma surda e silenciosa, preservam altos níveis de tensão social.

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Segurança alimentar e fuga

Em relatório lançado pela FAO na Somália analisando segurança alimentar e desnutrição, informa que a situação é dramática especialmente nas regiões de Puntland e Somaliland, duramente atingidas pela seca do ‘El Nino’. Avaliam ainda que na região de Deyr, também na Somália, chuvas abaixo da média colocam sob pressão o gado por conta de escassez de pastagens e deslocamento populacional em torno de 70%, pela sobrevivência familiar e dos animais. Quanto aos cereais, tiveram quebra de produção em 87% abaixo da média dos últimos cinco anos; quer dizer, no desastre humanitário o pasto tornou-se fator à mais. Para agravar, os vizinhos Etiópia e Djibuti recebem deslocados, colocando sob pressão suas pastagens, daí, conflitos entre as populações humanas. Traduzindo em números, temos 4,7 milhões de somalis necessitando assistência humanitária, 950 mil carentes em situação aguda de insegurança alimentar. Concluindo, 68% dos deslocados internamente estão em necessidade alimentar aguda e em 2016 este número será de 3,7 milhões de pessoas. Na infância serão 305 mil crianças em desnutrição aguda, sendo 58.3 mil com risco de morte.
No caso do Sudão do Sul o saldo do atual conflito são dois milhões de deslocados ou mortos, difícil acesso à água e alimentos, sem falar em danos materiais à infraestrutura. Apesar do acordo de paz firmado em 2015, a violência continua atormentando quase todo o país. Um detalhe sobre os conflitos na África é que a violência além de institucional entre governo e grupos armados, ocorre entre comunidades rivais por conta da invasão de pastos, tudo devidamente agravado por um poder judiciário totalmente ausente, favorecendo deslocamentos forçados. Uma em cada cinco pessoas são forçadas a fugir num total de 2,3 milhões e desde o início do conflito, deslocaram-se 1,66 milhão de pessoas com 53,4% de crianças e 644 mil nos países vizinhos.
Diremos que na África verdadeiramente se encarnam os três Cavaleiros do Apocalipse, evidenciados no ódio, miséria e doença, aqui, compreendido como mal físico e ambiental, constituindo a fórmula exata à tempestade perfeita. Como amostra, constata-se que vários pacientes soro positivos de AIDS ao se deslocarem, abandonam o tratamento e não mais retornam. Vale ainda pensar que a riqueza chamada Petróleo, não retirou da miséria pobres e emergentes. Os melhores exemplos estão na América Latina e África. O detalhe é que não sabem explicar com clareza o que andaram fazendo com o dinheiro ganho no eldorado da commoditie. Apesar de tudo, vale ressaltar casos bem sucedidos como do rio Shebelle, que por conta de trabalho preventivo, reduziu os efeitos danosos do El Nino, utilizando-se de técnicas de armazenagem de grãos e aproveitamento das águas pluviais, conseguindo daí, sobrevivência. Mirando aqui, o futuro.

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