A trilha

Descrevendo organizações mafiosas, Carlo Gambetta diz que a longo prazo não se pode competir com alguém que não precisa de empréstimo para se financiar, cuja fonte é inesgotável e o lucro fácil. Quanto mais “grana suja” acessa o sistema bancário internacional, mais difícil fica identificar sua origem. Pela natureza clandestina da lavagem de dinheiro é incerto medir o volume lavado, calculando-se entre 2 a 5% do PIB mundial/ano, coisa na casa dos 800 bilhões a 2 trilhões de dólares ou o PIB brasileiro. Governos discursam que interessa transparência fiscal e financeira, com prevenção no uso de veículos corporativos para todos os crimes, enquanto ao setor privado cabe o discurso da legalidade. Nas últimas décadas pelo desenvolvimento do sistema financeiro internacional houve grandes avanços nas informações financeiras, tecnológicas e de comunicação. Mobilidade financeira se faz com rapidez e facilidade aos quatro cantos enquanto encontrar dinheiro sujo, congelá-lo, confiscar os rendimentos e bens criminosos tornou-se trabalho cada vez mais complexo.
Especialistas de forma didática falam em três etapas na lavagem do dinheiro. Indo da colocação ou posicionamento via transferência eletrônica, seguida do disfarce em camadas ocultando a trilha frustrando a perseguição e por fim, a reintegração do dinheiro lavado ao criminoso. O dinheiro ilegal tem diversas origens, sendo o tráfico de drogas de caráter especial pela opção preferencial pela violência. Tráfico de drogas é o comércio ilícito que envolve o cultivo, fabricação, distribuição e venda de substâncias consideradas proibidas pela saúde pública, diga-se de passagem, a proibição é porque danifica a saúde e a obrigação dos órgãos a ela ligados é essa mesmo, normatizar o uso. O órgão da ONU que trata da questão é o UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime) que monitora de forma contínua, pesquisando mercados globais e compreendendo as suas dinâmicas.
Em relação a heroína, derivada da papoula, em 2008 apreensões globais atingiram recorde de 73,7 toneladas com o detalhe que maior parte foi no Oriente Próximo e Sudoeste da Ásia com 39% do total, sendo no sudeste da Europa foram 24% e na Europa Ocidental e Central 10%. O aumento das aprrensões globais entre 2006 e 2008 se deve a apreensões no Irã e Turquia, período pré crise da Síria e Trump, sendo que em 2008 e nos anos que se seguiram, estes países apreenderam mais da metade da heroína confiscada no mundo. Estima-se em 340 toneladas o seu consumo anual e com apreensões o fluxo estaria em 430/450 toneladas, sendo 50 toneladas do ópio ou sua matéria prima são de Mianmar e Laos e 380 toneladas oriundas do Afeganistão, com 5 toneladas para consumo interno e o restante para exportação que em valor aproximado chega 13 bilhões de dólares por ano. Já a cocaína, com números de usuários semelhante aos do ópio ou em torno de 17 milhões no mundo (dados de 2008), tem nos EUA seu maior mercado com mais de 40% do consumo ou 470 toneladas. Originária da Colômbia consequente a fatores de favorabilidade ambiental, chega por mar ao México e América Central e por terra ao Canadá e EUA, associada ao tráfico humano. A UE responde com um quarto do consumo total e ao lado de americanos por 80% do mercado ao valor de 88 bilhões de dólares, no caso europeu é oriunda do Peru, Bolívia e Colômbia. Para concluir, entre 2002 e 2005 houve um aumento significativo de apreensões, se estabilizando em 2007 na casa das 711 toneladas/ano.

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