Equação da energia

A UNCTAD ou Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, informa que 60% dos países mais pobres do mundo não possuem acesso a eletricidade, ou, 577 milhões de pessoas. Isto impacta no desenvolvimento já que 40% das empresas, segundo a UNCTAD, nestas regiões apresentam acesso energético inadequado instável a preço incompatível, na prática, dez apagões por mês podendo durar até cinco horas, representando 7% das vendas empresariais. Há nesta questão um déficit de 1,5 bilhão de dólares em investimentos e num total de 50 países, 33 estão na África nestas condições. A necessidade de investimentos está na casa de 14 bilhões de dólares/ano triplicando o acesso a eletricidade. O problema da equação energética é o petróleo e carvão e pelo crescimento exponencial da demanda, a escala conseguida com energia nuclear, eólica, solar e hidráulica não fecha a conta. Com potencial de fornecimento 11,6 mil vezes maior que o consumo atual, a energia solar encontra obstáculos no crescimento com poucos exemplos de impacto como o Chile liderando o uso de renováveis e a ilha Canária de El Hierro com 100% no uso da energia limpa.
A realidade indica que apesar das críticas há grande aceitação da energia nuclear como não agravante do efeito estufa, por conta de relatórios decorrentes dos desastres de Chernobyl e Fukushima. A questão do lixo atômico e a contaminação radioativa coloca o procedimento em dilema. Há fortes suspeitas de negligência no trato de materiais radioativos, com soluções pouco seguras ou mesmo paliativas. Vários países europeus por acordos comerciais, depositam seus resíduos na Sibéria sem que sejam bem conhecidas as condições de manutenção. O desastre de Fukushima contaminou o Pacífico até a costa canadense e Chernobyl espalhou radiação em parte da Europa. Diga-se de passagem, que o sarcófago definitivo na Ucrânia foi conseguido graças a empenhos pessoais e tenazes de agentes da Comissão de Energia Nuclear e não como política de estado dos envolvidos. No caso do plutônio, sub produto, a solução encontrada foi empobrecê-lo e fabricar bombas, levando militares a processarem o governo por conta de lesões genéticas em filhos e patologias como a fadiga crônica. Atentemos ao fato que a justiça inglesa reconheceu o nexo de causalidade entre contato e as patologias apontadas e negadas pela americana. A parte isso, o número de mortos das populações envolvidas em acidentes nucleares ao longo de 70 anos incluindo as bombas no Japão, gira em torno de 500 mil. Nesta ideia a China planeja a construção da maior indústria nuclear do mundo, desenvolvendo pesquisas de reatores a base de tório sódio e gás a altas temperaturas, dando impressão que a coisa veio para ficar.
A questão da manutenção pelos efeitos colaterais, decerto encarece o custo da energia mas a negligência causa prejuízos maiores. A retenção de resíduos nas mega barragens pode parecer coisa menor mas visto de forma ampla, certamente aceitaremos que os danos são maiores e o prejuízo incomparável. A energia fotovoltaica, vale lembrar, gera 300 vezes mais resíduos por quilowatt produzido que a energia nuclear, quer dizer, a seriedade na manutenção, trato dos resíduos e impactos progressivos no ambiente, não devem ser negligenciados pelos danos que acarretam; progressivos e em cadeia. Nos resíduos nucleares, a negligência do manejo entre os países desenvolvidos é preocupante. Na Alemanha detectaram resíduos de iodo 125 em cartas de baralho por conta de trapaça no jogo, identificadas por detectores de materiais radioativos. Na Rússia recentemente observaram nuvem radioativa sem que explicassem sua origem, apenas dizendo não ter havido nenhum acidente nuclear conhecido, indo o assunto ao esquecimento. A questão da interrupção do uso do carvão é urgente e necessária, pois é presente na siderurgia, indústria e produção de eletricidade considerando 7 milhões de mortos por conta da poluição. Obviamente que a questão do aumento progressivo da demanda necessita combate com uma transformação cultural urgente, pela amplitude e aceleração dos processos danosos do clima.

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