Real e imaginário

Não se consegue definir bem o pensamento mas tenta-se entender como se manifesta através das imagens. É fato que modelam a percepção individual ao redor do eu, sem dúvidas, expressão do espírito como veículo de conscientização e avaliador da realidade. Pesquisadores colocando eletrodos diretamente na superfície cerebral chamada de eletrocorticografia, descobriram que a região do córtex pré frontal coordena nossa reatividade a determinada percepção. Tal conclusão publicada na Nature, baseada em experiências de 16 pacientes com epilepsia que submeteram a cirurgia permitindo experiências com ECoG e com resultados melhores que eletroencefalograma. Por conta, observaram que processos neurais determinantes de emoção facial ou que permitem repetição de palavras, originam-se na córtex pré frontal.
A forma como o cérebro aprende ou pensa a informação, chamamos de cognição que envolve os cinco sentidos convertendo o que é captado em nosso uso, surgindo daí a interação com o meio e semelhantes. Nesta idéia a Universidade de Genebra nos apresenta estudo em que pacientes que confundem a realidade, não percebem que os eventos que falam nunca acontecem. Outro fato é o cérebro e suas conexões garantirem que pensamentos e comportamentos sincronizem com a realidade, diferenciando de fantasia. Em danos neurológicos como AVC a capacidade na distinção entre o verdadeiro e o falso, ou, passado e presente, se perde sem que nos apercebamos que determinada realidade suposta é falsa. Nas atrofias cerebrais também ocorre a ilusão fantasiosa de realidades inventadas, enquanto no cérebro normal antes de responder ao estímulo, acontece a distinção entre real e imaginário diferenciando memórias de fantasias.
Nesta nuance entre realidade e fantasia se insere a Confabulação, que em psiquiatria trata-se de distúrbio cuja pessoa preenche lacunas na memória com experiências não vividas. A fantasia substitui de forma inconsciente a memória. O ser perde consciência do que fala como inverdade com consequente esquecimento. Importante lembrar que a confabulação não é exclusiva de pessoas com danos cerebrais, aparecendo na reconstrução de memórias e ocasionando erros. Necessariamente podemos incluir como patologia mas trata-se de estado com perda de limite entre a realidade e a fantasia. A confabulação se evidencia na busca descontrolada de poder e descontinuidade entre realidade e fantasia, como vemos em várias ocasiões, inclusive atores de Brasília. Certamente por conta da perda de contato com a realidade, políticos, pessoas expostas ao público pela imagem ou os que praticam cegamente seu culto, muitas vezes assistidas por profissionais especializados, na maioria das vezes quando confrontados com a realidade, acabam por justificar-se como questão de realidade pétrea.

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