Ambiente e transtorno mental

Investigação em 17 regiões de 6 países ou Inglaterra, França, Itália, Holanda, Espanha e Brasil entre pessoas de 18 e 64 anos que apresentaram um episódio psicótico, concluiu que a maior incidência é na juventude, homens e minorias étnicas. A incidência global dos distúrbios foi de 21,4 por 100 mil pessoas, variando de 6 por 100 mil em Santiago de Compostela a 45 por 100 mil habitantes no centro de Paris e sudeste de Londres. Estudo inglês publicado no JAMA Psychiatry, concluiu que minorias étnicas são mais susceptíveis a transtornos psicóticos, sendo os fatores ambientais como insegurança econômica e discriminação, importantes gatilhos no desencadear o processo. Até aqui, transtornos psicóticos como esquizofrenia eram atribuídos parte a genética, portanto a incidência depende também do país ou região onde vivemos. A pesquisa se baseou no fator propriedade, já que altas taxas de distúrbios eram relacionadas a baixa taxa de residência, indicador de riqueza e estabilidade sócio econômica mostrando que a questão se relacionaria a insegurança. Daí, taxas de psicose diminuem com o aumento da diversidade étnica, indicando que a diversidade na convivência seria um protetor a saúde mental.
A incidência de distúrbios psicóticos está sobre uma base de 12,9 milhões de pessoas sob risco, sendo a média de 30,5 anos no primeiro episódio. Dos casos estudados, 78,7% se enquadram nas chamadas perturbações orgânicas como AVC, demências, senilidade etc. As perturbações como esquizofrenia, bi-polaridade ou depressão ficam a idade média do primeiro surto em 23,8 anos, sendo 65,9% do sexo masculino e a incidência de 31,2 por 100 mil pessoas. As psicoses orgânicas são mais elevadas nos bairros pobres e isolados, inferior nos etnicamente mais diversos. Por sua vez, o risco das psicoses afetivas reduz-se nos grupos menos fragmentados e de maior densidade racial. Comparativamente, o risco é maior nas áreas urbanas em relação as rurais em distúrbios como esquizofrenia por exemplo. A explicação seria privação, baixa renda, emprego, deficiência, educação em ambiente de evidente desigualdade étnica. Apesar de estudos da população rural da Irlanda, indicar que taxas podem variar conforme a privação.
A internação psiquiátrica por distúrbios de origem psicótica sempre teve a função de higienização social, afastando das ruas e do convívio familiar. A psiquiatria sempre travou uma guerra desigual contra surtos psicóticos em geral e com o advento da farmacologia psiquiátrica conseguiu conter sintomas, restritos é verdade, mas trava batalha ingrata na inclusão social e barreiras impostas pelo preconceito. Com o advento de pesquisas inserindo o gatilho desencadeante de processos psiquiátricos graves, seja através do surto ou da cronificação, nos mais vulneráveis a situação torna-se preocupante sob risco de crescimento exponencial. Tanto nas degenerações mentais por patologias orgânicas ou envelhecimento ou mesmo por conta das intrínsecas ao processo mental, aumenta o risco de abandono e descaso sobre o mais fraco. Insere-se aí a dependência química e as migrações, que nos apresentam como verdadeiras epidemias. Não há dúvidas que diante o dilema da internação dos que estão na rua por processos mentais psicóticos gerando discussões sobre o fracasso no tratamento de dependência química, especificamente o crack, acaba levando a um quase consenso. Por fim, a dificuldade de inserção do paciente psiquiátrico numa sociedade exclusivista gera o risco de se construir uma sociedade a parte, composta por população de rua.

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