Duas velocidades

A revolução da Inteligência Artificial nos mostra máquinas pensando e decidindo como nós e por nós, muitas vezes melhor. Decerto mudará coisas, se não tudo, boa parte delas pelo menos nas sociedades mais desenvolvidas. A IA promete e preocupa, promete ações e decisões mais rápidas e melhores, nos preocupando com a destruição de boa parte da mão de obra humana nas áreas de sua maior penetração. A especialista em Ciência Cognitiva e Inteligência Artificial Margaret A. Boden alerta que do ponto de vista intelectual, ensina sobre nossa inteligência e como a nossa mente atua, por meio dela podemos entender a memória, como procedemos nossos argumentos, o uso da linguagem e nosso aprendizado sobre o mundo que nos cerca, além de suas aplicações práticas. Obviamente que não é e não será um maná, como pensou o homem fruto da revolução industrial em suas descobertas. Possuindo seu lado obscuro, suas consequências, cobrando preço por facilitar e mudar nossa forma de viver. Segundo a pesquisadora, poderá em muitas ocasiões passar desapercebida, alerta que devemos entender sua atuação compreendendo seu potencial. Nesta ideia, segundo Boden, insere o conceito de Singularidade quando máquinas de Inteligência Artificial executam tarefas com melhor eficiência que humanos, aí, a grande questão.
O diferencial da Inteligência Artificial é ser um sistema que aprende por si, comprimindo enormes quantidades de dados e com isso cria associações e de forma inteligente imita comportamentos humanos. Nesta ideia, surge Hilary Mason pioneira no campo do manejo de dados, consultora do uso de máquinas que aprendem de modo inteligente. Avisa que a IA nos últimos cinco anos deu salto gigantesco e que deve produzir desenvolvimentos com forte influência na economia. Um dos campos é a ciência médica na cancerologia, pelo uso de máquinas que aprendem por conta de algorítimos treinados em diferenciar no conjunto de pixels da imagem as malignas das não malignas. A companhia de imagens médicas Artery recebeu aprovação da FDA para usar sua plataforma visando diagnosticar problemas cardíacos. Tudo feito através de uma rede neuronal artificial que se retroalimenta pela aprendizagem de casos, a medida que são armazenados na base de dados e com isto conhecer e entender melhor o trabalho cardíaco. O algorítimo no caso se baseia em dez bilhões de comandos usando imagens de ressonância magnética, delineando os contornos cardíacos e mensurando o volume sanguíneo em movimento. O mesmo também ocorre na dermatologia pela criação de algorítimo de aprendizagem com 130 mil imagens de patologias da pele. Certamente a radiologia, dermatologia e a patologia darão um novo salto por conta da IA. Caso interessante é o de cientistas de Harvard e do Beth Israel que em 2016, venceram o concurso de imagem com rede neuronal que detecta metástase de câncer de mama em nódulos linfáticos. Por fim, a IBM criou o Watson um motor de IA com mais de 30 mil imagens nos campos da radiologia patologia e dermatologia.
Os exemplos de Inteligência Artificial na Ciência Médica nos mostram que o atual pensamento de sociedade a duas velocidades é cada vez mais evidente. Por um lado, uma medicina de alta complexidade colocando conceitos tradicionais e especialidades em questão. Tal avanço, decerto atingirá um público incluído em determinada velocidade tecnológica, inserindo provavelmente a maioria nos conceitos que nortearam a medicina e precisam por uma questão de necessidade, resgate e aprimoramento. Isto é, a medicina da segunda velocidade não é e nem será menos que a da primeira velocidade. A IA não acaba com a dengue ou ao primeiro atendimento muito menos com a relação médico paciente, não é panaceia aos distúrbios do comportamento, sendo apenas mais um capítulo na história da evolução científica humana.

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