Colapso hidrelétrico

Dando um salto no tempo, diremos que o volume de água doce na terra reduziu em um quinto  em contrapartida, as necessidades cresceram em progressão geométrica. O vilão da história é a seca e por conseguinte, afetou o consumo humano a irrigação de culturas e a mágica geração hidráulica de energia não emissora de gases efeito estufa. A seca envolve a América, a região do Mediterrâneo abrangendo o norte da África Oriente Médio e Península Ibérica preferencialmente, na realidade, não deixa um ponto da terra sem marcar presença. Como podemos notar a questão não é nacional mas transnacional e como exemplo, rios que nascem num país desaguando em outro, muitas vezes em pé de guerra por intermináveis querelas. Fato é que a solução não virá pela força das armas, passa pela cooperação e soluções comuns acordadas sem a imposição da força.
O caso espanhol é ilustrativo já que o país encontra-se diante de um colapso hidrelétrico, desde 2013 enfrentando queda vertiginosa dos níveis pluviométricos. Os reservatórios hídricos estão 38% mais baixos enquanto reservatórios das barragens 50%, ou, 16% menor que há um ano, ou, 14% menor que a média dos últimos cinco anos, ou, 12% que dos últimos dez anos, quer dizer, não há dúvidas. Isto provocou uma geração elétrica 52% menor que 2016 num quadro de chuvas 15% abaixo da média estabelecida entre 1981 e 2010. Em paralelo, pântanos secaram alterando toda sua diversidade, enquanto os depósitos aquíferos subterrâneos não se recompõe por conta da forte demanda. O resultado é assustador pois em 2016, 16% da eletricidade gerada por lá era hidráulica caindo para 8% e a solução todos conhecemos, gás e carvão. No fator econômico vai em direção ao aumento das tarifas pelo custo mais elevado da matéria prima, agravado pelo aumento do consumo, que na prática representa 57% a mais no uso do carvão nas térmicas e 43% na eletricidade a gás. O resultado final é aumento em 37% na emissão de gases estufa em relação a 2016.
Como podemos notar há fortes semelhanças entre os fatos acima e os vivenciados em nosso país no governo Dilma. O El Nino em forte atividade, avisou todos que ia secar e que o problema da energia que não era o caso pois nossa matriz era hidráulica, parecia ir seca abaixo. Em paralelo, o governo concedeu a bondade em baratear o custeio da energia aos pobres, sem dizer que o mesmo foi para quem gasta mais e esse alguém é a indústria e similares. Por conta de Ignorar todos os avisos foram em frente e o resultado foi o que vimos. Nosso governo tem sido lento na aceitação da realidade, como exemplo, Belo Horizonte a capital do país com mais painéis solares residenciais compartilhando energia com a rede elétrica, parece exceção a regra e não regra. Caímos na prática no carvão e gás, na justificativa que a seca é passageira enquanto mantemos o discurso que nossa energia é limpa pois grande parte é hidráulica. A realidade nos ensina que a interminável transposição do rio São Francisco, pela longa demora, corre risco de perder sentido por absoluta falta de matéria prima.

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