Tempo quente

Alarmes dispararam pela onda de calor presente nos dois últimos meses no hemisfério norte. Em junho a média na região foi oito graus maior que o normal invadindo a primeira semana de julho. No início do mês morreram mais de 50 pessoas em Toronto por conta da onda de calor e na Europa além do calor extremo a seca castiga o Reino Unido e Irlanda. Na Escandinávia e Suécia grandes incêndios obrigaram a Suécia pedir ajuda internacional. Na região do Ártico em julho, as temperaturas ultrapassaram os 30 graus pricipalmente na Noruega e Finlândia em regiões localizadas acima do círculo polar. Não foi diferente nas cidades do Cáucaso como Tibilisi na Geórgia e Yerevan na Armênia e nos EEUU, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia, a Califórnia registrou acima de 45º C na primeira semana de julho. Em Omã por 24 horas seguidas a temperatura não caiu abaixo dos 42,6º C, sendo que na Argélia, chegaram aos 51º C a mais alta registrada no país. O Centro de Meteorologia da Rússia informou que o calor atingiu os 40º C provocando incêndios, falta de energia elétrica, quebra de serviços públicos e segundo o Sistema de Monitoramento por Satélite do Copérnico e da Nasa, a fumaça dos incêndios na Sibéria atingiu o Canadá e EEUU. No Hemisfério Sul por sua vez é inverno e segundo o Escritório de Meteorologia do governo australiano, Sidnei e arredores mostram inverno ameno prolongando até agosto. No Japão grandes tempestades causando 199 mortos.
A OMM relata em seu último relatório que dos muitos eventos extremos ocorridos em várias partes do mundo no mês de junho/2018, a nota dominante foi o calor. Nicholas Humphrey, meteorologista americano, especialista em eventos extremos e mudanças do clima, publicou um post em seu blog explicando a situção na Sibéria. Diz que um rápido aquecimento do mar, acelera emissão de CO2 e o metano do permafrost ou terras permanente geladas ou submersas, ao se descongelar, libera o gás e que a queda do volume de gelo afetou a costa russa do Ártico principalmente no mar de Laptev. A meteorologista Delia Gutiérrez, nos diz textualmente que “na atmosfera tudo está conectado e o que acontece em um lugar não é de forma alguma independente do que acontece em outro.” Como exemplo, o meteorologista José Miguel Viña destaca que eventos ligados a anomalias da circulação atmosférica “pode depender de muitos fatores, como a diferença de temperatura entre o equador e o pólo ou, por exemplo, se temos ou não gelo na Groenlândia.”
O Centro Regional do Clima da OMM operado pelo Serviço Meteorológico Alemão, DMS, emitiu alertas de seca e temperaturas altas no norte europeu, estados bálticos e Escandinávia, com riscos de escassez de água, tempestades locais, incêndios florestais e agricultura com perdas principalmente de cereais e feno. Como tudo está interligado, o atual ano foi o mais quente registrado em relação ao La Nina, um dos estimuladores das temperaturas acima da média no norte da Sibéria, grande parte do EEUU, centro do Canadá, norte da África, Oriente Médio e China. Em 2018 a partir de 9 de julho atual, houveram 6 eventos climáticos nos EEUU com perdas aproximadas de 1 bilhão de dólares. Boletim da Sociedade Americana de Meteorologia avaliando 131 estudos publicados entre 2011 e 2016 em que 65% dos casos a probabilidade do evento foi afetada por atividades antropogênicas ou causas humanas. Avisa que até o final do século XXI em muitas regiões o volume diário máximo anual de precipitação de 20 anos se tornará um evento passando de 1 em 5 para 1 em 15 anos.

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