Automação na Índia

A Tecnologia da Informação (TI) na Índia avançou com força nos últimos 20 anos graças a mão de obra barata e abundante; todos correram para lá. Hoje, tal mão de obra entrou em processo de substituição pelas máquinas e inteligência artificial vulgo algorítimos. Nesta ideia se inserem os Callcenters, serviços de engenharia, empresas de terceirização de gerenciamento de software, negócios e infraestrutura, tudo devidamente em transformação. O dito aprendizado de máquina e os algorítimos executam de forma robótica, tornando redundantes as mais antigas habilidades dando novo formato ao trabalho e assumindo-se como uma força operária eficiente de menor custo que a humana.
O Jornal de negócios Mint avisa que as sete maiores empresas indianas de TI demitiram 56 mil funcionários em 2017. A Infosys avaliada em 8,4 bilhões de euros informa que 11 mil dos seus 200 mil funcionários foram retirados pela automação de serviços repetitivos e redistribuídos em outros setores da empresa e suas tarefas assumidas por algorítimos. A HfS Research empresa que pesquisa TI, prevê que a automação deve provocar a perda na Índia de 480 mil empregos até 2021 e nos próximos 10 anos, 70% dos empregos deverão ser substituídos por máquinas robotizadas. O cálculo é que um quarto da força de trabalho automatizada é completada só por máquinas, isto, na Índia. O mais alarmante é que no caso hindú, 12 milhões de pessoas entram no mercado de trabalho anualmente, sendo criados nos oito maiores setores da economia formal apenas 135 mil vagas. Pesquisa da Universidade de Minnesota vai na linha ainda inconclusiva que a automação parece culpada demais pela perda de empregos. Vão na direção ainda em fase de investigação, que a automação é a forma encontrada pelas empresas de mascarar suas mazelas, distraindo efeitos nocivos de outros fatores fora de seus controles. Isto é dito pelo gigantismo das empresas de TI e pelo excesso de pessoal contratado, que já começa dar sinais de esgotamento do modelo. A conta é regressiva, perversa e geométrica, pois se os três milhões de funcionários indianos de TI gerassem 80 bilhões de euros por ano, seriam necessários apenas 1,2 milhão de pessoas para o mesmo trabalho.
O caso indiano se assemelha mais ao chinês que a nós brasileiros, pois possuem um Brasil ou mais só de técnicos em nível superior com boa parte com pós doutorado e treinada fora. Além do que, a sociedade indiana possui pouca mobilidade social por conta do predomínio do sistema de castas, sendo a pobreza uma questão mais religiosa que econômica ou de oportunidade, como o nosso caso por exemplo. É inquestionável a realidade que robotização, envelhecimento e o meio ambiente afetam os parceiros do Brics com intensidades diferentes mas afetam. No nosso caso, perdas de postos de trabalho deveriam ser afrontadas com criação de vagas setoriais artesanais, via reciclagem, logística reversa, serviços de reflorestamento, controle de lixo e a tão necessária e falada reordenação da terra pelo incentivo a agricultura familiar, o contrário, nos levará a um acúmulo de questões urgentes por fazer.

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