Deserto e migração

A Convenção das Nações Unidas de Combate a Desertificação (UNCCD), criada na Cúpula da Terra em 1992 e estabelecida em 1994, informa que desertificação, modificações climáticas e perda da biodiversidade são os maiores obstáculos ao desenvolvimento sustentável. Impulsionar esforços, restaurar a produtividade do solo, mitigar os efeitos da seca são os pilares da UNCCD envolvendo ecossistemas onde vivem 2 bilhões de pessoas. O seu foco está na degradação ambiental gerando instabilidade política, insegurança alimentar e pobreza, que culmina com o êxodo em massa. O sucesso nos objetivos se insere no termo resiliência na qual se enfrentam desafios via práticas sustentáveis. O êxodo em massa é prioridade por conta do sentimento de abandono nas comunidades rurais, falta de perspectiva, pobreza e insegurança de todos os aspectos, o pessoal por conta da disseminação da violência, ou, alimentar, notado pelo vácuo de ocupação do espaço pelo poder público. Em 2010 foram 220 milhões de migrantes saltando para 245 milhões em 2015.
A Desertificação consiste na degradação da terra nas áreas úmidas e áridas, consequente a atividade humana ou variações do clima. A questão se atém a agricultura onde 2,6 bilhões de pessoas dependem desta atividade, em que mais da metade das terras aráveis do mundo encontram-se em processo de degradação. Para se ter ideia, a desertificação das terras secas atinge 3,6 bilhões de hectares ou 23 hectares/minuto ou 12 milhões de hectares/ano. Caso o problema contido e esta terra produzindo, haveria um acréscimo de 20 toneladas/ano de grãos, liberando do infortúnio 1,5 bilhão de pessoas em mais de 100 países. Aceitemos que a desertificação ocasiona forte crise econômica, afeta o desenvolvimento ao custo de 490 bilhões de dólares/ano, ao passo que a gestão sustentável da terra geraria 1,4 trilhão de dólares em benefícios, dito pela UNCCD. Por fim, a FAO do Graziano, avisa que só na África dois terços das terras aráveis se perderão caso não seja contido o processo de desertificação a que está submetida.
Pelo aumento da demanda de alimentos em 50% até 2030, aumentou a demanda por terras com consequente desmatamento e degradação. Por conta disso, urge restauração e produtividade não simplista por aumento do volume de fertilizantes e agrotóxicos, mas na ordenação da terra, incentivo a agricultura familiar fortalecendo a classe média agrícola, criando empregos, dando esperança de vida aos locais; isto é que é segurança nacional e sustentabilidade. Deve ser lembrado aqui o exemplo de Burkina Faso, com projetos de recuperação de terras desde os anos 1980, usando técnicas tradicionais e adaptando modernas, visando regeneração natural e gerida pelos agricultores locais. Pelo exemplo acima, a UNCCD incentiva e assessora países como Chile, China, Itália e México na recuperação e promoção do uso sustentável da terra, das florestas, combatendo a desertificação e revertendo a degradação ao lado da perda da biodiversidade. A nós resta entender que só o agronegócio com mentalidade empresarial exportadora não é mais que a agricultura familiar, motor brasileiro, que não é menos empreendedora e apresenta melhores chances de promover ações mitigadoras e de resilíência, também entre nós, urgente. Como definem, a terra é finita, não podemos criar novas, podemos recuperar as degradadas. Ainda bem.

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