Equívocos

As reservas de petróleo e gás do mar Cáspio são mundialmente conhecidas de onde parte uma série de oleodutos com destino a China. Mundialmente conhecida é a perda de massa de água salobra baixando quase 7 cm nos últimos 20 anos, segundo a Geophysical Research Letters, tem relação direta com o aumento de 1º C da temperatura entre 1979/2015. Nesta estrada estão outros grandes conglomerados de água como o lago Poyang na China, o Mar Aral, o Titicaca etc. A ciência não atribui tal efeito só ao aquecimento global, mas a perda de água drenada pelos rios que lá desaguam, queda na precipitação pluviométrica e aumento da evaporação. O lago Poyang mostra combinação de extração mineral predatória e efeito estufa, o mesmo ocorrendo com o Titicaca e Poopó na Bolívia, este último, depois de praticamente secar encontra-se em fase de recuperação. Interessante lembrar que o caso do mar Aral nos remete à antiga URSS, pelos planos quinquenais de irrigação de algodão envolvendo os rios que desaguam por lá e agravando ainda mais a situação.
O caso do lago Poyang na China merece atenção pelo fato de ser a maior massa d’água potável do país, estando a alguns anos em processo emagrecimento. Atingiu uma área conhecida de 5,1 mil km² chegando atualmente a 3,1 km². Além do efeito estufa causam processo de degradação, a agricultura predatória e o uso dos sedimentos para fins de engenharia. O detalhe é que lago é alimentado pelos rios Gan e Xin e o que a engenharia do país não imaginou foi que a construção de um canal ligando o lago ao rio Yang Tsê, por conta da inversão do curso, acabou levando água do lago ao rio enfraquecendo ainda mais o volume aquoso. Tal inesperado foi por conta da Usina de Três Gargantas que diminuiu o fluxo do rio Yang Tsê provocando o evento. Para jogar mais luz sobre sua importância econômica, trata-se de refúgio a mais de 400 mil espécies migratórias, é importante reserva pesqueira de camarão, irriga a maior produção de arroz nacional e sua areia retirada é muito apreciada na construção civil.
Os fatos acima precisam alargamento e colocação no centro da questão, não como efeito estufa sendo o grande vilão, mas resultante de equívocos políticos, não só comunista, mas também do exuberante capitalismo; ninguém escapa dessa. Se olharmos a América Latina, veremos que o nosso agronegócio e assemelhados, resultam de planos quinquenais de cunho capitalista. Talvez deveríamos questionar se a queda da Itamaratí produtora de soja, teria alguma coisa a ensinar aos nossos agro-mega empreendedores. Os canais entre rios idealizados sob o ponto de vista do concreto e propina parecem não serem um sortilégio. As mega represas necessitando grandes volumes de água e por vezes deixaram nossos empresários com a conta de luz mais salgada, já parece rotina. Encerrando, uma questão: quando pretende a iniciativa privada nacional deixar de enxergar a licença ambiental como um contratempo ideológico a ser batido?

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s