Democracia e limites

A realidade indica que as maiores empresas americanas possuem mais de 100 agências de lobby junto ao governo do país. Outro dado avisa que de 100 organizações que mais gastam com lobby por lá 95 são grandes empresas. O relevante é que o lobby registrado no Congresso americano gasta cerca de U$ 2,6 bilhões, sendo que na Câmara representa U$ 1,8 bilhão e no Senado U$ 860 milhões. Comparando, para cada dólar que os sindicatos e grupos de interesse gastam, as grandes corporações derramam 34 dólares, quer dizer, 34 vezes mais grana no quesito lobby, gerando uma força de influência desproporcional. O que chama atenção é que na década de 1970, poucas empresas tinham agentes de lobby junto ao governo dos EEUU. Nos últimos 40 anos, o lobby passou de força reativa escassa para força onipresente e proativa, impactando a política do país. Outro detalhe foi a mudança de pensamento das corporações na interação com o governo, ou, deixaram de tentar mantê-lo longe dos negócios incorporando como parceiro, ou, o que o país pode dar nesta parceria. O resultado foi além do engajamento político empresarial para uma militância efetiva, prova disso foram as reações pós vitória de Trump e suas atitudes como presidente.
Vale lembrar que esta transformação mostra um nível obscuro de lobby corporativo inserido na democracia do país, ultrapassando forças potencialmente compensatórias. Exemplo disto está na reforma trabalhista, graças a prevalência do lobby corporativo, foram revogados regulamentos, reduziram impostos e por fim, trabalharam na mobilização da opinião pública a favor de menos intervenção governamental na economia; aqui, sem apresentar juízo de valor só elucidando a ação do lobby na democracia americana. Caso interessante é o de empresas farmacêuticas que se opuseram a adição pelo governo de benefícios a medicamentos prescritos na Seguridade Social. Isto baseado na ideia que daria poder de barganha via compras ao governo, reduzindo o benefício da indústria farmacêutica. A evolução veio em 2000 quando a indústria farmacêutica propôs um benefício aos medicamentos prescritos, proibindo sua compra por atacado, obtendo aí, lucro de U$ 205 bilhões em 10 anos.
Talvez o maior dilema das sociedades modernas seja evoluir na independência entre os poderes de um estado em prol da qualidade da democracia exercida. Balizar os excessos e as fugas dos limites de direitos e deveres, talvez tenha sido no mundo inteiro o maior exemplo dado pelos governos em geral. Seja pelos desmandos do executivo e seus membros, do legislativo via corrupção e do judiciário pela omissão, colocam o direito, a liberdade e a paz num patamar de comprometimento da democracia exercida entre os que podemos demominar democráticos. O avanço dos grupos de pressão compondo governo paralelo, via compra de vontades dos agentes oficiais inseridos nos poderes da república, é chaga na democracia pelo descontrole e objetivos inconfessos com limites imprecisos. Tal evento causa dano a maioria, que a cada dia vê suas necessidades e direitos trilhando por caminhos espinhosos. Sonhe-se com o dia que os poderes terão equilíbrio, os grupos de influência limites. A realidade mostra que estas evoluções só são possíveis via gerações que passam, mesmo assim, caso não retrocedam.

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