Ciência e impostos

Talvez uma das citações mais conhecidas de Benjamin Franklin foi a afirmação que nada no mundo pode ser assegurado como certeza, excessão feita a morte e aos impostos. Nesta ideia, reza a lenda, sem a certeza de verdade ou não, que William Gladstone, político inglês do século XIX, questionou Michael Faraday sobre a utilidade do eletromagnetismo estudado por ele, sendo convencido pela frase que em algum dia ele receberia impostos pela descoberta. Este interrogar sobre o valor comercial da ciência aparece quando do surgimento do Google, onde a pergunta como fazer dinheiro com isto (?) se assemelha a como arrecadar impostos. O tributo ou imposto está afeto a obrigação ou encargo financeiro aplicado pelo estado e visaria benefícios a todos os cidadãos. Talvez dentro de uma lógica onde se produz ou cria algo, massificando a determinado preço e recolhendo parte do benefício ao estado, que teoricamente retribuiria em prol do bem comum.
Inserido na ideia de criação e benefício financeiro, público ou privado, surge o químico Joseph Lawrence que em 1879 desenvolveu uma solução antiséptica composta por eucaliptol, mentol, salicilato de metila e timol, obtendo um líquido antiséptico de forte odor e com propriedades antiinflamatórias. Em homenagem a Joseph Lister, pioneiro no uso de antisépticos na cirurgia, o denominou Listerine. A descoberta foi comercializada como desinfetante de chão ou latrinas e tratamento tópico de blenorragia. Em 1885 a patente foi vendida passando a ser comercializada como antiséptico oral até 1920, quando por forte campanha de marketing, o produto passou ao combate da halitose. Por conta do mercado, foi vendido como tônico capilar contra caspa, para desinfecção de feridas e combate a tosse, até que em 1976, a FIC determinou que se retirasse da embalagem a afirmação que curava dor de garganta e resfriado.
A pesquisa científica está afeta a curiosidade humana no compreender o ciclo de vida e morte a que todos estão submetidos. Com o tempo, por conta da complexidade foram surgindo campos de domínio do conhecimento, identificados com os resultados obtidos. Nesta ideia surgem as patentes como determinação de propriedade e os ganhos obtidos em consequência, ao lado dos impostos, visando teoricamente o bem comum. Na verdade, não são menos importantes que os resultados materializados via tecnologia ou medicina, campos cujo ganho não se materializa no dinheiro e impostos, mas na compreensão do viver e não por isso, alheios a realidade. Há nítida tendência humana em hierarquizar o ganho pecuniário, colocando-o acima dos demais campos na tentativa de estimular a busca pelo conhecimento. Pesquisas na biologia, filosofia, metafísica, astronomia e nos últimos duzentos anos no clima, tendem ao esfriamento, muito por conta do resultado pecuniário obtido. É certo que a pesquisa do clima coloca em xeque o esforço material obtido pós revolução industrial, mas caso não avançasse diante os críticos, talvez o prejuízo fosse muito maior a medida o tempo se escoa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.