Êxodo

A Somália além de grave carência tornou-se um dos países da África mais atingidos pela seca e fome. As estatísticas informam que um em cada dois somalis necessitam ajuda externa numa população de dez milhões de habitantes. A violência associada a extrema carência, pede garantias de segurança dada pelo governo central tentando evitar a perda do controle da situação. O Comitê Somali da Seca e a ONG Saacid, instalaram um campo de refugiados, que em poucos dias, possuía uma população de 16 mil pessoas. Precariamente agrupam pessoas num areal e constroem cabanas de madeira contendo somente uma rede contra mosquitos. A moral dessa história é que alimentos, roupas e materiais de construção são doações dos habitantes da capital do país e de países amigos, particularmente o Qatar, já que não há possibilidade de proteção governamental por falta de fundos.
No outro lado da corda, a Austrália no último verão conviveu com incêndios florestais e altas temperaturas, mais de 250 registros meteorológicos em 90 dias, por culpa do alto consumo de energia fóssil. Avisam-nos que desde de 1990 a temperatura média subiu 1ºC em todo o continente australiano. O Conselho do Clima australiano, órgão independente, avisa que na parte leste e central do continente, ocorreram incêndios florestais descontrolados e altas temperaturas e na parte ocidental, chuvas fortes e inundações. Avisam que calor extremo será mais frequente com risco à infra estrutura, saúde e ecossistema. Citam que o verão de 2013 e 2014, deixou uma fatura à economia de U$8 bilhões em absenteísmo e queda na produtividade.
O desastre ambiental que vivenciamos de ação progressiva, tem apresentado respostas imediatistas e geralmente nos mais pobres, esbarra na falta de dinheiro pelos conflitos, corrupção e inoperância. Os dois casos acima são exemplos disso. A Somália só respondeu ao êxodo local com forças de segurança, muito mais para proteção da oligarquia dominante do que desabrigados atacados por saqueadores dos alimentos doados. Mas a questão não é só dinheiro, porque a rica Austrália cobre os prejuízos e sua questão imediata é a redução do excessivo gasto de energia fóssil, impactando diretamente no modo de viver do povo. A médio e longo prazos, há que se desenvolver soluções de mitigação e regeneração. Parecem coisas longe de nós pois não sabemos qual nosso prejuízo ambiental, qual nossos urgentes encaminhamentos e a médio e longo prazos. Talvez seja o caso de relembrar o célebre Luis Inácio com sua pérola sobre a crise de 2008, dizendo ao Bush para resolver porque aqui é só uma marolinha. Hoje, quem sabe, complementaria a pérola lembrando que o prejuízo não é nada em vista do que gastamos em corrupção.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: