Obsessão

Grigori Yefimovich Rasputin, monge ortodoxo russo, conhecido como o Monge Louco ainda hoje desperta a curiosidade pela fama de poderes místicos e imortalidade. Nascido na aldeia de Pokrocskoe na Sibéria, com enorme influência na dinastia Romanov, em particular sobre a czarina Alexandra, esperando cura para hemofilia de Alexei, herdeiro do trono. Sua forte influência na família real despertou a luta pelo poder, até que o Príncipe Félix Yusupov o convida à uma festa no Palácio visando seu envenenamento. Conta-se que Rasputin teria sobrevivido à três taças de vinho com cianeto de potássio, acompanhado por pastéis doces e por fim, encontrado morto à tiros no rio Neva. Sua sobrevivência gera questões sobre o que teria acontecido. Cientistas falam na possível perda da letalidade do cianeto ou alguma proteção ao veneno. Pesquisas indicam que o cianeto poderia interagir com a glicose o que facilitaria sua excreção, anulando a letalidade.
A existência de Rasputin, remete à intriga, luta pelo poder, eliminação via assassinatos, tudo associado à sobrevivência. Neste contexto surge Mitridátis de Pontus no norte da Anatólia, atual Turquia, no século primeiro antes de Cristo. Lembrado pelas guerras mitridáticas no fim da república romana, de origem persa e grega com descendência em Ciro da família de Dario. Mitridátis V foi envenenado em banquete, deixando sua mãe como regente. Seu filho Mitridátis VI, vendo-se obrigado a escapar da morte, acabou por removê-la da regência. Por questões de conveniência de poder casou-se com sua irmã. Por conta da ameaça em ser envenenado, surgem as chamadas drogas mitridáticas, visando anular possíveis efeitos letais, pela imunidade adquirida através da ingestão regular de doses sub-letais. Buscou-se o antídoto universal a que Aulus Cornelius chama de Antisdotum Mithridaticum, segundo historiadores antigos composto por 54 ingredientes maturados em frasco por dois meses. Posteriormente à esta fórmula, se insere o componente religioso já que o objetivo era vencer a morte.
A cristianização do Império romano e a conversão dos Césares, coloca no centro a Cruz de Constantino com o célebre ‘Com este sinal Vencerás’. A Cruz redentora significando a vitória sobre a morte, afirma o conceito da divindade cristã ou aquele que a supera. Insere-se aí, a luta pelo poder em Roma cuja vitória sobre a morte colocaria os Césares no patamar dos semi-deuses, ou, os que venceram a morte. No poder romano em disputa, a vitória sobre a morte desenvolve-se por tentativas em adquirir imunidade ao envenenamento, já que por lá, o arsênico era o preferido para se livrar dos inconvenientes. Dentro do conceito Aristotélico de ‘Semelhante Cura Semelhante’ os pretensos candidatos a vencer a morte, praticavam o uso de pequenas doses visando, quando no dia fatídico, ter sucesso ante a Senhora das Trevas e da Incerteza. A vida como foi, ou talvez, como ela é.

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