Um dia

A história ensina que o alvorecer da liberdade política no Brasil inicia com a saída de um féretro, não do passado de restrição política, mas do futuro acabrunhado por liberdade claudicante. Nas mãos de um vice desconfiado, o sinal que começávamos a vivenciar novos tempos. Vale olhar a presença do grande ponto final, ou melhor, o sabor de um fim de história. Seguramente, a política do nordeste, nos presenteou Teotônio e Portela mas também Collor, Renan e PC Farias. A abertura, generosa com quem se dispôs à luta pela nascente democracia, não pediu atestado de honestidade ou boas intenções. Nesta toada, surgiram muitos dos atores do que hoje vivenciamos. Pouco à vontade, Sarney nos transforma em seus fiscais visando dominar a inflação descontrolada, utlizou o tão bem conhecido por aqui, ou, retirar o sofá da sala, mudando o dinheiro e fechando supermercados; o resultado foi calote geral. Com ele, chega a Constituinte onde políticos conheciam perfeitamente seu eleitorado e o eleitorado seus políticos. Concluiu com limitação de juro à 12%, Ministério Público investigativo, mandato único sem reeleição para combater um dos nossos maiores defeitos além da arbitrariedade, ou, a corrupção.
Com a eleição, a elite nordestina torna-se poder, via empresário de sucesso, domador de marajás, atleta, o necessário à nossa redenção. Infelizmente veio com a velha política, sem a qual nenhum regime de exceção sobrevive, que não tardou arrumar um alter ego assaltando tudo e a todos, ao lado de um racha com o vice antes mesmo de eleito. Por fim, colocou todos os ovos na mesma cesta combatendo à inflação, confiscou a poupança da classe média deixando os mais ricos escapar; caiu, em nome da ética liderada pela esperança da classe operária, o PT. Seu vice e o plano real, domam a inflação, errando no entorno ao esperar devolução de um poder adquirido. A reeleição do sucessor, institucionaliza a compra do voto parlamentar e enterra uma necessária reforma do estado para completar o trabalho iniciado. Pouco se fala nisso, estamos na situação em que estamos, por conta do estabelecimento da reeleição, expondo o que estava escondido. Se a queda de Collor foi um golpe, por que não um golpe em Itamar? Afinal, chumbo trocado não dói. Oportunidade perdida com o cpmf, a taxa Tobin dos europeus. Financiar saúde, cuja luta entre a medicina privada e universal foi vencida pela primeira. O seu encarecimento pela sofisticação tecnológica, decerto demandaria ao longo do tempo, já descontando a roubalheira, ajustes por insuficiência de fundos. Medicina básica é barata e com limites de alcance, pois chega um momento que encarece. A deturpação do princípio do cpmf, que era didático, ajudando identificar a fuga de capitais e lavagem de dinheiro, também é fator de sua queda.
Lula com a classe operária no paraíso viu alvorecer sua hora, mudou de lado e passou o bastão ao empreiteiro chefe, contentando em fazer a festa dos incautos na politica do arroz e feijão, que dispensa leitura de documentos ou mesmo projetos, tudo se resolvendo com uma assinatura e rápida conversa. A chegada da reeleição mostra o líder atolado no mensalão e a permanência eterna vira coisa do passado. Dilma e o seu vice ensinam que rejeição deve ser digerida com busca de novos portos. Dilma não era PT, era PDT, teve vida difícil na Petrobras e dizem que foi enganada pelo Cerveró. Os empresários talvez preferissem o PSDB mas é o que tinham e foi nessa que embarcaram. Seu erro foi não ter dado fim à relação com Brasília antes da reeleição, não te queriam mesmo. No seu governo, com todos os pecados, veio a afirmação do judiciário, até então, mero coadjuvante entre poderes. Pode ser que sua queda tenha sido pela questão financeira, mas caiu mesmo pela forte rejeição pessoal. O que vale é buscar a consolidação democrática e da política como um todo.

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