Desperdício

O instituto Potsdam para estudo do impacto climático nos informa através de artigo publicado na revista Scientific American, que 20% dos alimentos produzidos no mundo vão para o lixo. A pesquisa, compilou dados de169 países onde vivem 98% da população mundial. Por conta, concluíram que a quantidade média de comida desperdiçada por pessoa passou de 310 calorias em 1965 para 510 em 2010, com projeção de 850 em 2050. Alerta o Departamento do Reino Unido para Desenvolvimento Internacional, que lá, a crise alimentar ameaça 56 milhões de pessoas. Em suma, a pesquisa refletiu a diferença entre a quantidade de alimentos produzidos por determinado país para seu consumo mais exportação e a quantidade de energia que necessita. Prajal Pradhan co autor da pesquisa, nos avisa que os resultados obtidos são subjetivos, pois alguns comem além do que precisam e as sobras também podem ser dadas como alimento ao gado. Apesar do estudo incorporar dados como peso corporal flutuante, que deve ser compensado, é possível superestimativa nos resultados. Fato é que o desperdício é muito grave. Daí concluir que, se contido, a população alimentada em 2050, sem aumento da produtividade agrícola, é de 9 bilhões de pessoas. Hoje só a Europa, caso contivesse o desperdício, tiraria da fome 200 milhões de pessoas.
No caso da América Latina e Caribe o desperdício vai à casa dos 127 milhões de toneladas, numa região considerada pelos níveis de pobreza. Caso esta quantidade fosse utilizada, 300 milhões de pessoas estariam livres da fome ou mais de um terço dos que padecem deste flagelo. A FAO do José Graciano, avisa que na América Latina o reaproveitamento ou cuidado no desperdício, livraria dois terços da população que padece do flagelo. Ainda a FAO informa que 25% dos cereais, ao lado de 40% dos tubérculos, mais 55% das frutas e legumes, além de 20% do leite, mais 33% dos peixes e frutos do mar são perdidos; compreende sr ministro da agricultura? A solução tem vindo dos bancos de alimentos na economia colaborativa, parceiros de empresas no reaproveitamento. Necessário se faz muito mais escala para realmente impactar no problema fundamental, ou, a redução da fome. Aqui no Brasil são descartados 41000 toneladas por dia, na Argentina 1,3 bilhão de toneladas/ano ou um terço da necessidade da população total. Algumas iniciativas legislativas adotadas em alguns países, como o Peru que limita em 10% o máximo de dedução no imposto de renda à doação de alimentos. No Uruguai discute-se projeto de redução de resíduos em supermercados similar à leis da França ou Itália. Por fim, na França os supermercados são proibidos de exportar caso descartem alimentos.
Imaginemos um exame de fotografias individuais ou coletivas da década de sessenta, setenta e atual. Além da qualidade diferente, principalmente na tonalidade cinza, observamos como principal característica pessoas bem mais magras. Vimos que de lá para cá, pela evolução tecnológica, o dinheiro circulou mais, as pessoas passaram a se locomover mais, tudo devidamente regado à farta comida e bebida. O consumo foi estimulado por conta da evolução da propaganda e mudou definitivamente costumes alimentares, tanto pela oferta ou aumento das opções por conta da industrialização. Alimentar, deixou de ser necessidade básica isolada para se acoplar ao prazer e consumo resultando em obesidade epidêmica. Daí, necessitamos olhar com novos olhos a questão da alimentação, nutrição e suas relações com o consumo.

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