A China

A elite política americana está convencida e crê que a mudança climática é o maior desafio por conflitos causados pela seca, fome, desastres naturais ou degradação da terra com consequente refúgio e escassez de recursos. Talvez o mais emblemático deste pensamento esteja no Haiti. Nesta premissa, 400 milhões de agricultores africanos são dependentes da chuva para comer, ou, sua agricultura de subsistência está ameaçada por falta de irrigação, quer dizer, um paliativo à grave situação em que vivem. Isto é dito pois o novo presidente americano tentou mostrar a questão do clima como anti econômica e a esta altura, devidamente esclarecido, suas consequentes atitudes serão conscientes. Em suma, dois bilhões pessoas dependem de quinhentos milhões de pequenos agricultores, trocando em miúdos, agricultura familiar, cuja proteção e desenvolvimento não deve ser bandeira ideológica de esquerda ou direita mas questão de estado.
Neste embalo, a China com 1,3 bilhão de bocas para alimentar, merece alguma consideração. Quer dizer, 20% do território chinês está com problemas de desertificação ou seca. Buscam recuperar 2.424 kms² ou 240 mil hectares de terra por ano, abandonadas ou degradadas nos últimos 10 anos. Com projeto de recuperação de 10 milhões de hectares, um total de 2,5 milhões garantidamente devem se recuperar. Nesta toada estão medidas de irrigação e normas de uso de terras áridas ou semi áridas introduzindo plantas resistentes à seca. Aqui uma heresia capitalista, emprestar à juro zero aos agricultores locados nestas condições adversas, além da limitação de cabeças de animais evitando o sobre pastoreio e desgaste do solo. Desenvolvem tecnologias de redução ao consumo de água e aproveitamento das residuais. Há nesta situação, espaço ao setor privado que queira investir, além da divisão de conhecimentos por resultados.
O governo inglês paga à seus agricultores para manterem terras ociosas e não plantarem maçãs importando-as da África do Sul. Este ano a China avisa que a produção de grãos deve cair por conta do descanso do solo. Os americanos da Califórnia usam os remanescentes aquíferos subterrâneos para molhar seus campos de golfe. Esta cegueira deve ser posta em processo de conscientização, enquanto há tempo. Nosso agronegócio se orgulha de ser grande exportador de grãos, orgulhamos de ter o maior rebanho de gado do mundo, talvez sem notar que para muitos é melhor importar alimentos do terceiro mundo preservando o ecosistema local. O filósofo autor de “A sociedade do cansaço’ Byung-Chul Han, defende que nós humanos necessitamos desintoxicar da sobrecarga mundana com o descanso da alma, compensando assim, nossa hiperatividade destrutiva; que dirá a vida.

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