Adicto

A história nos ensina que os ingleses, consequente a segunda fase da revolução industrial no século XIX, por necessidade de matérias primas baratas e busca de mercado consumidor à seus produtos, miraram o olhar ao Oriente, especificamente China e Índia. Consequente ao desinteresse chinês em comprar produtos ocidentais e o interesse ocidental por chá, seda e porcelana, o comércio entre os dois países tornou-se deficitário aos ingleses. Por conta da desvantagem, passaram a pressionar os chineses combatendo suas restrições ao comércio exterior. Os indianos, abertos e produtores de ópio junto aos turcos foram a salvação inglesa, que ao introduzirem a droga na China conseguem equilibrar a situação. Em 1835 o ópio ocupava no mercado chinês volume anual equivalente a um grama para cada um dos 450 milhões de chineses, ou metade das exportações inglesas ao país. O resultado foi corrupção enfraquecimento e duas guerras, com vitórias inglesa, ocupação de Hong Kong e liberação dos portos ao comércio do ópio.
Nesta ideia de estupefacientes, o escritor Norman Ohler no livro ‘A Grande Ilusão’ fala do papel exercido pelas drogas na Alemanha Nazista. O Pervitin (meta anfetamina), fabricado no país em 1937 foi distribuído às forças armadas, fala na íntima relação de Hitler com a cocaína, heroína e meta anfetamina, em suma, psico estimulantes. Diga-se de passagem que a indústria farmacêutica alemã cresceu tornando-se uma das maiores exportadoras de opiáceos, ou, derivados da morfina e cocaína. No caso específico do lider nazista, sua relação com drogas, segundo o autor, começa com o uso de vitaminas e glicose injetável e ao se unir ao médico Theodor Morel, passa ao uso supervisionado de substâncias estimulantes mais eficazes, quando a campanha na Rússia começa a fracassar. Inicia-se aí, o uso de hormônios esteroides e barbitúricos, segundo documentos do Dr Morell, Hitler tomou cerca de 800 injeções num espaço de 1349 dias. Neste período usou de modo contumaz o eukodal, analgésico opiáceo primo da heroína, agora chamado de oxicodona. Ohler escreve que aos SS foram distribuídos compostos à base de cocaína e eukodal, conhecido como speedball. O autor relata que a mistura mágica se espalhou no país entre pessoas comuns como donas de casa, atores e motoristas, visando melhorar a confiança e desempenho. No meio militar foi usada para combater o stress e a fadiga.
No caso alemão o objetivo da empresa farmacêutica era rivalizar o Pervitin com a coca cola. Ninguém discute que os narcóticos serviram para manter convicções nazistas que acabaram por afastá-los da realidade pelo delírio e irracionalidade em dominar o mundo. Até Mussolini identificou a fuga alemã da realidade ao tentar pular fora do barco e convencido do contrário pelo Fuhrer em julho de 1943. Já o caso chinês, além do domínio de um povo, havia o interesse comercial debilitando a sociedade como um todo. A grande realidade são os exemplos que estão aí ao lado da popularização das ditas substâncias proscritas. As bebidas energéticas disseminaram e não há competição esportiva sem estimulantes. O resultado passado foi brutalidade, fuga da realidade, objetivos e pensamentos delirantes, sem que tenhamos certeza que as lições, nos dois casos, sequer foram consideradas.

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