Setembro passado

O jornal russo Siberian Times, relatou no início de setembro passado os efeitos adversos provocados pelo tufão Lionrock que atingiu o extremo oriente da Rússia e Japão. O Centro de meteorologia de Primorsky, avisa que se trata do mais poderoso evento deste tipo registrado na região nos últimos cinquenta anos. Com ventos de mais de 120 kms/h e uma pressão atmosférica de 965 hectopascais, causou inundações nunca vistas com declaração de estado de emergência, inviabilizando 1200 casas bloqueio de estradas e colapso de energia. Aqui uma peculiaridade: a região é dependente do uso de lenha como fonte energética, tornando soluções mais complexas.
Ainda o Siberian Times, nos avisa que em fins de setembro partiu uma expedição ao mar de Laptev liderada pelo cientista Igor Semiletov da Universidade de Tomsk, constatando pela degradação do permafrost (solo ártico eternamente gelado), aumento de emissão de metano ártico em relação a 2014. Trata-se de mega-emissões decorrentes ao degelo nas regiões mais frias, que acabam por liberar grandes quantidades de metano subaquático agravando o efeito estufa. Parece definitivo que o gelo impede a saída de metano das reservas submarinas, apesar de ainda não se determinar a quantidade armazenada e não se conhecer a intensidade do dano que provocará. Sabe-se que havia em 2014 mais de 500 campos emitindo gás na região, alguns com mais de 1km de diâmetro. Sabe-se ainda, que em 2013 era lançado na atmosfera ártica cerca de 17 teragramas de metano/ano (sendo 1 teragrama=1milhão de toneladas). Pela molécula do metano ser 30 vezes maior que a de CO2, o dano ambiental é muito mais grave e na Sibéria, a média de emissões é superior a média dos demais oceanos.
Os relatos do Siberian Times traz uma questão preocupante, além do desastre extremo de evolução súbita, destruidor e fugaz, temos  um grande limbo ambiental e uma constatação, mais que um evento grave, uma contradição, pela perda por escape de grande quantidade de energia. Ao lado do agravamento, aparentemente sem controle, parece que nada no momento pode ser feito para contornar danos locais e o pior, efeitos à distância que ninguém sabe ao certo como virão. Parece definitivo que o homem contemporâneo está em cilada inesperada de imprevisíveis consequências às futuras gerações. Surpreendido, assiste até aqui, passivamente.

Anúncios
Esse post foi publicado em geral e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s