Felicidade

O psiquiatra colombiano Inácio Vergara pensando a felicidade, diz tratar-se de um termo que gera frustração. Supondo a felicidade como sensação de contentamento, momento de satisfação, veremos que por sua subjetividade, pode ser olhada por alguns pontos de vista. Sob o ponto de vista de sua especialidade, Vergara fala em duas emoções básicas, alegria e tristeza, em que a alegria se relaciona com segurança e tristeza com o medo. Por ele, a alegria é o sinal do ego interpretando a realidade favorável à vida, ao passo que a tristeza, mostra que o ego interpreta o medo como proximidade da morte. Estes fatores são cumulativos, segundo o psiquiatra, e culturalmente a prevalência de um sobre o outro levará alguém a dizer-se feliz ou não. Portanto, sob o ponto de vista da psiquiatria, a felicidade é uma resposta do ego à condições ambientais favoráveis de sobrevivência e tudo que a isto decorre, ou, êxito e sucesso nos objetivos. A felicidade se insere na ambivalência, o que possui valores desiguais, gerando desejo pelo oposto ao que se tem ou se vive.
Já o professor Álvaro Robledo, estudioso do budismo, afirma que a tradição oriental rejeita a busca desesperada por felicidade, tratando-se de sentimento momentâneo. Sua busca, pelo olhar xintoísta e budista, acarretaria sofrimento e desnecessário gasto de energia. A perseguição da felicidade como um objeto, segundo o estudioso, não passa de abstração do ponto de vista ocidental, pois, inserida na ótica oriental, a felicidade passa pelo ser. Em decorrência, defendem viver o presente, que em algum momento encontrará felicidade ou tristeza. Pela filosofia aristotélica, a felicidade era vista como boa vida em extensão do viver. Plotino, pensava tratar-se de algo que não é o fim dos tempos, mas intensivo e extensivo, quer dizer, não linear, progressivo e temporalmente prolongado.
Sempre que pensamos na felicidade, dirigimos nosso olhar sob o ponto de vista do ser ou individuo. Consideremos que felicidade isoladamente gera memória inconsciente, chamada por Jung de inconsciente coletivo quanto afeta o conjunto da sociedade. Óbvio, que ao longo de gerações, sociedades buscam do ponto de vista ocidental, construírem e perseguírem a felicidade, e do oriental, momentos felizes ou tristes de arrebatamento. Nossa cultura coloca ainda na esperança a confiança no futuro, ou, encontro de algo que favoreça vida, daí chamada felicidade coletiva. Bom lembrar que ao longo do caminho, constrói-se memória por fatos ocorridos, individualmente ou coletivamente, determinando nosso comportamento social como um todo. Trata-se de processo dinâmico e evolutivo que envolve o ser e engloba a totalidade. Vivemos um tempo que ser feliz é consumo e acumulação, ou, gasto energético progressivo pela busca ocidental da felicidade, ao que parece, rejeitada pelos orientais. Daí enfrentarmos um processo de desconstrução da memória de consumo energético progressivo, ou, consumo desenfreado de energia, para que sem tristeza, passemos ao processo de viver com equilíbrio no consumo; que não seja doloroso.

Anúncios
Esse post foi publicado em geral e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s