Forma e conteúdo

Consideremos conteúdo como o que está contido ao alcance de nossa percepção, o teor de algo. Dentro da ideia de conteúdo, Joseph Nye de Harvard criou o conceito de poder de convencimento ou Soft Power, a capacidade em influenciar indiretamente via atração ou persuasão, o comportamento ou interesses de outros. Lógico que vale para todos os setores da vida incluindo estados etc. No seu livro Soft Power meios para o sucesso na política mundial, busca distinguir efeitos culturais sutis, de valores e ideias, no comportamento de outrem. No caso específico de países foi criado um índice englobando características objetivas e subjetivas, com primazia à governos, cultura, compromisso, clima de negócios e educação. Acrescente-se ainda, tecnologia, popularidade da culinária e simpatia do povo. Por fim, o índice é liderado por EEUU, seguidos por Inglaterra e Alemanha. A Rússia aparece em 27º lugar depois China e o Brasil em 24º.
A Forma trata da configuração de algo, pelo método e variáveis, o que não pode ser percebido com facilidade dentro de um sistema coerente conhecido. Trata-se de realidade transcendendo impressões sensíveis, que define algo, estruturando e delimitando a essência. Por conta desta premissa, pouca importância se dá ao fato que na Palestina ocupada pelos ingleses, organizaram-se grupos extremistas visando a libertação e criação de um futuro estado judeu. Por conta da derrota nazista e o Holocausto, a ONU declarou os estados de Israel e Palestina, sendo o terrorismo o maior inimigo de Israel e uma das justificativas para não se chegar a um acordo com os Palestinos. Na segunda guerra por conta da invasão nazista da França e do governo entreguista de Vichy, coube aos militares, principalmente estacionados na Argélia, a resistência aos nazistas com atos de sabotagem e terrorismo explícito. A história nos alerta que o preferido de Eisenhower para chefiar a resistência, vinha da Argélia, em detrimento a De Gaulle que acabou por se impor. Tal fato ocorreu, pela proximidade do futuro herói francês como subalterno e de confiança de Vichy; aqui, a realidade nos ensina como a forma se compõe à vista dos acontecimentos.
Todos admitem que o terrorismo no contexto da forma, muito utilizado como tática militar na Palestina e nas guerras em geral, acaba por incorporar-se nas sociedades como conteúdo de solução à questões de difícil encaminhamento. O fascismo ainda vivo, defende justamente isso, a violência como arma politica, sem a necessidade em se apresentar com carros bomba. A deformação do conteúdo sempre aflora em nossa consciência pela memória residual como opção à soluções não empreendidas. Fato é que, acontecidos ou não, conteúdos associados à realidade emergem do inconsciente, moldando-se lenta e progressivamente até se tornarem eventos cotidianos. Ataques suicidas feitos pelos pilotos japoneses, considerados heróicos pela nação, banalizados em nossos dias pelo ódio e superficiais conteúdos religiosos, resultam de fragmentos de memória, forma, conteúdo e deformação.

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