Populismo e globalização

Populismo é uma prática política estabelecendo relação direta entre o líder e as massas, deixando em segundo plano as instituições partidárias e de classes, prevalecendo a personalização do poder. O povo serve de argumento no centro da ação em detrimento aos partidos ou entidades de classe. Quer dizer, o líder trabalha em função, de cada vez mais, angariar apoio popular visando a perpetuação no poder. Ian Buruna do Bard College, sobre o populismo, dizia que Churchil entendia que o caminho ao coração das massas não é fingir-se um deles, mas, pelo contrário, parecer aristocrata na convivência adequada com subalternos. Já nos Estados unidos, a popularidade política está na demonstração de riqueza, na ideia populista em afirmar os sonhos dos que pouco ou nada tem. O líder possui carisma, não necessita moderação ao falar, na aparência, ou nos gestos. Na atualização populista, a globalização destruiu empregos provocando estagnação da renda na classe média e aprofundando desigualdades. Por conta disso, atrai descontentes que descarregam sua raiva no voto.
Outra questão importante nos remete a Andrés Velasco, ex ministro da fazenda do Chile, avisando que a sabedoria emergente mistura fatores que devem ser separados ao se buscar analisar e formular as políticas. A saber: a desregulamentação de mercado, produtos e barreiras comerciais, pertencem a microeconomia, enquanto fluxo de capitais, segundo o FMI desestabiliza a economia, e a austeridade auto destrutiva, admitida como tiro pela culatra, são da macroeconomia. Segundo ele, estas três coisas são agrupadas sob um mesmo rótulo chamado de globalização, provocando confusão. Já a queda nos custos de transporte e tecnologias que economizam trabalho é chamada de mudança estrutural exógena. Por fim, defende Keynes por estímulo expansionista à juros baixos e redução da dívida pública.
Clientelismo e populismo, ao lado da extrema dificuldade e confusão na conscientização realista dos diagnósticos que envolvem nossa sociedade, deságuam na inoperância. Pela total falta de condições em lidar com a diversidade política e social, levam ao acúmulo de questões, sequer discutidas, quanto mais afrontadas. Num mundo cuja realidade, aponta ao envelhecimento populacional, estagnação econômica e salarial, aumento brutal da desigualdade, parecemos encarcerados por falta de condições em lutar. O medo de perdas no prestígio político, deságua no imediatismo e corrupção. O que fazer? Individualmente é urgente executar o que sabemos que temos à fazer em nossas vidas, antes de sermos atropelados pela dura realidade que nos cerca.

Anúncios
Esse post foi publicado em geral e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s