De Atenas à Marx

A política é o foco da sociedade na democracia e direito, desenvolvendo-se a partir de parâmetros sociais e necessidades desta sociedade. Daí surgem os movimentos sociais cada um priorizando sua demanda. Não se pode pensar em política sem os gregos, na verdade, seus precursores. Toda a atividade política grega baseia-se na liberdade apesar de não estendida a toda a população; só participavam os homens ficando os estrangeiros e as mulheres de fora. A origem do termo política se encontra na pólis cuja atividade não tem relação com a cidade estado. A pólis era o modelo de cidade grega baseada em um conjunto de cidadãos e não a configuração jurídica do estado. Daí compreender que a pólis seriam povos organizados constituindo leis que regem a sociedade. Por fim, para os gregos, política torna-se o elo que constitui a sociedade. Segundo Aristóteles, política associa diversas ciências visando o bem supremo dos homens, surgindo daí, um ideal coletivo agregado a ela e sujeito à várias necessidades do povo. Fundamentando que a transformação do homem em cidadão se faz pela ética como pedagogia.
No caso romano, a política é centralizada com domínios predominantemente de interesses particulares e monopólios sobre riquezas. O estado governaria em favor de uma classe se impondo sobre os interesses dos demais. As relações entre senhor e subalterno é examinada no direito romano, além da não interferência na propriedade privada, de interesse das classes dominantes, originando daí, relações entre militares, burocratas, corrupção e repressão. Esta forma de estabelecimento levaria ao ocaso de Roma. O renascimento nos mostra a exuberância de Maquiavel, com lições de política para conquistar e manter o poder. A principal característica do príncipe é a virtude que viabiliza a prática da conquista política, defendida como acessível a todos ou a arte do possível. Maquiavel e suas ideias acabam por influenciar a burguesia emergente. O virtuosismo do príncipe encaixa de forma eficaz na estrutura de poder do estado, com a força e astúcia do governante diante a justiça e em relação aos governados. A questão pensada por Maquiavel, estaria nas condições de governança levando ao sucesso ou fracasso do estado. Já Marx, via necessidade de submissão estatal ao comportamento e interesses de uma classe, surgindo daí a luta de classes, deslocando a atividade política a partir do estado. Dá significado político às classes sociais, passando o estado a ser moldado pelos objetivos da sociedade que governa. Dominantes e dominados, segundo ele, se relacionam como exploradores e explorados.
Se fôssemos pensar na democracia brasileira, com facilidade identificaríamos vários dos elementos acima evidenciados. Se questionássemos nossa sociedade sobre o que quer, decerto a resposta seria uma democracia ateniense com a participação de todos ou a verdadeira pólis. Relações do direito romano sem suas mazelas e por fim, valores de Maquiavel no relacionamento político e íntima compreensão marxista facilitando entendimento entre as partes. Infelizmente o que temos são respiros de democracia, interpretações tendenciosas de princípios gregos e romanos, um Maquiavel ágil na pilhagem e lento na justiça. Nos sobra um marxismo violento e justificativo, unindo pela força mais bruta a agressividade da direita e da esquerda.

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