Mito, poder e propaganda

Mito é narrativa que utilizavam povos antigos buscando explicar fenômenos naturais incompreendidos por eles. Pela simbologia, personagens sobrenaturais, deuses, focados em fatos reais se espalhavam de boca em boca através das gerações, aí, se inserindo a propaganda. A lenda trata de narrativa misteriosa ou sobrenatural, somente. O poder constitui a deliberação arbitrária, mando ou capacidade em exercer autoridade ou soberania. Constitui direito em deliberar, exercício de autoridade ou posse de um domínio com influência ou força. A força pode ser ação da propaganda ou disseminação de ideias que mantem ou levem ao poder. A história ensina que a revolução industrial inglesa transferiu o poder da aristocracia à burguesia e assistiu o poder político ser arrastado pelo poder econômico. Com a evolução do processo, a burguesia acabou por sentir-se ameaçada pelo cidadão comum. É nesta transferência de ideias, que se insere a propaganda como sopro criativo da sociedade.
Edward Bernays, no livro ‘Propaganda’ fala que o propagandista compreende o mecanismo controlador dos desejos de forma empírica, conseguindo resultados positivos em sua empreitada na sociedade moderna. Avisa que na sociedade democrática, hábitos organizados e opiniões são conscientemente manipulados. Tal processo, segundo o autor, se faz por oculto mecanismo que acaba por constituir-se em governo invisível, tornando-se um verdadeiro poder regulador. O processo social molda as mentes pelos gostos formados, ideias sugeridas que acabam por nos governar pelos que não vemos e muito menos ouvimos falar. Deste modo a democracia se organiza, arrastando as massas que pretendem viver socialmente em conjunto. Não importa qual a verdadeira importância dada a propaganda nos diferentes eventos estimulantes da sociedade nos campos político, financeiro ou industrial. Fato é, concluindo, que a sociedade necessita deste recurso como executora do chamado governo invisível.
A história humana está repleta de exemplos em que a propaganda é a chama que aquece a sociedade na busca pelo poder e sua consolidação, através de mitos e lendas que acabam por se desfazer pela ação da vida no seu devido tempo. Talvez o maior engano da modernidade tenha sido acreditar que o avanço tecnológico nas comunicações, pela facilidade dos satélites e disseminação da imagem via televisão, daria a seus detentores um poder quase definitivo. Chegaram a pensar que conseguiriam o domínio da vontade das massas, até serem atropelados pela internet que democratizou o acesso a informação. A mudança direcionada dos costumes, o controle de vontades e opiniões, deverão ficar para uma próxima etapa, restando adaptar-se à convivência ao outro. A vida é isto aí.

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