Nada como antes

Não se tem conhecimento na aventura humana, história em que uma sociedade prosperou por conta de algum conflito, que por ventura, tenha se envolvido. Os relatos giram em torno da dor, sofrimento, da dilaceração familiar, abandono, morte, tudo devidamente agravado pelo declínio econômico, destruição agrícola, de pastagens e exílio em massa. A medida que se tornam crônicos, progressivamente campos de refugiados proliferam, exibindo tensões entre os diferentes grupos ali conviventes, muito por conta dos escassos recursos. Passa pelo normal mortalidade infantil em descontrole, sequestros de mulheres e crianças ou morte prematura pela desnutrição ou enfermidades controláveis. Insegurança alimentar, duas palavras que tomam corpo mundo afora, ao lado de fome miséria e morte.
Ao lançarmos um olhar sobre as guerras em geral, melhor dizendo, conflitos envolvendo sociedades e povos, os danos à infraestrutura de início atingindo escolas, impactam diretamente no desenvolvimento das gerações futuras. Na infância, desnutrição de forma aguda ou o recrutamento por grupos armados, determinam prejuízo mental nas gerações aí envolvidas. As crianças abandonadas são fator decisivo na falta de educação, por morte ou abandono dos responsáveis. A Maternidade em idade mais precoce pela ignorância ou desproteção, acarreta descaso e prematuridade no parto; um alvorecer humano em perigo psicossocial.
A paz talvez seja a convivência tolerante entre diferentes, com aceitações variadas e consequente tensão entre eles. Nesta premissa, nações em conflito, não se pacificam com tratados como num passe de mágica. Existe um processo de construção social, como na Bósnia por exemplo, em que inimigos étnicos e religiosos com ressentimentos milenares, tiveram que aos poucos, convergirem socialmente. Sob o ponto de vista social, além de crise econômica, experiência com especuladores, carestia e toda uma infraestrutura destruída, como escolas e hospitais, se perdem gerações. Recomeçar a vida com objeções humanas, materiais ou não, ódios, desrespeito ao outro é a questão à se colocar. Convivência pacifica com antigos inimigos, esquecendo crimes cometidos, mostra que o pós guerra é tão doloroso quanto o próprio conflito. Mais complicado é saber que em sociedades consideradas pacíficas, muitas vezes, os níveis de convivência e tolerância são bem menores que aquelas em fase pós conflito e de forma surda e silenciosa, preservam altos níveis de tensão social.

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