Segurança alimentar e fuga

Em relatório lançado pela FAO na Somália analisando segurança alimentar e desnutrição, informa que a situação é dramática especialmente nas regiões de Puntland e Somaliland, duramente atingidas pela seca do ‘El Nino’. Avaliam ainda que na região de Deyr, também na Somália, chuvas abaixo da média colocam sob pressão o gado por conta de escassez de pastagens e deslocamento populacional em torno de 70%, pela sobrevivência familiar e dos animais. Quanto aos cereais, tiveram quebra de produção em 87% abaixo da média dos últimos cinco anos; quer dizer, no desastre humanitário o pasto tornou-se fator à mais. Para agravar, os vizinhos Etiópia e Djibuti recebem deslocados, colocando sob pressão suas pastagens, daí, conflitos entre as populações humanas. Traduzindo em números, temos 4,7 milhões de somalis necessitando assistência humanitária, 950 mil carentes em situação aguda de insegurança alimentar. Concluindo, 68% dos deslocados internamente estão em necessidade alimentar aguda e em 2016 este número será de 3,7 milhões de pessoas. Na infância serão 305 mil crianças em desnutrição aguda, sendo 58.3 mil com risco de morte.
No caso do Sudão do Sul o saldo do atual conflito são dois milhões de deslocados ou mortos, difícil acesso à água e alimentos, sem falar em danos materiais à infraestrutura. Apesar do acordo de paz firmado em 2015, a violência continua atormentando quase todo o país. Um detalhe sobre os conflitos na África é que a violência além de institucional entre governo e grupos armados, ocorre entre comunidades rivais por conta da invasão de pastos, tudo devidamente agravado por um poder judiciário totalmente ausente, favorecendo deslocamentos forçados. Uma em cada cinco pessoas são forçadas a fugir num total de 2,3 milhões e desde o início do conflito, deslocaram-se 1,66 milhão de pessoas com 53,4% de crianças e 644 mil nos países vizinhos.
Diremos que na África verdadeiramente se encarnam os três Cavaleiros do Apocalipse, evidenciados no ódio, miséria e doença, aqui, compreendido como mal físico e ambiental, constituindo a fórmula exata à tempestade perfeita. Como amostra, constata-se que vários pacientes soro positivos de AIDS ao se deslocarem, abandonam o tratamento e não mais retornam. Vale ainda pensar que a riqueza chamada Petróleo, não retirou da miséria pobres e emergentes. Os melhores exemplos estão na América Latina e África. O detalhe é que não sabem explicar com clareza o que andaram fazendo com o dinheiro ganho no eldorado da commoditie. Apesar de tudo, vale ressaltar casos bem sucedidos como do rio Shebelle, que por conta de trabalho preventivo, reduziu os efeitos danosos do El Nino, utilizando-se de técnicas de armazenagem de grãos e aproveitamento das águas pluviais, conseguindo daí, sobrevivência. Mirando aqui, o futuro.

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