Deslocamentos em massa

A razão principal em se prepararem estatísticas na questão dos refugiados é dimensionar o problema visando melhores decisões. A Unidade de Atenção e Reparação integral às vítimas na Colômbia, avisa que dos inscritos, basicamente 84,2% são deslocados, 3,5% homicídios e 2,1% desaparecimentos. A Colômbia foi o único país da América Latina em que foi declarada a existência de uma crise humanitária. O estudo Violência Colombiana nos avisa que em 1962 haviam duzentas mil pessoas assassinadas desde 1948. Com a guerra civil em andamento, em 1994 o governo dizia haverem 600 mil deslocados e a Unicef falava em 900 mil. Quanto ao perfil das vítimas haviam mais mulheres que homens, crianças em grande quantidade e um quarto de afrodescendentes e indígenas. Outro fato sobre a guerrilha em fase de negociação é que em 2015 houveram 1425 famílias deslocadas totalizando 5721 pessoas, em 2016, houveram dezesseis deslocamentos em massa. Ao evoluírem as negociações, grupos criminosos, ex-paramilitares e guerrilheiros, armados, preservam espaços territoriais.
Por conta da questão acima, autoridades do Quênia alegando motivos econômicos, de segurança e ambientais fecharam o maior campo de refugiados do mundo. De consequências desastrosas, segundo organizações internacionais, afeta o complexo de Dadaab, o maior campo de refugiados do mundo, com aproximadamente 600 mil pessoas vindas da Somália e Sudão do Sul. O caso somali é o mais dramático pelos mais de 25 anos de conflito segundo a Human Rigths Watch. Para a diretora da MSF no Quênia, trata-se de flagrante negligência o fechamento do campo e repatriamento dos refugiados à seus países de origem. O caso somali afeta 330 mil pessoas e um país destroçado por uma guerra sem fim. Segundo a ONG, cerca de 4,7 milhões de somalis ou 40% da população, precisam de ajuda humanitária.
A questão dos deslocados em massa por conta de conflitos armados, não se resolve simplesmente com um acordo de paz. Primeiro, os deslocados perdem em sua maior parte, os bens adquiridos ao longo da vida. No retorno, não há a certeza que não encontrarão seus algozes armados nos locais de origem, ou se terão oportunidades justas ao reiniciarem a nova vida; portanto, uma questão que não termina com um simples armistício. Para piorar, países com situação financeira mais precária como Jordânia e Quênia, pela proximidade ao conflito, acabam com o maior peso dos refugiados. Por sinal, foi a rejeição aos refugiados pelos países da UE, que possibilitou a facilitação e avanço da integração turca no bloco europeu, quebrando resistências históricas e preconceituosas. Mesmo que devagar e com todos os defeitos, a fila segue andando ao longo do tempo.

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