História e ofício

Conceituaremos ofício como ação ou trabalho que necessita determinada técnica, habilidade ou especialização. Daí a ideia de ocupação, trabalho remunerado em que são retirados os meios para a sobrevivência. Por sua vez, trata-se de um serviço comprometido visando execução ou incumbência por hierarquia. Em consequência ao conceito de trabalho surge o de mercado de trabalho em que as mercadorias ou o fruto do ofício são expostas à comercialização, inseridos na lei da oferta e procura. A relação capital e trabalho é por valorização do trabalho pelo capital.
Ofícios existiram e sucumbiram em decorrência do tempo a que estão expostos. Trata-se portanto de atividade remunerada e fruto do tempo vivido. No auge das sangrias, surgiu o ofício de pescador de sanguessuga, consistindo em entrar nos pântanos e deixar-se sugar pelos vermes, que saciados, se desprendem e assim apanhados. A paga pelos sanguessugas era pão com um copo de sangue; um costume de época. Com a decadência do modismo o ofício também minguou. No Egito antigo haviam escravos que se untavam com mel para atraírem moscas, evitando assim, infortúnios ao senhor. Nos séculos XVIII e XIX, com o advento da anatomia e pesquisas envolvendo o sistema circulatório, viu-se florescer nas faculdades de medicina o uso de cadáveres, surgindo daí os comerciantes de corpos, que assim, satisfaziam a ciência.
Como vemos os ofícios se inserem no mercado de trabalho pela busca necessária da sobrevivência humana. Nossa sociedade de consumo, produziu imensa quantidade de lixo que a modernidade ao se conscientizar, pela quantidade acumulada, busca o reaproveitamento com o nome de reciclagem. Se faz evidente que tal matéria prima não possui valor no mercado, correndo o risco em se tornar uma atividade de remuneração menor ou periférica. Caso não sejam promovidas ações que valorizem a atividade recicladora, que pelo aprimoramento, necessita nos países mais pobres valorização justa do trabalho executado, desde a coleta, a separação e o retorno à indústria. Por se tratar de um anti mercado não especulativo, deve ser na economia colaborativa a busca por valorização adequada do trabalho em questão. Em tal empreendimento se insere uma moeda ambiental virtual, atrelada ao ouro, que dê valor maior ao trabalho executado do que na economia formal ou especulativa. Desta forma se conseguirá iniciar uma luta para nos livrar da cilada econômica que a todos aguarda; a marginalização do ofício de reciclagem nos países pobres.

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