Muito, pouco, quase nada

O presidente da Sociedade Dominicana de Psiquiatria, Dr Jorge Miguel Gomez, afirmou recentemente preocupação com as alterações da dinâmica familiar em seu país, por conta de indicadores de maus-tratos, violência, assédio e abuso de crianças. Disse que, na família, estão os maiores riscos de mortes violentas devido a pobreza, exclusão social, vulnerabilidade e stress. Afirma que as mais afetadas tem relação direta com a questão psico-social, pela marginalização dos pobres, desemprego, doenças disfuncionais e stress social. Tudo cronificado por frustração, tensão social e desesperança, ocasionando mentes paternas problematizando socialmente os conflitos internos. Resulta daí, depressão, stress, com pouca tolerância na solução de conflitos diários e com os filhos.
Por conta disso, o filósofo John Rawls estabelecendo princípios nas escolhas sociais, enumera a liberdade, a diferença e a oportunidade como pilares básicos, em que a predileção está sob véu de ignorância do sujeito por conta do lugar que ocuparia na sociedade preferida. Por desconhecimento, tenderia à imparcialidade com receio de prejuízos nas decisões tomadas. Além disso, Rawls fala em benefícios aos menos afortunados como degrau primeiro nas desigualdades, concomitante a igualdade efetiva nas oportunidades. Justifica a intervenção estatal na busca por igualdade e oportunidade, com serviços públicos eficazes aos necessitados e eventualmente aos menos carentes. O financiamento viria do velho imposto cobrado à todos. Defende ainda subsídios buscando afrontar a miséria e o desemprego ao lado de políticas eficientes de inserção social. Avalia como dever compartilhar talentos com os menos favorecidos e não aumentar abismos. Por fim, a crítica à desresponsabilização e acomodação é mal a se combater.
A precariedade no viver ou estado de carência e pobreza, não se trata somente da falta material mas de um estado crônico que dura uma vida ou geração consumindo as pessoas em seu melhor. Trata-se de desesperança, sensação de impotência ou perda no controle ao encaminhamento cotidiano, resultando não só carências materiais, mas desgaste emocional refletido na incapacidade ao enfrentamento diário. Questões políticas que possam advir, como participação efetiva ou não do estado, por mais questionáveis que sejam, deixam em muito a desejar, pior, deixam gosto de injustiça na alma dos envolvidos. Na verdade, o viver não deveria se restringir ao muito, ao pouco ou ao quase nada, e sim, a uma visão mais aberta no conviver.

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