Colateralidades

Análise sobre transferência de renda na Colômbia, diz que existe redução inicial na violência doméstica de quase 6% no curto prazo, desaparecendo no médio e longo prazo. Além do fato de concentrar em municípios com maiores níveis de riqueza, sendo menor quando pagamento inesperado acontece, quando não ocorre, notam aumento da incidência de violência. Em outro estudo efetuado por Gustavo Bobonis, Roberto Castro e Juan Morales “Transferências condicionais de renda para mulheres e violência” patrocinado pelo BID, avalia que há no México relação entre transferências condicionais e prevalência de violência doméstica rural. Observam que a violência física e psicológica contra a mulher, reduz-se ao longo dos anos, entre as que participam dos programas de transferência em relação as que não participaram, com posterior equilíbrio entre ambos.
Em pesquisa uruguaia chamada de “Taxa de Câmbio Real, disparidades salariais entre sexos e violência doméstica,” Ignácio Munyo e Martin Rossi exploram discrepâncias salariais e violência doméstica. Concluíram que mudanças nas taxas de câmbio afetam de forma diferente homens e mulheres, já que os primeiros se associam a setores de bens comercializáveis e as mulheres ao de serviços. Daí, flutuações cambiais afetam o preço relativo entre mercadorias mais ou menos rentáveis impactando diretamente nos salários. Concluem que aumentos na taxa de câmbio reduzem o salário das mulheres e seu poder de negociação, resultando aumento na frequência da violência doméstica, física, sexual, econômica e emocional. Avaliam relação no aumento da taxa de câmbio e violência doméstica.
Nesta premissa, estudos concluem que mulheres que participam de programas de transferência por conta da emancipação econômica, melhoram sua capacidade de negociação. Apresentam colateralidade no aumento da violência psicológica e física justamente pela ameaça da perda de hegemonia masculina no controle dos recursos. Em resumo, programas de transferência de renda latino americanos podem no curto prazo aumentar ou diminuir a violência, necessitando aí, condicionantes ambientais. Outra colateralidade é o aumento de ameaças e violência caso pagamentos prometidos falham. Em suma, mudanças na política cambial de emergentes afetam a segurança feminina doméstica. Como forma em contrapor tais questões, países incrementam programas de microcrédito como a África do Sul. Daí, programas de transferência de renda, incluindo os daqui, possuem capacidade finita no combate à violência e desigualdade. Há que se passar à fase seguinte, mais elaborada, com políticas eficientes visando preservação e aumento dos ganhos, lacuna que certamente acarretará perdas.

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