Isolamento e convivência

O sociólogo e professor da Universidade de Nova York Eric Klinenberg, acredita que vivemos o “apogeu da vida solitária” que despontou nos anos 1950. Ao investigar efeitos de uma onda de calor em Chicago no ano 1995, notou que mais de 700 das vítimas fatais moravam sós. Informa que nos últimos 10 anos se fortaleceu a ideia de morar só por conta da mudança de status da mulher, longevidade, revoluções urbana e de comunicações. Apresenta como atrativo, a privacidade, anonimato, autonomia e conexões descompromissadas com o outro. Eric avisa que são mais de 30 milhões de americanos vivendo atualmente nesta condição. Já o Euromonitor Internacional, identifica aumento de 33% entre 1996 e 2006 de viventes solitários projetando em mais 20% seu crescimento.
Ainda relacionado a convivência, outra questão importante é que a maioria dos terapeutas pensa ser uma relação ideal aquela que envolve sexo e muito amor, sendo tal conceito, quase consenso. Em suma, um vínculo afetivo seria sustentado por muito tempo pelo amor e sexo. A rede social Gransnet auxiliada pela empresa inglesa de assessoramento feminino Relate, numa amostragem de 634 pessoas entre 51 e 85 anos, identificou que uma em quatro mulheres, nunca tem relações sexuais, e segundo elas e apesar disso, se mantem felizes. Aquelas inclusas nesta estatística afirmam que as uniões são mantidas, não por sexo, mas por compaixão, generosidade ou amizade. Apesar das evidentes alterações físicas da idade e aceitas pelas entrevistadas, conclui-se que 57% não lamentam a extinção da chama da paixão. Despertou atenção, não a ausência de sexo, mas o fato de nesta condição, as pesquisadas não lamentarem a evidência.
Talvez os eventos acima nos remetam ao Dr Freud por conta da separação individual defendida pelo psicanalista, se inserindo no ‘tabu do isolamento pessoal.’ Pequenas diferenças pessoais tornam-se base dos sentimentos de estranheza e hostilidade. A hostilidade nas relações via ‘narcismo das pequenas diferenças’ no decorrer do desenvolvimento humano temporal, sobrepuja o mandamento de amar o próximo, ideia esta, sedimentada pelo psicanalista. Em conclusão, Freud defendeu que é da proximidade e não distância que floresce o ódio ao outro. São as relações de identificação a que nos propomos como sujeitos nas várias nuances da vida, pelos traços familiares, grupos ou crenças, que parece nos levar pelas diferenças, ao isolamento individual. Fato é que aumenta dia a dia.

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