Unidade e entendimento

Desenvolvendo o tema da unidade, Lacan conceitua unicidade como “função do traço unário (aquilo que é único),” com raiz freudiana baseada na ideia narcisística (amor excessivo a si e sua imagem) pelas pequenas diferenças cotidianas ou obsessão em diferenciar-se daquilo que lhe resulta mais parecido. Espinosa em sua ‘Ética’, sob o olhar da filosofia fala de conservação do ser em direção à concordância nas coisas tendendo a uma só alma, e em consequência, a unidade, e com isto, sua preservação. Buscando utilidade na condução da razão, entendia que os homens não deviam buscar a si nada além do que desejassem aos outros, daí o fato da razão no amor, em que cada um se ame e busque sua a própria utilidade; coisa que parece ter significado ainda hoje.
Ainda inserido no contexto acima dentro da dualidade energia ou espírito e matéria, Carl Jung advogou que a partir do século XIX nasce uma psicologia chamada de “sem alma,” fortemente influenciada pelo materialismo científico em que aquilo que não se vê com os olhos e nem pode ser tocado pelas mãos, fica sob suspeita. Em ‘Os complexos e o inconsciente’ desenvolve a ideia que pensar metafisicamente (além da física), compromete. Neste período, a metafísica do espírito cede lugar à da matéria, provocando no mundo da psicologia uma revolução em sua percepção. A partir deste ponto só é cientifico o que é manifestadamente material, podendo ser admitido pelos sentidos, portanto, aceito. Esta ideia acaba por criar consciência na Europa em que o espírito depende da matéria e de suas causas.
A prevalência de ideias de baixa estima na metafísica e conceitos de unidade e narcisismo das diferenças, díspares na modernidade, sugerem luminosidade sobre nossa realidade atual. Parece factível imaginar que a prevalência do materialismo em nosso cotidiano, nos leva à estrada em que unidade e convivência harmoniosa ou concordância, tendem a ficar em patamar inferior diante a discórdia e a busca por soluções mais individuais, portanto, susceptíveis ao conflito.

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