Chegando ao poder

No que diz respeito a modificações sociais, diremos que o arrefecer dos anos de chumbo na Itália, Espanha e Portugal nos idos de 1970, progride em paralelo com o que ocorreu na América Latina, guardando devidas peculiaridades. Talvez o grande evento em comum nas democracias que daí emergiram foi a inserção social da esquerda, focado na economia, que passou a predominar acima de tudo. Atrelou-se ao cidadão o acumular a qualquer preço como ideia de progresso, priorizado no consumo e trazendo ao centro, os economistas. Sua chegada efetiva ao poder, trouxe influência política e social em sociedades iluminadas por liberdade incipiente, com as mais contrastantes leituras sociais.
A consequência fundamental dessa modificação foi a confiança no fator econômico como ato decisivo na transformação política. A inflação foi marco nestes anos de emergência liberal, tornando-se um termômetro social e principal preocupação envolvendo direita e esquerda. Ditando receitas variadas, os economistas tornaram-se depositários do justo e possível com consequente afirmação da ciência econômica avalizando seu juízo objetivo; a prosperidade. Em resumo, encabeçam a lista de experiências econômicas o endividamento externo não visto até então, hiperinflação nos países mais inusitados, confiscos de depósitos bancários, relação conflituosa entre moedas locais e o dólar, criação de sub moedas via cotações diferenciadas e o mais emblemático, o default; aqui, o poder dos economistas. Ressaltemos a questão principal: tal protagonismo e seus efeitos, transformaram a vida cotidiana de milhões de pessoas.
Hoje, vivemos momento em que democracia é sinônimo de sucesso material e governos só sobrevivem avançando indefinidamente rumo ao bem estar econômico. Fatores variados levam em direção a uma pausa, sem a certeza, se temporária ou definitiva. Talvez o mapa a governos democráticos se descolarem da dependência econômica, seja a rotatividade pelo voto em todos os níveis de poder, em prol da perenidade via luta pelo mesmo. A democracia urge desatrelar-se de resultados econômicos porque não é lá sua base de sustentação, e sim, a liberdade do cidadão sem os conhecidos atalhos e sortilégios. Por conta do bipartidarismo nela imposto, há nítida necessidade da convivência política sem prejuízos à vida de um país. Talvez o termo sinceridade política, valha, pois a hipocrisia e mentira mostraram resultados que todos conhecemos. Violência, aumento da desigualdade e descrédito da própria democracia, abrem espaço aos de sempre.

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