Paradoxo do mal

O chamado ‘Paradoxo do Mal’ engloba aspectos subjetivos e inconscientes. Sob o ponto de vista psicológico é a identificação do ‘eu individual’ com o ‘eu cultural’ podendo impulsionar atrocidades em defesa de uma ideia ou verdade. A solução buscaria atender aspectos resistentes à razão. A questão do bem e do mal, perene em discussões filosóficas religiosas e éticas, lograriam solução via um ‘salto de consciência’. Por conta disso, Jung nos diz que os mais aberrantes comportamentos procedem de uma fantasia sobre a realidade. Diz que matar e perseguir um estranho decorre de substituição desta perseguição e desejo de morte em que fazemos objeto nosso estranho interior. Pela ótica social, a expressão passional de rechaço à formas religiosas, culturais e políticas de determinado grupo, consiste manifestar sub-personalidade ou sombra. Em resumo, a maldade é inconsciência na qual o mal repousa na penumbra e ignorância. Nesta premissa, Carl Jung configura o mal como um arquétipo (imagem mental) denominado sombra, também chamado sub personalidade, contendo múltiplos traços de personalidade não assumidos pelo eu consciente. Cada sub-personalidade considerada um ego seria o traço diferencial da pessoa, com prevalência de um sobre vários sub egos, alguns admitidos e outros ignorados ou subdesenvolvidos pelo ‘eu’, inclusive, perseguidos pelo dominante.
Em paralelo, as sub-personalidades constituídas por diferentes egos constituem a natureza interior podendo compor-se como uma sociedade interna. Um paradoxo não resolvido provoca tensão entre opostos por conta dos inconscientes. Além disso, os sociopatas sofrem uma educação negligente tornando-os incapazes de socializarem-se corretamente, não dando importância à normas legais e de comportamento. Ausência de empatia, hedonismo em excesso, egocentrismo, megalomania e forte impulsividade, os diferencia de um psicopata. Impulsividade e ordenação, chaves na diferenciação entre ambos.
Sob o ponto de vista coletivo, o Paradoxo do Mal oscila na tensão entre a liberdade e a tirania. Partindo da premissa que o coletivo se inicia no unitário, em que o ser individual possua as características imaginadas acima, seguiremos. As sociedades oscilam na tensão entre a tirania e a liberdade, daí, o Paradoxo do Mal. A denominação de Democracia será a desconstrução do inconsciente pela construção da consciência. Nesta ideia, um governo democrático seja ele oriundo da direita, esquerda ou de onde quer que venha, deveria estar consciente em governar à todos, e de forma lúcida, conter o Paradoxo do Mal. Daí a luta pela liberdade, e o mais importante, ao consegui-la, deveríamos saber o que fazer com ela, ao que parece, não é o que temos visto até aqui.

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