Razão e fundamento

O filósofo espanhol Ortiz Osés buscou interpretar as realidades cultural e existencial estabelecendo termos opostos entre a primazia de uns em prol da desvalorização de outros ou conflito entre forma e matéria. Tal premissa, via dualismo ocidental, remete ao matriarcalismo e patriarcalismo que considera uma sociedade cultura ou obra humana em contínua tensão, protagonizando dois fatores antagônicos e coesos. Em suma, conflito entre forma e matéria, solucionado ou não, remete à exaltação da forma dominando a concepção material.
Na tentativa em dar sentido prático ao filósofo espanhol, diremos que na questão ambiental em discussão alguns fundamentos parecem bem definidos. O princípio de engenharia sanitária usando rios como veículos de condução de dejetos parece superado pela necessidade de implantação das usinas de tratamento de esgotos. O mesmo inclui ao derramamento de subprodutos industriais nos rios ou descaso com agrotóxicos neles descarregados. Ninguém parece mais contradizer a importância de reciclagem do lixo e seu reaproveitamento, diminuindo pressão sobre a extração primária e a indústria de transformação dos materiais reciclados. Tudo isto é consequente ao amplo processo de discussão e campanhas de informação empreendidas por governos e instituições privadas. Aqui o surgimento de questão fundamental por conta do grau de cultura de um povo e sua aceitação; convenhamos que países industrializados possuem menor resistência à mudanças de comportamento que os mais pobres e emergentes.
Tomando o lixo reciclado diremos que, em países ricos, a separação primária é feita dentro das casas de forma mais eficiente e rígida buscando melhor rentabilidade. Nestes países, coleta fracionada é mais profissional com empresas seguindo padrões rígidos de segurança e higiene. Nos mais pobres, tudo se complica pela aceitação nas campanhas de informação com resultados, por questões educacionais aquém dos mais ricos. Coletas seletivas amadoras predominante entre os mais pobres levam à desvalorização, via remuneração, com consequências na produtividade e resultado final. Nesta premissa, inserido no conflito entre forma e matéria ou valorização e desvalorização, talvez como meio de alavancar a reciclagem, necessitemos criação de um mercado virtual ambiental. Mercado este, não especulativo, à vista, com moeda virtual própria (netbit por exemplo) externa aos bancos centrais, e assim, dar valor convidativo à atividade recicladora como lixo seletivo, coleta e desmanche de produtos obsoletos etc. Em resumo, um mercado de compra de automóveis com mais de vinte anos de vida, recompra de eletrodomésticos ou celulares com melhor remuneração, que após desmanche, seguirá à industria de transformação. Quem sabe assim melhoremos nossas bisonhas taxas ambientais.

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