Nem tanto ao mar, nem tanto à terra

O jornal russo Novie Izvestia informa aprovação de lei parlamentar sobre organizações indesejáveis, segundo parlamentares, ameaçam o regime constitucional sua capacidade de defesa e segurança. Para os direitos humanos visam sufocar liberdades civis deportando quem se atreve a criticá-los. O Human Rigths Watch e a Anistia Internacional falam em lei draconiana herdeira da lei sobre agentes estrangeiros. O chefe do Comitê de Relações Internacionais do Senado da Rússia, Konstantin Kosachev fala que “o objetivo de uma ONG é conduzir processos políticos no interior do estado, influenciar ou mudar pela força um regime leal.” Existem cerca de 10 milhões de ONGs no mundo, com participações na política, cultura e economia, 40 mil subsidiadas por americanos e europeus. A existência da National Endowment for Democracy (NED), com bases na América Latina e Europa, não é segredo. A ideia em criar ONGs a serviço americano na África Ásia e América Latina, surgiu em fins dos anos quarenta e decolou em 1961, pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Seu objetivo oficial era fortalecer política externa, cooperação com países que recebem assistência econômica, agrícola, saúde, política, etc. Willian A. Douglas no livro “Desenvolvimento da democracia,” coloca os povos latino americanos africanos e asiáticos sob tutela americana, conceito este, disseminado pelo mundo. A transformação social, para este autor, não seria feita somente pelos governos, e sim, com a ajuda de organizações privadas subsidiadas pelos EUA. A partir dos anos 80 as ONGs passaram a ferramentas vitais do projeto democrático sob o ponto de vista americano.
Todos conhecem a participação da USAID nos golpes de estado desde 1961 e junto com o NED, influenciaram países contrapondo-se a URSS. Este envolvimento engloba todos os campos, inclusive a eliminação dos “inconvenientes” como Lumumba no Congo e Allende no Chile. Sobre a relação de ONGs com o governo americano, Allen Weinstein da Universidade Georgetown disse em 1991 que, “muitas tarefas que cumprem hoje foram 25 anos atrás de responsabilidade da CIA.” Pelas razões acima os russos não querem a NED por lá. A ONG Freedom House junto com a USAID, financia e canaliza forças em 100 países na sociedade civil à custo de 22,3 bilhões de dólares. Importante lembrar que os índios nicaraguenses Miskito colaboraram com a Cia na revolução sandinista. Correia no Equador questionou os 56,2 milhões de dólares do NED as 31 ONGs amazônicas, acusando-as de promoverem a marcha opositora contra ele. Verdade ou não, dizem que políticos como Leopoldo López e Henrique Capriles na Venezuela, Mauricio Rodas no Equador, Aécio Neves no Brasil são parceiros da NED.
Como vemos não são todas as ONGs a mando americano, não se negando o serviço que prestam à sociedade. Quando o Greenpeace aborda um navio russo no Ártico, a Anistia denuncia violação de direitos humanos, os Médicos Sem Fronteiras assistem populações deslocadas mundo afora, decerto geram alegrias e tristezas. Os EUA financiam, e todos sabem, não todas as ONGs, e nem por isso, generalizaremos sua atuação. Como disse Henry A. Giroux “não esperamos tempos sombrios futuros, pois aí estão, não significando que ficarão para sempre.”

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