Contramão

O PNUD, órgão da ONU que avalia o desenvolvimento Humano, diz que em 2014 junto com Guatemala e El Salvador, o México aumentou a pobreza em 3 milhões de habitantes desde 2012. O Conselho Nacional de Avaliação da Política e Desenvolvimento Social, o mexicano CODEVAL, avalia que 55,3 milhões de cidadãos deste país estão na pobreza ou 46,2% dos 121 milhões de habitantes. Deste total, 12 milhões têm renda inferior a um dólar/dia e os demais, abaixo dos dois dólares, na contramão à tendência latino americana em reduzir a pobreza. Este aumento se verifica apesar dos bilionários gastos com programas sociais visando seu combate.
Muito se tem falado neste assunto por lá, com respostas variando do impacto negativo da reforma fiscal implementada em 2014, a má concepção e gestão das políticas públicas, além da economia não crescer o suficiente e o rendimento familiar congelado serem os grandes vilões da questão. Dizem que o problema foi o beneficiamento em 4 bilhões de dólares aos grandes exportadores agrícolas do norte do país, visando afrontar o impacto do Acordo de Livre Comércio com o Canadá e EEUU em vigor desde 1994. Subsídios ao gás e eletricidade no valor de 15 bilhões de dólares acabou por beneficiar os mais abastados. Especialistas, falam em 48 programas federais de projetos para geração de renda e emprego à custo de 7 bilhões de dólares anuais, mostrando que o problema não é falta de programas ou estímulos, mas questões nacionais que levam ao atual quadro de fomento à pobreza. Depois de quase uma década em redução o país vê-se agora na contramão da América Latina, mostrando que o combate à pobreza regrediu devido a perda na capacidade em contê-la pelos programas implementados na década anterior. Parâmetros que serviram à medição do fenômeno como cobertura de serviços básicos, educação, saúde, segurança social, habitação, alimentação e renda familiar sofreram forte deterioração determinando o resultado acima. No quesito receitas, nota-se que o salário mínimo federal de 5 dólares/dia é um dos mais baixos da América Latina.
O PNUD, órgão que avaliou a questão, nos diz o que necessita mudar é a forma como se gasta nas necessidades da população mais velha. Outra questão é o não alcance aos mais pobres entre pobres, agravando deficiências aos mais vulneráveis. Está em fase de estudo por lá, gastos públicos na infância e seu impacto na evolução do desenvolvimento humano e contribuição ao mercado de trabalho. Acrescente-se a tudo isto, a grave corrupção que assola o país, para quem não se lembra, o México perdeu a melhor fase do eldorado do petróleo, deixando passar a oportunidade que os noruegueses souberam bem aproveitar. Bom ainda lembrar o frágil enfrentamento aos grupos criminosos organizados, um verdadeiro estado paralelo, agravando com força a corrupção. Que o exemplo mexicano traga luz às semelhanças entre mazelas de lá e cá.

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