Ciclo completo

A hiperinflação como aumento descontrolado dos preços nas economias é considerado o pior trauma econômico ao cidadão comum pela consequente escassez alimentar. No início o dinheiro como moeda de troca era limitado pelo lastro ouro, expandiu rapidamente quando governos emitiram indiscriminadamente suas moedas provocando inflação. O controle de preços exercido pela autoridade econômica no embate anti-inflacionário leva a escassez pela queda da produção e importações. Um outro evento interessante neste fato são empresas em dificuldade burlarem a lei por necessidade de recapitalização. Ainda no quesito governo, o monstro surge por altos déficits orçamentários, impossíveis de financiamento via impostos e empréstimos. A solução enquanto plausível, seria trilhar a austeridade à custos políticos e sociais bastante altos ou emissão de dinheiro com descontrole inflacionário. A emissão de dinheiro, dito por quem entende, ao percorrer um caminho macabro de incertezas, acaba por desaguar na destruição da economia organizada.
Mugabe foi quem trilhou o ciclo completo da maldição econômica. A hiperinflação chegou a 98% ao dia, por conta de, chegando ao poder, manter a lei de segurança nacional racista do regime anterior, e passar com sua ajuda, a controlar o país. Seu maior aliado foi o Presidente do banco Central, emitindo indiscriminadamente moeda gerando inflação para satisfazer a clientela corrupta. Ao decretar o fim da moeda local zerando as dívidas existentes no país com sua ‘hora zero econômica’ concluiu o ciclo da maldição econômica. O abandono da moeda local findou o banco Central e a economia passou a ser gerida por várias moedas estrangeiras predominando o dólar americano, libra, euro e rand sul africano. Com a impossibilidade de gastos clientelistas por emissão monetária, a economia se reorganizou aumentando o PIB via crescimento. Quem não sucumbiu empresta cautelosamente seu dinheiro, quer dizer, consumo sob controle. Desnecessário dizer que este ciclo levou a fome e êxodo forçado, passando o país a viver pela ajuda humanitária da ONU e ONGs. Com o renascimento, os que sobreviveram se recapitalizam por venda patrimonial, como os bancos, já se notando a volta dos cartões de crédito. Bom lembrar que o futuro do país é mineração e agricultura e não o sistema financeiro.
Autoritarismo, incapacidade de financiamento das dívidas via arrecadação e impostos, gastos excessivos, clientelismo, corrupção política, emissão monetária evitando medidas restritivas impopulares e desabastecimento. Além de hiperinflação, miséria e ilegalização da atividade econômica remanescente; de forma sucinta, aqui o ciclo da maldição econômica. Noticiários econômicos falando em crise, sempre mostram nos envolvidos, os elementos listados acima. Diante de macabros eventos, se a democracia não se estabelecer em poderes verdadeiramente independentes, sem chantagens entre si, os acordos políticos não forem compromissos ao bem comum, não clientelistas, e a relação público/privado transparente, conter o ciclo da maldição econômica será sempre obra de ficção.

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