Fora de lugar

A perfeita coincidência entre o crescimento econômico americano e sua dívida mostra que, de início, parece coisa desejável com empregos e melhoria do nível de vida. Iniciado com a era Reagan pelo lema “déficits não importam,” acabou por tornar-se o motor principal do desenvolvimento, não só americano, mas de muitos países. Os EEUU apesar do crescimento da dívida superior a 100% do PIB, paga juros mais baixos que países menos endividados, muito por conta, de possuírem a máquina de fazer dinheiro. Especialistas falam em maldição da dívida e da exponencial de juros compostos (juro mensal incorporado ao principal, compondo a cada mês novo capital para cálculos subsequentes), acabando por determinar sua duplicação em poucos anos. Inviabilizam sua reversão pela velocidade de crescimento ser maior que de acumulação e desenvolvimento econômicos. A relação perversa dívida/PIB é liderada pelo Japão (230%) seguido por Grécia, Líbano, Jamaica, Itália e Portugal. Os EEUU possuem (101%) Brasil (58,9%) e as menores relações são Brunei (2,6%) e Arábia Saudita (1,6%). Como ilustração, China (22,4%), França ((95%), Alemanha (74,7%), Índia (67,72%), Rússia (17,92%) e Reino Unido (89,4%).
Ainda no caso americano, o Congresso elegeu um “Super Comité” visando buscar um plano de compromisso para sua redução e do gasto público, que acabou por provocar pânico nos mercados internacionais. A questão emperrou no financiamento de gastos militares e civis. Pelos Democratas, engrossou na redução dos programas sociais e vantagens fiscais à classe média, pelos Republicanos, o aumento de impostos aos mais ricos. Por conta do impasse, a solução coube ao FED, via emissão de moeda, sempre que se fizer necessário. Segundo Vladimir Braunin o surgimento de um fator desestabilizador poderia não ser o tamanho da dívida pública, e sim, o excessivo endividamento das empresas estados e municípios, ficando todos com um colossal problema nas mãos. Falou desta forma: “uma onda de bancarrotas motivadas por dívidas corporativas e municipais seria um duro golpe nos bancos e fundos de pensões com piora da qualidade dos ativos e fatal a toda economia”.
Os eventos acima descritos nos remete a alegoria do boi na sala em que o dono da casa trilha o caminho mais curto. Ao invés de providenciar sua retirada, começa a alimentá-lo com capim e água em fartura do quintal. Posteriormente, observa que o boi ganha peso pelo excelente tratamento e passa a vender suas partes para quando ele morrer. Com o passar do tempo e devido a engorda, os papéis dos segmentos bovinos se valorizam e seus proprietários os revendem com lucros maiores. Certa feita, o dono da casa numa avaliação mais atenta, descobre que não se trata de um boi e sim de uma vaca. Daí passa a retirar seu leite e melhora sua renda vendendo na Cooperativa da cidade. Um dia sem aviso, ocorre forte seca determinando escassez de água, com isto, o capim se rarefaz e o boi emagrece minguando os lucros, tudo se transformando num grande problema; é a dívida pública!

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