De volta à vida

A partir da década de 1990 a soberania das nações deixou a desejar em questões financeiras ficando sem imunidade legal perante tribunais estrangeiros. Evidente que tal refere-se a países mais pobres, já que a Espanha em nome da democracia, quis julgar Pinochet (não querendo defendê-lo) recuando em relação a China. Por conta dessa premissa fundos especulativos, principalmente americanos, passaram a comprar com desconto, dívida soberana de países endividados, levando-os aos tribunais cobrando seu valor nominal, isto é, compra-se papel a preço de banana e exige na justiça seu valor declarado. Por exemplo, após falência ou default de países, seus títulos perdem valor e seus possuidores os vende aos fundos especulativos a preço irrisório, que sem esperar pela valorização do mercado que nunca virá, exige por demanda nos tribunais. Os fundos de investimento com esta prática recebem o nome de abutres ou podres. Os maiores réus estão nos países pobres com aumento das demandas por esta questão a partir de 2000.
A União Européia pediu inclusão de cláusula vinculativa (válida em processos judiciais) em caso de reestruturação de dívida para novos títulos. O FMI pede que nas emissões de títulos, pelo menos a maioria dos credores aceitem possível reestruturação evitando assim os tribunais. A ONU em 2014 colocou a questão da reestruturação da dívida soberana dos países sob mecanismo regulador. Presos a esta cilada estão os argentinos pelo fundo NML Capital que exige valorização de 1600%, a Irlanda pelo Fir Tree Partners, a Espanha pelo Elliott Management Corporation de Paul Singer com 1 bilhão de euros emprestados ao Bankia.
Se considerarmos que o Judiciário é face visível de seus respectivos países, no caso americano, o sinônimo de imparcialidade chama-se Wall Street claudicando aos abusos políciais contra negros. Não satisfeitos pela corrupção, incompetência, violência, drogas e ignorância, governantes mais pobres se endividam além das posses, por vezes favorecendo credores corruptos, e vêem sucessores condenados à definitiva miséria no Judiciário do primeiro mundo. Como bem definiu o Financial Times “um beijo no cadáver” ou trazendo um defunto a vida via judicial. É desse jeito!

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