Moral da história

Hervé Falciani funcionário do HSBC que denunciou a existência de contas secretas na agência de Genebra, disse em entrevista à imprensa argentina que o dinheiro não é uma referência moral mas um instrumento operativo. Sobre o caso do banco que trabalhou, o cerne da questão estaria no segredo e caso não coloquemos um fim no que se refere ao sistema bancário, prosseguirá se desenvolvendo nos prejudicando ainda mais. Falou que a fraude fiscal se estabelece por ausência de fiscalização e complexidade dos dispositivos financeiros inventados pelos bancos; quanto mais complexo mais difícil detectá-la. Conclui dizendo que a falta de controle é voluntária e em relação a questão das contas secretas, disse que a resistência maior à investigação é nos EEUU e Europa, e para surpresa geral, avisou que há menos corrupção na América do Sul que em outras regiões.
A respeito da lavagem de dinheiro nos diz que sua prática busca desvincular relação dos fundos de investimento com os crimes praticados. Fruto da desregulamentação financeira, atraiu depósitos vinculados a atividades ilegais não verificando sua origem. Fala-se ainda que foi facilitada pela ascensão dos mercados financeiros globais. Outra questão relevante é que países com leis de sigilo bancário se ligam a países com leis de relatórios de bancos facilitando o depósito anônimo e sua migração transnacional. Em 1996 estimou-se que corresponderia a em torno de 7% da economia global, e só os EEUU isoladamente, representariam 46% da lavagem de dinheiro mundial.
A moral dessa história não parece de complicado entendimento. Lavagem é apenas a ponta do iceberg de uma complexa engrenagem de produção do dinheiro de origem desconhecida ou ilegal. Envolve países mais ricos que acabam por ficarem com a parte boa do negócio, dinheiro limpo, enquanto os pobres ficam com a parte suja, crime organizado, guerras de quadrilhas posse de armas etc. A solução começa com fiscalização na parte saudável ou limpa da coisa; o sistema financeiro em geral. Difícil compreender aonde vai parar, fato é, que grande parte da violência nas sociedades mais pobres começa em confortáveis escritórios das mais ricas. A vida como ela é.

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