O Chipre

Chipre, uma ilha com mais de um milhão de habitantes pertencente a UE, um terço controlado pela Turquia e dois enclaves soberanos pelos ingleses, com Nicósia por capital. Durante anos foi offshore (empresa localizada num país e contabilidade em outro) de referência e forte confiança europeia, facilitando tais offshores tornarem-se matriz de uma sociedade cipriota; não é paraíso fiscal. Em custo e facilidade de negócios ganha de Inglaterra e Luxemburgo, melhores situados em estabilidade financeira, e Irlanda, melhor situada em imagem corporativa. Possui um dos menores impostos da UE, com isenções sobre distribuição de dividendos indiferente se pessoa física ou jurídica domiciliada ou não. Após a crise de 2013 com intervenção no Bank of Cyprus e no Marfin Laiki Bank, passou novamente a atrair o sistema financeiro. Hoje não há restrição à transferência de fundos internos ou externos. Diversas filiais bancárias estrangeiras são garantidas nos depósitos pelas matrizes e com maior segurança que em outros países. São reconhecidas relações fiduciárias de outros países ou valores de confiança emitidos, cheques, por exemplo. Como redução de gastos, admitem diretores corporativos, diferente de Inglaterra ou Irlanda que exigem pessoas físicas aumentando os custos. No Chipre, pode-se estabelecer empresa sem empregados ou pagamento de seguro social, tudo a custos baixos.
Colocaremos a atração de capitais como relevante no mundo atual. Fala-se muito que a UE tornou-se um espaço financeiro sem fronteiras ou regulamentação, já que o BCE não é autoridade com esta finalidade, ficando o sistema financeiro à mercê dos mercados. Por conta da desregulamentação, vem à tona, a opacidade de paraísos fiscais em linha com finanças e corporações do mundo globalizado. Isto, segundo especialistas, enfraquece os governos via evasão fiscal. Em decorrência de garantias e segurança oferecidas ao capital, geram efeito adverso como insegurança, crise por corrupção e crime organizado. Há na UE três paraísos fiscais relacionados a outros sete territórios em situação de opacidade fiscal, por acordos e preferências competindo deslealmente entre si.
Concluímos refletindo que a perda de espaço dos governos centrais como órgão regulador da sociedade, salta a olhos vistos. A atração do capital, pela lucratividade e rapidez do retorno, deixa definitivamente para trás o setor produtivo. Por tudo isto, não há sindicado que resista.

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