Ontem e hoje

O livro ‘A Teoria Geral da Ocupação’ de John Maynard Keynes de 1936 criou o Keynesianismo, falando de juros e dinheiro revolucionou mentalidades diversas. As crises, pela ótica de Keynes, se enfrentam com injeção do dinheiro público, aumentando a demanda agregada da economia, estimuladas por políticas ativas, combatendo via obras públicas, o alto desemprego. Preconizava que na economia debilitada e estagnada pela baixa demanda (depressão por exemplo), o setor público estimularia a vida, via aumento de gastos, controlando o déficit público, sem aumentar a taxa de juros de forma a prejudicar sua eficácia. Este pensamento dominou o pós guerra com auge nos anos 1970, cujas economias sofriam pelo aumento do preço do petróleo e inflação ascendente.
Tal conceito parece longe do consenso entre economistas. Alan Blinder, acadêmico em Princeton, escrevendo no The New Review of Books sobre a separação entre a economia prática e acadêmica nos últimos quarenta anos, diz que a ideia keynesiana se opõe aos conceitos de revolução das expectativas racionais sob o ponto de vista da economia teórica, ao passo que na economia prática, os estímulos keynesianos funcionam. Já John Cochrane da Universidade de Chicago escreveu em 2009 que a economia keynesiana “não é parte do que se ensinou aos graduados na década de 1960 e são os contos de fadas que deram falsos resultados,” absurda a segunda afirmativa, sob o ponto de vista de Blinder. Paul Krugman escreveu no The New York Times que “é cada vez mais difícil não se dar conta que os anti-Keynesianos estão equivocados em tudo, a situação deflacionária européia torna mais difícil negar a realidade da armadilha da liquidez econômica.”
Talvez adequado considerar o cenário em que ideias tanto de Keynes como de Marx foram concebidas. Viveram em ambientes europeus que evoluíram ao longo do tempo, talvez, sem a noção do que fosse a China por exemplo, e sequer imaginarem a formação de corporações como são hoje, a perda de poder governamental ou a vida globalizada. Imaginemos que a falta de consenso em ambos os casos decorreria aos diversos cenários enfrentados e variados resultados obtidos. Mesmo no capitalismo, marcando a revolução industrial inglesa como seu alvorecer, diremos que concebido em um cenário muito próprio, com o tempo, acabou produzindo os mais variados resultados e efeitos colaterais. A compreensão das condições concebidas e sua evolução, refletirá no grau de tensão envolvendo tais discussões na atualidade.

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