Riqueza oculta

No livro ‘A riqueza oculta das nações’ do economista francês Gabriel Zucman depara-se com a afirmação que um terço dos 1.8 bilhões de euros ocultos na Suíça são investidos em fundos de investimento localizados em Luxemburgo. O autor afirma que nenhum país chegou tão longe na “comercialização de sua soberania,” deixando empresas negociarem tributos e regras a que se submeterão. Segundo a revista Mediapart, Luxemburgo joga o papel de “buraco negro da globalização.” Mike Mathias, desta revista francesa, esclarece que “a praça financeira pesa nas mentalidades e se defende sem refletir. Isto fica claro no discurso local: o que é bom para o centro financeiro é bom para o país”, e conclui, “não há vontade política em enfrentar o peso do lobby financeiro.” O Grão Ducado é considerado acolhedor aos ricos e grandes empresas no escape de obrigações fiscais ou legais, tudo, impedido pela identificação do cliente.
Luxemburgo com população de 525 000 habitantes fundamentou-se na siderúrgica Arcelor, e para evitar estagnação, recorreu ao sistema financeiro como forma de enriquecimento. Priorizou atrair fundos de investimento de alto risco via fortes isenções fiscais; o resultado é o sistema financeiro com 12% do emprego ou um quarto do PIB. Tornou-se o segundo mercado mundial de fundos de investimento, superado pelos EEUU, e segundo do mundo em domicílio de fundos hedge ou de especulação financeira. Trata-se do primeiro país da eurozona na gestão de patrimônio privado ou 300 bilhões de euros de ativos; metade do mercado suíço. Possui 140 bancos nativos, 39 alemães, 14 franceses e 11 belgas. Administra 18% dos benefícios do Deutsche Bank, é o primeiro destino offshore dos ativos administrados pelo mercado financeiro francês. Os patrimônios privados representam 20% do setor financeiro, aí a grande novidade em discussão por lá, a lei das fundações privadas que ocultará a identidade do beneficiário último, ou, um drible na pressão sobre o fim do sigilo bancário. Os EEUU buscando identificar cidadãos americanos ocultos por lá, assinou via banco suíço USB, um acordo chamado Fatca, em que pela troca informações, permite a atuação do banco na praça americana. Segundo especialistas, o sigilo aparentemente seria quebrado, mas há outras formas de iludir o fisco americano. Afinal, Luxemburgo está entre Suíça e Hong Kong no índice de segurança privada do Tax Justice Network.
A questão parece maior que simples fuga de capitais ou sua ocultação, evitando assim a taxação pelos países de origem. Também não parece somente um problema europeu, já que os chineses procuram garantir o segredo do capital por lá; vide Hong Kong. É tão ampla a abrangência da questão no quesito privacidade, que atinge tratados de livre comércio envolvendo canadenses, americanos e europeus. À parte entraves políticos e de estado, está aí, algo que decerto coloca os países em desenvolvimento na retaguarda financeira, que agravados pela corrupção interna, os enfraquece, deixando o grande capital livre em seu passeio pelo mundo virtual.

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