Opacidade financeira

Concorrência é a situação de mercado em que produtores e vendedores de um bem ou serviço atuam de forma independente buscando lucro ou quota. Monopólio é a concorrência imperfeita em que uma empresa detém o mercado de um produto ou serviço influenciando no preço que comercializa. Cartel é um acordo entre concorrentes fixando preços ou cotas de produção, divisão de clientes ou mercados, por meio de ação entre agentes eliminando a concorrência. Com estas ideias iniciais diremos que o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), organização composta pelos mais renomados jornais europeus, entre eles, Le Monde (França), The Guardian (Reino Unido), Suddeutsche Zeitung (Alemanha) e o Asahi (Japão), revelou documentos provando acordos secretos com Luxemburgo envolvendo 340 multinacionais, entre elas, Pepsi, IKEA, AIG, Coach, Apple, Deutsche Bank, Amazon, Fiat, Burberry, Heinz e JP Morgan, visando menor pagamento de impostos.
Deu-se a isto, o nome de evasão fiscal pelos elevados montantes na casa dos bilhões de euros que deixaram de ser pagos nos países onde são gerados seus lucros. Por seis meses, o ICIJ acessou 28 000 páginas de documentos obtidos da auditoria Prize Waterhouse Coopers, em que 548 acordos celebrados entre 2002 e 2010, mostram flexibilização das regras fiscais dadas por Luxemburgo e deficiências ou fragilidades dos regulamentos internacionais. A moral da história é que Luxemburgo priva os governos do mundo, conforme afirma o Le Monde, criando lá uma holding de uma filial de fachada, com pouca atividade e empregados com o objetivo de pagar o mínimo de impostos possíveis, ou mesmo, obter isenção; todos concordam, isto é prática típica de um paraíso fiscal.
Em hora de grande aperto econômico, um dos fundadores da União Européia, de forma generosa favorece grandes corporações adquirindo importância no universo europeu, baseando-se no fato que o poder das corporações, em acensão no pós guerra, as leva a um ciclo de forte acumulação. Afirmam que o ex primeiro ministro luxemburguês e atual Presidente da Comissão Européia enfrentará as dúvidas de um possível conflito de interesses e a austeridade e disciplina imposta aos demais países com fortes restrições econômicas. A questão de Luxemburgo é uma sofisticada forma de praticar o que se chama fuga de capitais para compensar possíveis perdas na concorrência, uma colateralidade do capitalismo; livre concorrência até certo ponto. Outro fato corre em paralelo por conta das ameaças do primeiro ministro conservador inglês em retirar o Reino Unido da UE. Grandes bancos e Corporações já se movimentam numa possível transferência de Londres para outras praças; os irlandeses torcem com força. Por aqui, menos sofisticados, praticamos a guerra fiscal e a roubalheira descarada.

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