Armas e barões assinalados

O historiador de Oxford Farhang Jahanpour busca nos mostrar razões relevantes à questão iraquiana. Segundo ele, a partir do século XVI, a dinastia safávida governou o Irã após sua conversão ao islã num território envolvendo Síria e Turquia, adotando o xiismo como religião oficial. Inicialmente aceitaram o sunismo que foi substituído em oposição ao império otomano, dando cunho político a esta adesão, se afastando dos sultões otomanos, califas sunitas. Com a prevalência de Khomeini no Irã em 1979 o conceito xiita de imanato ou teocracia do legado de Maomé, regida por um imã, não corresponde na sucessão aos califas ortodoxos, mas aos imãs xiitas.
Há que se ver o papel regional americano na pós modernidade, a considerarmos os sunitas, maioria no universo muçulmano. Todos se lembram de Rummsfield tratando com Saddam a guerra ao Irã de Khomeini com mais de um milhão de mortos, e numa segunda oportunidade, seu fim, sob o pretexto das armas químicas. Ao comandar o Iraque, Paul Bremer acabou com o exército local colocando todos no olho da rua. O EI ou Estado Islâmico, compõe-se de militares iraquianos profissionais oriundos do exército de Saddam, e ao avançarem sobre o novo exército iraquiano, encontraram em muitos casos pouca resistência, pela negativa em combater.
Os EEUU, pelo visto, ascenderam um fogo que não tinham certeza se poderiam apagar. Não foi só um caso dos dirigentes americanos ignorarem a professora de história, certamente achando tudo uma grande bobagem, mas colocando todas as fichas nas armas e no capital. A história também mostra que Assad apoiou todos os grupos armados contra Israel; deu no que deu. Na Líbia, a oposição política armada, nunca mais se desmobilizou, o mesmo é visto com setores em Angola e Moçambique. A Colômbia e o Paraguai estão no atoleiro do desarmamento que parece não findar. No México, militares de elite desertaram para o crime organizado levando armas ultra modernas, incluindo aí, um helicóptero. Na Venezuela, todos viram Chaves deixar como legado, milícias populares armadas tal qual as cubanas. Aqui, estão aí para quem quiser, notícias do Rio São Paulo e Santa Catarina. Fica a pergunta: qual a qualidade da democracia que tolera a existência de grupos armados a qualquer pretexto, de drogas à proteção de setores empobrecidos, quando da possibilidade em algum momento, irem a elas na defesa de seus pontos de vista?

Anúncios
Esse post foi publicado em geral e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s