Regulamentação e Wall Street

Quando da crise de 2008 na cidade de Basileia, Suíça, os presidentes dos bancos Centrais buscaram estabelecer regras, respeitadas por todos, visando regular o mercado de capitais, e assim, evitarem novas crises. O chamado grupo de Basileia agora adota norma de liquidez centrando nos passivos bancários aumentando por um período maior que 30 dias, com isto, dar segurança à chamada cobertura de liquidez. Por conta, os americanos obrigaram seus bancos a manterem níveis elevados de capital, para em tempos bicudos, simplificarem suas operações sem necessidade de resgate governamental. Daniel Tarullo, membro do FED, recentemente disse que as normas de liquidez dão segurança ao sistema e “que não se debilita a medida que as lembranças da crise se dissipam.”
O FED americano, segundo o WSJ, busca normatizar Wall Street de forma mais exigente que Basileia. Procura tornar mais caro aos bancos sua exposição em demasia ao chamado financiamento majoritário de curto prazo. Busca afastar maior volatilidade, na qual empresas em crise buscam empréstimos no curto prazo comprometendo a liquidez do sistema, as grandes causadoras do crash de 2008. O atual FED, ao contrário do finado governo Bush, procura com isto dar mais estabilidade a economia formal. Dentre as nomas estão as que exigem acúmulo de ativos considerados ultra seguros, que apesar de terem menor rendimento, servem de lastro aos bancos. Apesar de menores lucros, especialistas pensam que tais medidas devem diminuir as taxas de juros no crédito.
Convenhamos que os frutos da auto-regulação do mercado pensada por Alan Grisppan, ex presidente do FED, que defendia com força sua desregulamentação, e que o mercado de capitais se auto regularia como um sistema de feedback. Decerto a auto-regulação veio forte entre nós em 2008 e suas consequências na economia real, com o contribuinte pagando a conta desta ideia de liberalização. Convenhamos ainda que a regulamentação diminui os ganhos que ocorrem em bolsa, mas busca evitar as consequências nefastas destes ganhos. Lembramos que bolsa de valores não é cassino de alto risco, e sim, mercado que vende partes de empresas visando sua capitalização para o crescimento da economia real. Por fim, lembramos que há no Ocidente estigma que a atividade privada é sinônimo de excelência, governança, competência e seriedade, ao passo que governos são exemplo de imobilismo, clientelismo, incompetência e etc. Só para ilustração: o Banco americano Goldman Sachs, o da Obra de Deus, é protagonista de dois episódios a serem pensados. Pouco antes da Argentina, sem manifestação de juízo, perder a causa nos EEUU para os fundos podres, e na contramão do mercado, o Banco emprestou aos hermanos um bilhão de dólares deixando todos em dúvida, pelo conceito de mercado, quanto ao risco e lucro. Mais forte ainda foi o mesmo banco, dias antes da quebra do conglomerado português Banco Espírito Santo, emprestou ao mesmo mais de 800 milhões de dólares, dando credibilidade quanto a solidez do grupo. Dias depois houve a liquidação pelo governo português, indo toda esta grana parar no lixo; talvez fizessem melhor se doassem a OMS para combater o surto de Ebola.

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